"Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
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Almiscarado
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Apesar das dores de cabeça, o importante é que a satisfação continue a ser maior que as chatices 
VW 1200 1965
- Rogério Amorim
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Boa Noite,
No contexto da ultima situação descrita, resolver o assunto é que é preciso, mas aquele "amor (por um VW)" nunca nos deixa desanimar.
Abraço,
Rogério Amorim
No contexto da ultima situação descrita, resolver o assunto é que é preciso, mas aquele "amor (por um VW)" nunca nos deixa desanimar.
Abraço,
Rogério Amorim
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HUGO bOSS
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Miguel, como eu te compreendo! 
Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
Hugo Pereira
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- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Chuva, frio, humidade. Condições incómodas para guiar clássicos. Mas pior que isso, foi chegar à Gilda às 8h25m e descobrir que não pegava…
Não me espantei: ficou dois dias sem andar, debaixo de chuva e desta humidade pegajosa, e por isso negou-se. Limitei-me a usar o carocha, aproveitando uma aberta de relativo bom tempo, sem sujar o carro. Às 9h30m voltei a tentar a Gilda e nada feito. Vai dar trabalho…
Fui buscar a extensão eléctrica de 25 metros (o chamado “ficha vai a todas” porque chega a todo o lado), o secador de cabelo, uma chave de fendas comprida e um papel. Com a chave de fendas soltei a tampa do distribuidor, e aqueci tudo por dentro, limpando com o lenço de papel, para retirar o excesso de humidade. Aproveitei para aplicar o secador de cabelo á bobine, ao carburador, a tudo, estilo alucinado. Voltei a encaixar as peças e a tampa do distribuidor 009 e experimentei de novo. E de novo nada aconteceu…
Agora já deve estar afogado, mais vale esperar. De tarde, após o almoço, pelas 14h30m, tentei de novo e não consegui. Pus o carburador em posição de arranque a frio e nada. Agora parece-me a bateria que está a ficar fraca. Estou tramado com isto…
Precisei de esperar pelas 19h30m para que a minha mulher chegasse com o carro de plástico moderno. Agora vou ligar a bateria do carro dela à Gilda e fazer um arranque com as duas baterias conectadas.
Mais uma trabalheira: os cabos de velas estavam dentro do carocha, fui busca-los, e precisei de quase encostar a frente do carro dela junto ao motor da carrinha, com tudo muito apertado para me conseguir mexer. E claro, a estas horas é já noite, o que implica uma lanterna metida na confusão.
Fiz as ligações na ordem certa, como mandam as regras, e fui chamá-la, para me ajudar, acelerando o carro enquanto eu dava à chave na carrinha. Poderia ter apenas metido um peso em cima do acelerador, mas achei esforço desnecessário, visto ela estar em casa. Ao menos, que seja útil…
Mais valia ter usado o peso… Às vezes, um calhau é mais útil que uma mulher.
- Mas o que queres? Ainda estás de volta disso? Tu entreténs-te. Se está bom, devia andar. Se está avariado, chama o reboque.
- Está calada, não digas disparates! Reboque é para atrofiados…
- Mas o que é agora? Estás sempre a querer dispor dos outros. Não tenho a tua vida.
- São só dois minutos. É só para acelerares. Sabes carregar com o pé direito, não sabes?
A custo lá se resolveu a ir, mas demorou bastante, para garantir a noção de que “estava ocupada, e não tem tempo para brincadeiras”. Ligou o carro e eu sentei-me na Gilda. Mas não ouvia ela acelerar. Por isso enquanto eu gritava “acelera! Acelera!”, e ela lá se resolveu a carregar no pedal, eu dei à chave, mas ainda nada, impossível pegar, nem sequer soluços. Saio, e ela olha para mim em pânico, toda descontrolada:
- Mas o que é isto? O que é que estás a fazer? Olha que fico sem gasolina! Eu tinha mais gasolina! Isto está a gastar! Eu não posso gastar a gasolina para a Gilda!
- Gastar? Gastar como? Por dois minutos?
- Então: ligas-te os dois, e agora estou a perder a gasolina para a Gilda!|Não pode ser!
- O quê? Aceleras, e a gasolina passa pelos cabos de velas para dentro da Gilda? Portanto, estás a gastar aí e a atestar a Gilda pela bateria? A gasolina derrete com a bateria, passa pelos cabos e condensa dentro da Gilda, pingando e enchendo o depósito?
- Pois não pode ser!
- Ai podes crer que não…
E foi-se embora para dentro de casa. Mas também já não preciso dela a atrapalhar agora. Arrumo os cabos, arrumo o carro dela, e ainda estive quase para ir tirar de facto gasolina com um tubo, mas achei que não valia a pena o trabalho.
Já são 20h00m e tenho que pensar nisto. Tem gasolina suficiente. A bateria tem força. O motor de arranque funciona devidamente. Mas nem soluça, e não podia estar afogado. Só pode ser falta de faísca. Como costumam dizer, “sai e volta a entrar”. Vou verificar as ligações. Os cabos de vela estão bem presos, desmonto de novo a tampa do distribuidor, e com a gambiarra olho bem lá para dentro: falta o carvão de contacto central. Não está lá…
Mistério resolvido: quando limpei o interior da tampa, com alguma pressa e falta de cuidado, isso fez com que a peça central saltasse fora do seu encaixe, e caísse algures. Agora, basta encontrar, montar de novo no sítio e encaixar tudo de volta. Mas onde estará caída?
