Desculpem, mas o post vai ser longo, porque longa é esta minha “batalha” em favor da viabilidade de VW clássicos a ar no nosso quotidiano.
E sim, sou doente, viciado e obsessivo, mas é o meu modo de ser.
E acho que não tenho cura, pois o AlfElísio diz com razão que não podemos pensar que os carochas são uma maravilha e o resto é tudo lixo, mas eu odeio carros modernos, acho que lixam a economia e a vida de todos nós. Quem bate na estrada a cento e muitos km/h não são os carochas, são os modernos. Quem destrói carros e mata na estrada são os tais modernos, os tais muito seguros de air-bags, cintos de segurança e travões de disco.
(Os meus comentários estão misturados com as citações, mas acho que se percebe)
Nirvana:
vlad acredito que seja possível o uso de um clássico como daily driver, mas apenas é compensatório em casos muito específicos (para quem faz uns 50Km diários).
Com 50km o carro nem anda como deve ser. Cada arranjo ou melhoria que faço na oficina leva logo com um teste de 500km numa semana, só para confirmar se ficou tudo bem.
Convém frisar que para uma utilização diária sem grandes cuidados extras, existe na gama VW Ar uma clara vantagem para os modelos mais recentes.
Isso permite um desleixo maior no dia-a-dia, sem ver o óleo durante semanas, mas uma conta maior na revisão: correia de distribuição, correia de alternador, filtro de óleo, filtro de ar em papel, muitos litros de óleo (mais que 2,5L), liquido para o radiador, enfim, modernices.
Como exemplo, só na viagem Celorico -> Covilhã faço 250Km em cerca de 3 horas, com consumos a rondar os 6L/100Km de gasóleo.
Depois há que totalizar os Km's diários e os da viagem de regresso.
Falando por alto, a média fica nuns 650/800 Km semanais.
250km de carocha, com trãnsito e devagar, seria exactamente 5 horas a 50km/h em estradas nacionais, caso não fosse superior, normalmente em torno dos 68km/h de média, onde o tempo de deslocação seria 220m(3h40M), apenas 40 minutos mais devagar que no diesel. Não vejo qual o problema, basta sair mais cedo, e ao fim do dia chegar mais tarde. Perde-se algum tempo encostado à almofada, ou a ver TV, mas não creio que seja grave.
O consumo seria 7,22L/100km. A minha média no carocha, mensal, é de 1802km, o que vem a dar 450km/semana. E não faço fumo diesel, não pago imposto de circulação, tenho seguro reduzido, pago pneus baratos, e tenho estilo e imagem na estrada…
Espero um dia fazer esta viagem numa splitscreen, mas nunca será uma constante, esquecendo o consumo, por dois factores:
- O tempo de viagem seria duplicado.
Não é duplicado, simplesmente é mais lento um pouco, média em Nacional de 45km/h, apontando o ponteiro a 60 onde se aponta o carocha a 80 e o moderno a 90. Só que o moderno, quanto mais acelera em recta… mais tem que travar em curva… o resultado final anda próximo do carocha, e gasta mais pastilhas de travão, gasta discos, e gasta combustível em demasia.
- A fina chapa frontal não me oferece a segurança necessária a uma utilização frequente.
A utilização frequente não pressupõe o estampanço diário, pois não? Então, se não é para bater, que interessa se o carro tem air-bag e metro e meio de motor pendurado à frente na dianteira a fazer peso sobre o eixo da direcção, ou apenas uma “latinha” dita “sem protecção”? Segurança é não acertar em ninguém e evitar ser embatido por outros. Os carros não são feitos para bater. Pelo menos os antigos. Agora os novos… Andar a comprar carros a contar com o “dia das almofadas”, cheio de air-bags a dispararem lá dentro…
Como disse um amigo meu que teve um acidente numa 4L utilizada diariamente: "Tantas vezes o cântaro vai à fonte, até que parte a asa!".
Ai é? E os novos? Não batem também? A diferença é que bater com o novo faz com que o asneirento sobreviva e volte à estrada para aterrorizar outros, enquanto que se batesse com um carro antigo, só errava uma vez… Era um alívio para todos nós.
Como detalhadamente expliquei no meu caso, seria impensável fazer aquelas viagens e quilometragem num clássico, tal não seria saudável nem para o carro, nem para a carteira, e só me traria dores de cabeça.