Já passa das oito da noite, estou deitado no chão húmido a tactear com as mãos por debaixo do motor e com a gambiarra, à procura de uma peça que parece a ponta de um bico de lápis caído no escuro. E encontrei…
Montar não foi fácil. Enroscar a pequena peça na mola, de modo que fique tudo justo. Voltar a fechar tudo. Guardar a gambiarra, a extensão de 25 metros. Assim que dei à chave, pegou de imediato. O material tem sempre razão…
Às 20h30m já funcionava de novo, mas agora já não fazia falta. Só amanhã…
Não me espantei: ficou dois dias sem andar, debaixo de chuva e desta humidade pegajosa, e por isso negou-se. Limitei-me a usar o carocha, aproveitando uma aberta de relativo bom tempo, sem sujar o carro. Às 9h30m voltei a tentar a Gilda e nada feito. Vai dar trabalho…
Fui buscar a extensão eléctrica de 25 metros (o chamado “ficha vai a todas” porque chega a todo o lado), o secador de cabelo, uma chave de fendas comprida e um papel. Com a chave de fendas soltei a tampa do distribuidor, e aqueci tudo por dentro, limpando com o lenço de papel, para retirar o excesso de humidade. Aproveitei para aplicar o secador de cabelo á bobine, ao carburador, a tudo, estilo alucinado. Voltei a encaixar as peças e a tampa do distribuidor 009 e experimentei de novo. E de novo nada aconteceu…
Agora já deve estar afogado, mais vale esperar. De tarde, após o almoço, pelas 14h30m, tentei de novo e não consegui. Pus o carburador em posição de arranque a frio e nada. Agora parece-me a bateria que está a ficar fraca. Estou tramado com isto…
Precisei de esperar pelas 19h30m para que a minha mulher chegasse com o carro de plástico moderno. Agora vou ligar a bateria do carro dela à Gilda e fazer um arranque com as duas baterias conectadas.
Mais uma trabalheira: os cabos de velas estavam dentro do carocha, fui busca-los, e precisei de quase encostar a frente do carro dela junto ao motor da carrinha, com tudo muito apertado para me conseguir mexer. E claro, a estas horas é já noite, o que implica uma lanterna metida na confusão.
Fiz as ligações na ordem certa, como mandam as regras, e fui chamá-la, para me ajudar, acelerando o carro enquanto eu dava à chave na carrinha. Poderia ter apenas metido um peso em cima do acelerador, mas achei esforço desnecessário, visto ela estar em casa. Ao menos, que seja útil…
Mais valia ter usado o peso… Às vezes, um calhau é mais útil que uma mulher.
- Mas o que queres? Ainda estás de volta disso? Tu entreténs-te. Se está bom, devia andar. Se está avariado, chama o reboque.
- Está calada, não digas disparates! Reboque é para atrofiados…
- Mas o que é agora? Estás sempre a querer dispor dos outros. Não tenho a tua vida.
- São só dois minutos. É só para acelerares. Sabes carregar com o pé direito, não sabes?
A custo lá se resolveu a ir, mas demorou bastante, para garantir a noção de que “estava ocupada, e não tem tempo para brincadeiras”. Ligou o carro e eu sentei-me na Gilda. Mas não ouvia ela acelerar. Por isso enquanto eu gritava “acelera! Acelera!”, e ela lá se resolveu a carregar no pedal, eu dei à chave, mas ainda nada, impossível pegar, nem sequer soluços. Saio, e ela olha para mim em pânico, toda descontrolada:
- Mas o que é isto? O que é que estás a fazer? Olha que fico sem gasolina! Eu tinha mais gasolina! Isto está a gastar! Eu não posso gastar a gasolina para a Gilda!
- Gastar? Gastar como? Por dois minutos?
- Então: ligas-te os dois, e agora estou a perder a gasolina para a Gilda!|Não pode ser!
- O quê? Aceleras, e a gasolina passa pelos cabos de velas para dentro da Gilda? Portanto, estás a gastar aí e a atestar a Gilda pela bateria? A gasolina derrete com a bateria, passa pelos cabos e condensa dentro da Gilda, pingando e enchendo o depósito?
- Pois não pode ser!
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E foi-se embora para dentro de casa. Mas também já não preciso dela a atrapalhar agora. Arrumo os cabos, arrumo o carro dela, e ainda estive quase para ir tirar de facto gasolina com um tubo, mas achei que não valia a pena o trabalho.
Já são 20h00m e tenho que pensar nisto. Tem gasolina suficiente. A bateria tem força. O motor de arranque funciona devidamente. Mas nem soluça, e não podia estar afogado. Só pode ser falta de faísca. Como costumam dizer, “sai e volta a entrar”. Vou verificar as ligações. Os cabos de vela estão bem presos, desmonto de novo a tampa do distribuidor, e com a gambiarra olho bem lá para dentro: falta o carvão de contacto central. Não está lá…
Mistério resolvido: quando limpei o interior da tampa, com alguma pressa e falta de cuidado, isso fez com que a peça central saltasse fora do seu encaixe, e caísse algures. Agora, basta encontrar, montar de novo no sítio e encaixar tudo de volta. Mas onde estará caída?
Já passa das oito da noite, estou deitado no chão húmido a tactear com as mãos por debaixo do motor e com a gambiarra, à procura de uma peça que parece a ponta de um bico de lápis caído no escuro. E encontrei…
Montar não foi fácil. Enroscar a pequena peça na mola, de modo que fique tudo justo. Voltar a fechar tudo. Guardar a gambiarra, a extensão de 25 metros. Assim que dei à chave, pegou de imediato. O material tem sempre razão…
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Fernando Palmela
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
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RATO, VW 11 Sedan De Luxe 1,192cm3
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LAVE quando chove E USE
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Fiat 126 6/1976
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Encontro VW todos os 1º domingos do mês 10:00h Marina de Cascais
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
- Mas o que é isto? O que é que estás a fazer? Olha que fico sem gasolina! Eu tinha mais gasolina! Isto está a gastar! Eu não posso gastar a gasolina para a Gilda! 
VW 1302 S daily "RAT" driver
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Almiscarado
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Brito tu arranjas cada história. Realmente isto dos carros "antigos" tem que se lhe diga.
Ou sabemos alguma coisa do assunto ou estamos lixados.
Eu também tenho que comprar uma bateria. A minha pifou ao fim de 10 anos de bons serviços
João
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VW 1302 Jubilee
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
A Gilda continua embruxada…
Hoje saio de manhã e cameijo! O pedal da embraiagem está tímido, quase não sai do chão.
Dificilmente sobe, mexe, mas pouco, e pior que isso, parece que estou semi-embraiado, patina, acelero e não sai do mesmo lugar. Estou feito com isto…
Lá vou de novo para a Junqueira, a guiar como se fosse um carro de velho atrofiado, e na oficina o Jaime pergunta-me o que quero fazer. Eu sei lá! Quero viagra no pedal, a ver se levanta mais.
Mas entretanto é hora de almoçar, e de barriga vazia não se sabe trabalhar. Uma alheira com ovo, sal , pimenta, e batata frita, arrematado com uma mousse para acimentar o final, e cá vai disto, o Jaime para a cave, para debaixo da Gilda.
O mecanismo do pedal de embraiagem está todo coberto de ferrugem, gera atrito, fica preso. WD40 ajuda mas não resolve.
Retira-se parte do pedal, e o eixo horizontal sai do cilindro onde deveria rodar. Completamente castanho, é preso no torno da bancada e lixado em redor, com lixa 2000 e escova de arame na rosca da ponta.
Depois de limpo, brilha de novo e é lubrificado. Conforme o Jaime salienta, o pau firme e hirto de barra de ferro, só mexe e remexe bem se estiver bem lubrificado.
De novo no lugar, agora dá-se o milagre: já sobe até à altura normal, as mudanças entram agora completamente, e tudo regressa à normalidade. Ámen!
E siga para a chuva e temporal. Parece um submarino. Entra alguma água da chuva, mas também sai pelos buracos que assim se tornam úteis.
Hoje saio de manhã e cameijo! O pedal da embraiagem está tímido, quase não sai do chão.
Dificilmente sobe, mexe, mas pouco, e pior que isso, parece que estou semi-embraiado, patina, acelero e não sai do mesmo lugar. Estou feito com isto…
Lá vou de novo para a Junqueira, a guiar como se fosse um carro de velho atrofiado, e na oficina o Jaime pergunta-me o que quero fazer. Eu sei lá! Quero viagra no pedal, a ver se levanta mais.
Mas entretanto é hora de almoçar, e de barriga vazia não se sabe trabalhar. Uma alheira com ovo, sal , pimenta, e batata frita, arrematado com uma mousse para acimentar o final, e cá vai disto, o Jaime para a cave, para debaixo da Gilda.
O mecanismo do pedal de embraiagem está todo coberto de ferrugem, gera atrito, fica preso. WD40 ajuda mas não resolve.
Retira-se parte do pedal, e o eixo horizontal sai do cilindro onde deveria rodar. Completamente castanho, é preso no torno da bancada e lixado em redor, com lixa 2000 e escova de arame na rosca da ponta.
Depois de limpo, brilha de novo e é lubrificado. Conforme o Jaime salienta, o pau firme e hirto de barra de ferro, só mexe e remexe bem se estiver bem lubrificado.
De novo no lugar, agora dá-se o milagre: já sobe até à altura normal, as mudanças entram agora completamente, e tudo regressa à normalidade. Ámen!
E siga para a chuva e temporal. Parece um submarino. Entra alguma água da chuva, mas também sai pelos buracos que assim se tornam úteis.
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HUGO bOSS
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Nada como afiar a cabeça...
Pena não ser amarela a rapariga...
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Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
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Quaresma
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Informação a reter:
... ás vezes um calhau é mais útil que uma mulher!
Não fosse algumas delas até saberem fo... mais ou menos e eu queria ver qual era o lugar delas no mundo!

... ás vezes um calhau é mais útil que uma mulher!
Não fosse algumas delas até saberem fo... mais ou menos e eu queria ver qual era o lugar delas no mundo!
Tudo sabe melhor dentro duma Kombi...
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
RESUMO ANUAL 2010
Kastenwagen 21 Splitscreen “Gilda”
Foram realizadas as seguintes intervenções na “Gilda”, ao longo deste ano que terminou, de 2010:
2 amortecedores novos dianteiros (Júlio Monteiro)
Montagem amortecedores (Jaime Junqueira)
Parafusos novos de suspensão traseira (Percol - Ajuda)
Montagem de correcção da suspensão traseira (Jaime)
2 pneus traseiros Uniroyal (Jaime)
Buzina nova (Auto Luso Alemã)
Seguro anual Liberty (ACP-Clássicos)
Bicha velocímetro de reserva (Júlio Monteiro)
Abrilhantador de pneus (Drogaria Cascais)
Inspecção obrigatória (Estoril)
Arranjo pedal embraiagem (Jaime)
A direcção e controle aleatório necessitou de uma intervenção sobre o eixo da frente em termos de novos amortecedores, e na traseira de pneus novos e parafusos reforçados da suspensão, visto terem-se perdido diversos em andamento, através dos buracos violentos das ruas de Lisboa. (Ou seja, crateras da Rua Pinto Ferreira, asfaltada de novo ao final do ano).