O carro não se estraga a ser bem usado, simplesmente desgasta material, naturalmente. O custo rondará a média de
O que me traz dores de cabeça é imaginar que divida teria que contrair, ou que outro emprego teria que sobrepor aos que exerço, ou que negócio da China é que teria que inventar, para obter o financiamento para a dispendiosa compra e manutenção do tal veículo muito moderno, que só gasta uma mijinha de gasóleo, mas balúrdios de seguro, de selo de circulação, pneus, e manutenção geral.
São pontos de vista, aceito o vosso como espero que aceitem o meu.. porém ainda não foi desta que me convenceram
Já percebi, mas ando a tentar…
Não me refiro a longas paragens como a do KG do Miguel (apesar de justificada pela relíquia que é), mas para mim um clássico é um carro para desfrutar maioritariamente ao fim de semana, férias e tempos livres.
Sou neste meio o que nós chamamos nas motas de "Domingueiro".
Portanto, é como ter uma amante para dar uma voltas ao fim de semana, e uma patroa para o quotidiano… Imaginem que eu gosto de chocolates… Só como ao fim de semana?
A vida é só uma, e todos os dias contam.
Não consigo andar por aí “a fingir” durante a semana a fumar gasóleo pela traseira agarrado a um volante pequeno e grosso, meio solto das rodas com direcção assistida, e a abrir os vidros com o dedo do meio espetado em cima de um botãozinho eléctrico de micro-ondas. E depois dizia que não, que o que eu gosto são os carochas, mas guardados em casa…
O gozo que me proporciona conduzir um clássico é ainda maior devido a esta variação entre o "moderno" e o "antigo". Se não usar os dois, que base de comparação é que tenho?!
O que eu gosto, depende da convicção, não da comparação. Bem, eu não tenho que ir… pimba, ali na amiga, para saber se gosto do que tenho…
(Não leves a mal, pois isto sou eu a exagerar…

)
Não rejeitem a tecnologia, inovação e modernismo que um dia vos presenteou com carochas, pão-de-formas e afins..os carros podem parar, mas o homem não!
Os carros modernos até que são bons, para os outros… Quanto mais gente os comprar, menos chateiam e implicam com quem gosta de carros a sério. Divirtam-se a comparar ABS, HDI, o tamanho da última carrinha que é maior que a tua… E deixem-me em paz, com o cheiro da óleo pingado debaixo do carocha, velhinho mas amigo do dono.
Quando me conseguirem provar que um VW Ar tem a segurança, conforto, economia e performance do meu plástico 1.9 TDI talvez comece a usar um diariamente..
Por acaso, o meu carocha já venceu um Audi A3 TDI 1.9. O carro era de um colega meu de Lisboa, que também dava aulas em Coimbra. Quando os custos de vida aumentaram, e os salários estagnaram, e até se reduziram, ele faliu… Desistiu das aulas, porque “davam prejuízo”. Pois davam, de Audi TDI…
Ele andava na auto-estrada, e pagava 23,00 euros ida e volta de portagem, eu na Nacional 1 pagava 2,55 euros ida e volta. Ele gastava pouco, sim, a andar devagar, mas na A1 gastava 9litros/100km para andar depressa. E o gasóleo está mais próximo do custo da gasolina que nunca, e com tendência para ficar igual. Isto para não falar da possibilidade de ser apanhado pelo radar… O Audi estava a desvalorizar-se a cada ano que passava, e o carocha na mesma… Comprou o novo A3 2.0 TDI, porque o outro estava a dar muitos problemas de oficina pela quilometragem elevada (e o carocha na mesma…), perdeu o dinheiro do valor do velho e foi “entalar-se” na compra do novo que custava muito mais, para “poupar no consumo”. Não sei se é de rir, se dar chapadas pela estupidez… Conclusão: faliu… E teve que desistir das aulas de Coimbra, tendo dado pelo custo do novo Audi, o dinheiro que tinha ganho nos anos anteriores de leccionação. Há cada um…
Ate lá, enquanto me vir forçado a ter grandes deslocações vou continuar assim.
Eu tembém, mas de Volkswagen carocha 1200 de 1963!
Miguel Brito, o tal que anda no século XXI com carros do século passado.
Nirvana, não mudes de ideias, que é para eu te poder continuar a contrariar.