Uma nova buzina de origem HELLA, montada pela Auto Luso-alemã também veio dar estabilidade ao som, com menos consumo associado de electricidade.
De resto, apenas a necessidade de corrigir o funcionamento do pedal de embraiagem, que não tinha retorno, por via do eixo preso por corrosão superficial e falta de limpeza.
Passou na inspecção sem qualquer dificuldade, o que confirma o trabalho cuidadoso feito ao fim de 2009 e cujos resultados favorecem agora um uso mais eficaz.
O total das despesas acima discriminadas somou 453,07 euros, o que vem a dar a média de 37,76 euros/mês. Inclui, conforme se nota, absolutamente tudo, incluindo Seguro obrigatório. Não está aí contabilizada a gasolina gasta.
A quilometragem anual somou 6290 km, mais 1151 km do que no ano anterior, obviamente para rentabilizar a nova caixa de velocidades, metida ao fim do ano anterior, no final de 2009. Isto significa um uso em 2010 de 524 km’s/mês.
Consegui assim, entre 2009 e 2010, aumentar a quilometragem 22%, mas descer o custo de uso 42%, o que é a situação ideal, ou seja, mais quilómetros por menos custo.
A gasolina gasta ao longo destes 6290 km foram exactamente 832 euros para aproximadamente 607 litros de super 95 octanas. O que vem a dar 69,33 euros/mês de gasolina.
A média geral de consumo é assim de 9,66 litros/100km’s, no geral. O que está absolutamente de acordo com os manuais de especificações de época.
O total de despesa de uso soma assim 37,76 euros/mês de manutenção a 69,33 euros/mês de gasolina, para um custo combinado de 107,09 euros/mês para realizar 524 km/mês.
Este valor inclui tudo, despesas diversas e gasolina.
Este é o custo total absoluto de uso efectuado no ano de 2010.
Vem a dar 19 cêntimos por km.
Neste ano de 2010, o objectivo concretizado foi diluir o custo do investimento do ano anterior, para rentabilizar as intervenções prévias, e também reduzir a pressão de uso sobre o “Expresso”, partilhando quilometragem para uso em dias menos favoráveis.
Aproveitou-se a insistência no aumento da quilometragem para identificar falhas avulsas, melhorando nitidamente a conjugação dos elementos mecânicos em presença, e tentando aumentar a fiabilidade de uso, o que se comprovou por diversas ocasiões.
Apesar da ferrugem que vai alastrando, continua sem haver depreciação económica do veículo a considerar, antes pelo contrário...
A cotação das carrinhas mantém-se alta, consequência da abundante publicidade com recurso a estes veículos, presentes em diversos meios de comunicação, mantendo o imaginário colectivo aderente a esta realidade.
De notar que o uso e facilidade de condução se alterou drasticamente para melhor, com comportamento mais equilibrado e previsível, reduzindo os riscos na estrada, promovendo a segurança, por adequação dinâmica de direccionalidade e capacidade de travagem.
Melhores condições mecânicas significam segurança aumentada, pela melhoria de condições dinâmicas de uso. Segurança não pode ser apenas comprar novos modelos com mais segurança passiva, com ênfase nos sistemas pós-embate, mas sim garantir a melhor eficácia de funcionamento por forma a evitar o acidente. O objectivo deve ser não bater, e por isso se deve promover as melhores condições de funcionamento possível.
Se fizermos uma retrospectiva global dos vários anos de posse da Gilda, desde 2003, o resultado é bastante favorável e consistente, conforme se verifica seguidamente.
Os valores indicados são cálculo de médias. Não se inclui o custo inicial de compra do veículo. Os valores incluem absolutamente tudo, incluindo seguro, inspecções, oficina, peças, pneus, escape, reparações, electricista, etc, e também a gasolina gasta está incluída no cálculo:
Em 2003, o custo total de uso mensal foi de 100,89 euros para 439 km/mês.
Em 2004, despesa de uso mensal de 151,01 euros para 845 km/mês, inclui cabos de travão de mão e refazer dínamo.
Em 2005, despesa de uso mensal de 119,09 euros para 573 km/mês de novo um dínamo, desta vez um refeito pela Bosch alemã.
Em 2006, despesa de uso mensal de 149,42 euros para 608 km/mês., colocação de filtro de origem MANN.
Em 2007, despesa de uso mensal de 55,24 euros para 266 km/mês, novas polies do dínamo.
Em 2008, despesa de uso mensal de 98,97 euros para 414km/mês, inclui escape novo, bateria nova, multa por excesso de velocidade e valvulina.
Em 2009, despesa de uso mensal de 184,03 euros para 428km/mês, inclui caixa de velocidades nova.
Em 2010, despesa de uso mensal de 107,09 euros para 524 km/mês, amortecedores novos dianteiros, dois pneus novos uniroyal e arranjo pedal embraiagem.
Assim, em 7 anos (mas 76 meses apenas) de uso foram percorridos 45631 km ao custo total e global de 10781,74 euros. Ou seja, em média, para andar 600 km/mês custa 141,86 euros/mês. Cada km percorrido sai a 0,236 cêntimos.
VW clássico, para um mundo melhor e mais feliz!
Actividade desenvolvida:
Iniciaram-se as actividades a 23 de Janeiro, para acompanhar a partida do Encontro dos Desportivos Ingleses, em Lisboa servindo meramente de transporte.
A 17 de fevereiro, atravessei perigosa tempestade, com notável resultado.
A 7 de Março, participação no encontro mensal volkswagen de Cascais.
A 20 de março serviu para ida à FIL, feira Motorclássico.
A 4 de Julho de novo no encontro mensal de Cascais.
Um dos pontos altos do ano foi a participação no Campingwagen da Burinhosa, dois dias com campismo integrado, uma estreia no uso da Gilda.
A 3 de Outubro, participação no encontro de clássicos multi-marcas da Charneca., bem como a 6 de Novembro.
Participou na Noite de Sintra, do Rali Histórico de Portugal, a 15 de outubro, com grande sucesso, sendo ponto de reunião de amantes dos clássicos na noite (funcionando como bar).
A 21 de dezembro foi a Gilda visitada pelo famoso Mike Silva, recém vindo de Inglaterra.
O ponto alto do ano terá sido sem dúvida, a publicação de página inteira na Revista Motorclássico, com o título “Final Feliz”, edição nº45, onde se partilha a razão do sucesso de possuir e amar uma carrinha pão-de-forma.
Ao longo do ano foi também recolhido mobiliário avulso abandonado na via pública, cadeiras, mesas, quadros, armários, num sortido de objectos volumosos que puderam ser reciclados e utilizados em casa, a custo zero de obtenção, graças à facilidade de transporte na Gilda.
De que outro modo poderia ser, para uma vida em pleno? Abraços a todos e mudem para melhor, mudem para Vw clássico, para uma vida com classe.
Segue-se um novo ano, sempre a somar km’s.
VW clássico, para um mundo melhor e mais feliz!
Kastenwagen 21 Splitscreen “Gilda”
Foram realizadas as seguintes intervenções na “Gilda”, ao longo deste ano que terminou, de 2010:
2 amortecedores novos dianteiros (Júlio Monteiro)
Montagem amortecedores (Jaime Junqueira)
Parafusos novos de suspensão traseira (Percol - Ajuda)
Montagem de correcção da suspensão traseira (Jaime)
2 pneus traseiros Uniroyal (Jaime)
Buzina nova (Auto Luso Alemã)
Seguro anual Liberty (ACP-Clássicos)
Bicha velocímetro de reserva (Júlio Monteiro)
Abrilhantador de pneus (Drogaria Cascais)
Inspecção obrigatória (Estoril)
Arranjo pedal embraiagem (Jaime)
A direcção e controle aleatório necessitou de uma intervenção sobre o eixo da frente em termos de novos amortecedores, e na traseira de pneus novos e parafusos reforçados da suspensão, visto terem-se perdido diversos em andamento, através dos buracos violentos das ruas de Lisboa. (Ou seja, crateras da Rua Pinto Ferreira, asfaltada de novo ao final do ano).
Uma nova buzina de origem HELLA, montada pela Auto Luso-alemã também veio dar estabilidade ao som, com menos consumo associado de electricidade.
De resto, apenas a necessidade de corrigir o funcionamento do pedal de embraiagem, que não tinha retorno, por via do eixo preso por corrosão superficial e falta de limpeza.
Passou na inspecção sem qualquer dificuldade, o que confirma o trabalho cuidadoso feito ao fim de 2009 e cujos resultados favorecem agora um uso mais eficaz.
O total das despesas acima discriminadas somou 453,07 euros, o que vem a dar a média de 37,76 euros/mês. Inclui, conforme se nota, absolutamente tudo, incluindo Seguro obrigatório. Não está aí contabilizada a gasolina gasta.
A quilometragem anual somou 6290 km, mais 1151 km do que no ano anterior, obviamente para rentabilizar a nova caixa de velocidades, metida ao fim do ano anterior, no final de 2009. Isto significa um uso em 2010 de 524 km’s/mês.
Consegui assim, entre 2009 e 2010, aumentar a quilometragem 22%, mas descer o custo de uso 42%, o que é a situação ideal, ou seja, mais quilómetros por menos custo.
A gasolina gasta ao longo destes 6290 km foram exactamente 832 euros para aproximadamente 607 litros de super 95 octanas. O que vem a dar 69,33 euros/mês de gasolina.
A média geral de consumo é assim de 9,66 litros/100km’s, no geral. O que está absolutamente de acordo com os manuais de especificações de época.
O total de despesa de uso soma assim 37,76 euros/mês de manutenção a 69,33 euros/mês de gasolina, para um custo combinado de 107,09 euros/mês para realizar 524 km/mês.
Este valor inclui tudo, despesas diversas e gasolina.
Este é o custo total absoluto de uso efectuado no ano de 2010.
Vem a dar 19 cêntimos por km.
Neste ano de 2010, o objectivo concretizado foi diluir o custo do investimento do ano anterior, para rentabilizar as intervenções prévias, e também reduzir a pressão de uso sobre o “Expresso”, partilhando quilometragem para uso em dias menos favoráveis.
Aproveitou-se a insistência no aumento da quilometragem para identificar falhas avulsas, melhorando nitidamente a conjugação dos elementos mecânicos em presença, e tentando aumentar a fiabilidade de uso, o que se comprovou por diversas ocasiões.