Jean Melin:
Enfim... cada cabeça a sua sentença.
Bem dito.
Nezz:
é preferível ver mais um VW na estrada do que um plástico novo. o meu daily para já é um plástico - o Subaru Vivio (658cc) de 98, com 200 000km e manutenção super reduzida. Perguntam-me quando o troco e digo: só por um carocha ou quando tiver a bay finalizada (ou quase) e ficam muito espantados a olhar para mim.
Não troques: adiciona… Não julguem que eu nunca ponho as patas e as mãos dentro de um moderno. Como já sabem, o carro da minha esposa é um carro “para senhoras”, um jipe honda CRV, cheio de electroiniquices e fácil demais de conduzir. Por vezes dá-me jeito pegar num “latinhas moderno”: para andar incógnito na estrada (na má vida…), discreto por aí, para ir a bairros “difíceis” e estacionar em locais de risco (e onde fazem riscos…), para andar debaixo de chuva e no meio dos “asneirentos” do meio de Lisboa, ou em engarrafamentos de pára-arranca. Mas para pouco mais que isso serve. E tem custos elevados. Notem que ela paga por aquele o mesmo que eu pago para ter 3 clássicos…
Nirvana:
Não fosse o dinheiro, faria as viagens maiores num Aston Martin V8, e teria na garagem da minha casa de estudo uma barndoor samba para fazer uns 30/40 Km's diários.. isso sim era qualidade de vida.
O meu carro moderno para o dia-a-dia seria (por ordem), o Novo Cayman, em cinzento escuro e estofos claros, com 0km a estrear, comprado no concessionário do Alto do Vieiro em Leiria, ou o Audi A8 4.2 preto, o BMW 850i de faróis de levantar em cinzento (tipo karmann-ghia com hormonas), ou um Jaguar 4.2 (estética apelativa, tipo KG mas com 4 portas, compreendes isto, não é, kastenwa?), ou um Golf Cabrio I série, verde com interior pele creme (parecido com o do AlfElísio…).
Mas descubro que o seu custo de compra e manutenção supera largamente as despesas que tenho com os meus actuais, e não brilhava mais na estrada por isso.
Os meus alunos de Lisboa adoram ver a Gilda, e os contínuos confirmam a minha presença pelos meus carros no estacionamento, enquanto que aos outros,… precisam de andar atrás deles.
Quando estão os Passats do Governo no parque da Universidade, e também os Phaetons com o motorista à espera, e toda a gente olha antes para o meu carocha… Então sei que estou dentro do carro certo!
É meu, paguei-o do meu bolso, e sobrou dinheiro para a família. E o resto, é conversa.
Espero não ferir susceptibilidades, mas as imagens valem mais que mil palavras:
Carocha & Audi A3:
Quanto a esse audi, pensei que ias mostrar o “audi assassino”de Esmoriz:
Morreram os dois, não havia air-bags que superam o excesso de velocidade. O motor está num lado, a frente noutro, a traseira afastada, e a chapa do motor ficou enrolada num pinheiro… Tiveram que cortar a árvore para retirar a chapa…
Citando gygabite, do Portugal no seu Melhor: “nõ foi brincadeira, foi realmente em esmoriz, na estrada conhecida como estrada da mata k liga furadouro a cortegaça, foi no carnaval k tudo aconteceu, morreram os dois ocupantes, um de 27 e 1 de 22 anos, o motor parou 30 metros à frente do embate, o conta kilometros parou nos 100km/h. ou seja iam muito alem dos 200, isto dito pela gnr. hoje em dia no sitio onde faleceram colocaram uma cuz, e colocam flores e velas. sei disto tudo porque passo todos os dias por lá, e os dois jovens eram aqui da zona( viviam em maceda), eu sou de ovar. o acidente foi às 7.30 da manhã!”
Isto é impossível de acontecer com um carocha, pois não dá 200…
Quanto a crash-tests… Em condições demasiado artificiais, feitos para promover a “segurança” dos carros que pretendem vender, são uma indicação do nível tecnológico, mas não me digam que as marcas actuais promovem a segurança. Se assim fosse metiam os travões de disco ás quatro rodas em TODA a gama, e não apenas nos modelos mais potentes. Há aí muita hipocrisia…
A segurança somos nós, em antigo ou moderno!