Apesar da ferrugem que vai alastrando, continua sem haver depreciação económica do veículo a considerar, antes pelo contrário...
A cotação das carrinhas mantém-se alta, consequência da abundante publicidade com recurso a estes veículos, presentes em diversos meios de comunicação, mantendo o imaginário colectivo aderente a esta realidade.
De notar que o uso e facilidade de condução se alterou drasticamente para melhor, com comportamento mais equilibrado e previsível, reduzindo os riscos na estrada, promovendo a segurança, por adequação dinâmica de direccionalidade e capacidade de travagem.
Melhores condições mecânicas significam segurança aumentada, pela melhoria de condições dinâmicas de uso. Segurança não pode ser apenas comprar novos modelos com mais segurança passiva, com ênfase nos sistemas pós-embate, mas sim garantir a melhor eficácia de funcionamento por forma a evitar o acidente. O objectivo deve ser não bater, e por isso se deve promover as melhores condições de funcionamento possível.
Se fizermos uma retrospectiva global dos vários anos de posse da Gilda, desde 2003, o resultado é bastante favorável e consistente, conforme se verifica seguidamente.
Os valores indicados são cálculo de médias. Não se inclui o custo inicial de compra do veículo. Os valores incluem absolutamente tudo, incluindo seguro, inspecções, oficina, peças, pneus, escape, reparações, electricista, etc, e também a gasolina gasta está incluída no cálculo:
Em 2003, o custo total de uso mensal foi de 100,89 euros para 439 km/mês.
Em 2004, despesa de uso mensal de 151,01 euros para 845 km/mês, inclui cabos de travão de mão e refazer dínamo.
Em 2005, despesa de uso mensal de 119,09 euros para 573 km/mês de novo um dínamo, desta vez um refeito pela Bosch alemã.
Em 2006, despesa de uso mensal de 149,42 euros para 608 km/mês., colocação de filtro de origem MANN.
Em 2007, despesa de uso mensal de 55,24 euros para 266 km/mês, novas polies do dínamo.
Em 2008, despesa de uso mensal de 98,97 euros para 414km/mês, inclui escape novo, bateria nova, multa por excesso de velocidade e valvulina.
Em 2009, despesa de uso mensal de 184,03 euros para 428km/mês, inclui caixa de velocidades nova.
Em 2010, despesa de uso mensal de 107,09 euros para 524 km/mês, amortecedores novos dianteiros, dois pneus novos uniroyal e arranjo pedal embraiagem.
Assim, em 7 anos (mas 76 meses apenas) de uso foram percorridos 45631 km ao custo total e global de 10781,74 euros. Ou seja, em média, para andar 600 km/mês custa 141,86 euros/mês. Cada km percorrido sai a 0,236 cêntimos.
VW clássico, para um mundo melhor e mais feliz!
Actividade desenvolvida:
Iniciaram-se as actividades a 23 de Janeiro, para acompanhar a partida do Encontro dos Desportivos Ingleses, em Lisboa servindo meramente de transporte.
A 17 de fevereiro, atravessei perigosa tempestade, com notável resultado.
A 7 de Março, participação no encontro mensal volkswagen de Cascais.
A 20 de março serviu para ida à FIL, feira Motorclássico.
A 4 de Julho de novo no encontro mensal de Cascais.
Um dos pontos altos do ano foi a participação no Campingwagen da Burinhosa, dois dias com campismo integrado, uma estreia no uso da Gilda.
A 3 de Outubro, participação no encontro de clássicos multi-marcas da Charneca., bem como a 6 de Novembro.
Participou na Noite de Sintra, do Rali Histórico de Portugal, a 15 de outubro, com grande sucesso, sendo ponto de reunião de amantes dos clássicos na noite (funcionando como bar).
A 21 de dezembro foi a Gilda visitada pelo famoso Mike Silva, recém vindo de Inglaterra.
O ponto alto do ano terá sido sem dúvida, a publicação de página inteira na Revista Motorclássico, com o título “Final Feliz”, edição nº45, onde se partilha a razão do sucesso de possuir e amar uma carrinha pão-de-forma.
Ao longo do ano foi também recolhido mobiliário avulso abandonado na via pública, cadeiras, mesas, quadros, armários, num sortido de objectos volumosos que puderam ser reciclados e utilizados em casa, a custo zero de obtenção, graças à facilidade de transporte na Gilda.
De que outro modo poderia ser, para uma vida em pleno? Abraços a todos e mudem para melhor, mudem para Vw clássico, para uma vida com classe.
Segue-se um novo ano, sempre a somar km’s.
VW clássico, para um mundo melhor e mais feliz!
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
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Quaresma
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Fonix ó MB tu não dormes ou já estás reformado?
Onde é que arranjas tempo para apontar tudo isso, fazer estes resumos e ainda dar umas aulitas pelo meio? Tu deves é ter um motorista Ambrósio e nas viagens para coimbra vais de pc no colo a escrever
Parabéns
Onde é que arranjas tempo para apontar tudo isso, fazer estes resumos e ainda dar umas aulitas pelo meio? Tu deves é ter um motorista Ambrósio e nas viagens para coimbra vais de pc no colo a escrever
Parabéns
Tudo sabe melhor dentro duma Kombi...
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Carlos Baptista
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Inspecção da Gilda
24 Outubro de 2011
17 de Outubro foi dia de pegar na Gilda. Havia quase um mês que não circulava, mas assim que dei à chave pegou de imediato. Levei a gorda a dar uma volta, não muito longe, apenas aqui em redor, fez a “volta do autódromo” por fora, deu para descontrair um bocado. Tudo funciona, tudo operacional, como se quer.
Durante a semana, a questão fundamental era saber como resolver a inspecção, que tem por limite o 7 de Novembro, daqui a umas duas semanas. Uma hipótese é ir aos “amigos” do Vladimir, pagar por fora, e desvanecem-se os problemas, tudo passa instantaneamente a operacional, a fantasia torna-se legalizada, e siga a festa.
Ou então ir mais longe, até à Amoreira de Óbidos, ou à Bidoeira, mas isso mete horas e mais horas, quilómetros que encarecem tudo em demasia, esforço excessivo para algo que pode ser mais fácil aqui perto.
Levei a semana sem saber o que fazer. Interessa-me ter a Gilda legalizada para circular, para tentar um semi-restauro durante este Inverno, caso seja seco, ou na primavera próxima. Mas como passar na inspecção com tudo cada vez pior? Não sei, mas preciso de arranjar uma solução. Levei a semana toda angustiado sem saber como fazer.
Não voltei a andar com ela, ficou parada, com pouca gasolina, mas pega ao primeiro toque de chave.
Na sexta-feira, dá-se um pequeno “milagre”: um carro que acompanhei na oficina do Jaime deu-me de lucro 40 euros. Já tenho os 28 euros para a inspecção da Gilda…
No sábado, dia 22, todos anunciam que vai chover forte, o que vai provocar de novo a infiltração na óptica direita, e regressa um dos usuais problemas de inspecção. Preciso de resolver isto quanto antes.
Domingo de manhã, dia 23. Visto uma T-shirt propositadamente guardada para estes “dias difíceis”: hoje tenho que ir para debaixo da Gilda…
Papel de oficina em rolo, escova de dentes velha oleosa, e bisnaga de Mistolin em spray. Um nojo total…. Quanto mais o motor ficava limpo, mais todo o resto ficava imundo: o chão, as mãos, braços, eu… Uma hora depois, o lado inferior do motor, as carenagens, a caixa de velocidades, tudo estava como novo, limpo, seco, brilhante. Daqui estamos despachados.
Seguiu-se a limpeza geral de carroçaria, com o escadote para aceder ao tejadilho. Por dentro, foi tudo varrido. Ao fim da manhã, estava o assunto arrumado. Pela hora de almoço, começou a chover…
Foi à justa, senão muito difícil seria limpar o lado inferior do motor com o pavimento todo molhado para me deitar no chão.
De tarde, acelerei até Lisboa, fui ver a chegada do Rallye Figueira da Foz – Lisboa, com a estranha particularidade de eu ser o único espectador presente!...
Os cerca de 50 km totais do dia foram suficientes para avaliar o funcionamento de tudo, e secar a limpeza inferior do motor. Ao fim do dia, uma tempestade enorme, e coloquei a Gilda ao topo da rampa de casa, para garantir que amanhã pega de certeza como deve ser.
Finalmente segunda-feira dia 24: vamos à inspecção… o dia amanhece sereno, a chuva forte passou, tudo ainda molhado, mas talvez demasiado seco. Gosto de ir debaixo de chuva à inspecção, para ter o carro a pingar por todos os lados, de modo a assustar e tirar o inspector de lá debaixo rapidamente.
Vou dar à chave, e… nada. Não pega. Dá motor de arranque, mas afoga, sem disparar faísca. Está claro que a humidade no distribuidor não ajuda. Mas hoje é para me despachar, por isso está estacionada a descer, ao topo da rampa. Tiro a pedra de travão à roda de trás, engato segunda, e trepida ao funcionar de repente, expulsando uma nuvem de fumo pelo escape. Travão a fundo e derrapa na descida. Pelo menos, os calços prendem bem…
Reviro a gorda e saio à rua. Ainda falta duas coisas… Estaciono a descer e vou atrás, à luz de matrícula: claro que não funciona…
Retiro o plástico nojento que recobre o encaixe da lâmpada e faço a limpeza anual do acrílico. Tiro o nojo de verdete acumulado, e o plástico volta a ser translúcido, para que a luz de matrícula passe. Fica muito bem, mas apenas uma vez por ano…
Quanto à lâmpada, bastou arriar-lhe para voltar a dar luz. Bem, por hoje chega para a inspecção. Este acrílico da luz de matrícula está preso por dois parafusos: um de cruz phillips, o outro de fenda…
É mesmo à anormal preguiçoso de oficina manhosa: dois parafusos lado a lado, cada qual de sua raça, apenas para irritar que precisa de corrigir algo, para ter que usar duas chaves de fendas diferentes…. Uma estupidez monumental, mas como tenho o alicate multiusos, o desconforto é menor, basta usar duas ferramentas em uma.
Arranco finalmente, agora para uma bomba de gasolina aqui perto: lá dentro compro um pacote de fusíveis, pois os médios continuam por resolver, tendo a tendência a queimar e rebentar o circuito, ficando tudo inoperacional. Só espero que não rebente de novo, logo na linha de inspecção, mas por via das dúvidas, levo já os fusíveis novos no bolso do colete multi-usos. Um euro e vinte cêntimos de fusíveis diversos no bolso, e de novo em andamento.
Agora acelero para meter gasolina numa bomba mais barata. Tem ainda o interesse acrescido de poder fazer 15 km em andamento rápido, para aquecer o funcionamento do motor, eliminar ruídos extra, regularizar tudo para quando chegar à inspecção apresentar um “ar normal”.
Finalmente, são agora quase 10h00m, chego à inspecção. Não havia muito carros, a funcionária avisa-me do costume: “já sabe que se aparecem os das marcações, passam à frente. Vai ter que esperar”. Nada de especial, mas assim é mais simples do que marcar antes, sem saber se consigo cá chegar sem avariar pelo caminho.
Vejo as duas linhas de inspecção, e tudo está lento, na modorra do meio da manhã, com o sol quentinho entre nuvens. A Gilda brilha ao sol, e um frémito percorre os inspectores quando a vêem. “Olha para aquilo. Daquilo já não há… Eram antigas, mas boas… Aquilo era material da guerra… Aguentam tudo…” etc, e etc, no chorrilho de imbecilidades habituais.
Mas o mais importante foi constatar que estão lá os “simpáticos” todos, incluindo o senhor de mais idade, o único que percebe daquilo como deve ser. Deixo-me ficar por ali, um ford fiesta todo batido, nenhum painel intacto… Um Uno a deitar fumo azul que deixou tudo envolvido numa neblina pegajosa, etc.
De repente… Eis que chega… o “coninhas cientifico”!
Até mudei de cor…. O raio do inspector mais odioso que se possa imaginar, o tal que me dizia que os meus carros “já não eram novos”, como se eu não soubesse já quantos anos passaram desde 1963 e desde 1966…
O mesmo que implicava com os cintos de segurança do Honda novo, porque “tem que estar trancados”, e que muda sempre a afinação do banco do condutor, só para incomodar.
Que marca riscos nos parachoques como “saliências agressivas”, que vê sempre “danos nas ópticas” desde que já não sejam novas, e a pérola máxima em todos os volkswagens, por mais que sejam diferentes, velhos ou novos: “pequenas emissões em juntas secundárias” por debaixo dos motores…
Mudei de centro de inspecção por causa dele, mas o gajo veio atrás de mim… Hoje julgava que estava livre dele, mas nada, o animal voltou à superfície. È pior que uma carraça, e difícil de exterminar. Estou tramado. Agora resta esperar pela sorte…
Cada vez que o altifalante gemia uma matrícula nova, eu respirava de alívio por não ser eu… Com cinco inspectores em duas linhas, acho que é preciso um azar muito grande para me sair o coninhas.
Ele anda por ali a pairar, já topou a Gilda, e está nervoso, irritado, estamos os dois de novo em rota de colisão, e já perdi a paciência de o aturar, e ele a mim.
Finalmente, a voz de robot feminino, a soar lenta nos altifalantes: “ matrícula… jê…. Elle… trinta… e seis… dez…linha…. um”
Olho para a linha um e vejo o coninhas, ao mesmo tempo que ele vê que é a Gilda. Viramos os dois costas de imediato, a dizer palavrões para dentro. Raios partam isto! É preciso azar! Muito azar!
Vou buscar a Gilda, ele indica para avançar para a posição de ver luzes. Começa a inspecção com um aperto de mão, enquanto pergunta se está tudo bem. Por enquanto está, respondo enigmaticamente.
Começa logo pelas luzes: pede mínimos, acendo e sei que está tudo normal. Ele pede médios, acendo a medo, com receio do sistema rebentar… a coisa aguenta-se, ele olha para a óptica direita, já de novo embaciada de humidade por dentro, e pede para eu acelerar, para dar brilho às luzes. Acelero suavemente, ele passa para a óptica esquerda, eu só acelero quando ele olha, depois passo tudo de imediato a mínimos, e nada rebentou. Antes assim, um pequeno milagre no momento certo.
Meteu a sonda no escape, mas nem abriu o motor para medir as RPM. Desta vez não pergunta pelo número de chassis, o tal número sumido e de difícil leitura. Saio do carro, ele entra, mas eu fecho a porta, para garantir que fica trancada. Ele avança para medir o movimento da suspensão, e deixa as rodas traseiras mal colocadas, mas não lhe digo nada, e a máquina acusa cerca de 72% nos dois lados, e tudo normal.
Avança de novo e mergulha o eixo dianteiro nos rolos de travagem. Deixa rolar, o sistema ganha balanço e resolve travar de repente… A travagem é instantânea, absoluta e regular, e afocinha a traseira de tal modo que a traseira empina e salta ao ar!
Atiro-me para trás, e fico encostado à parede, assustado com o coice que aquilo amandou ao ar. O inspector deu com os cornos no vidro dianteiro que é bem feita para aprender a não tentar a brincadeira de novo.
Arrancou de imediato para a frente, meteu a traseira nos rolos e de novo uma travagem absoluta e repentina. Tocou na buzina a julgar que nada acontecia e até fez eco no edifício, e os outros colegas a dizerem para se acalmar…
Travão de mão é que não estava nada bem, com erro diferencial de uns 90% para 20%. Já estou tramado…
Seguiu para a frente, saiu do carro, disse-me para entrar e “já sabe os procedimentos”.
Desata a apertar com a máquina de esticões laterais. Primeiro, uma vez, mas demorada. Depois uma segunda vez. Depois mais uma terceira vez. Mau… É claro que se insistir demais, alguma coisa há-de ceder. Isto é para testar apenas, não para insistir até partir...
Mandou avançar, um mínimo esticão atrás, e nem viu mais nada, no motor que eu tinha limpo na véspera, e voltou a aparecer. Disse que tem uma folga no cavilhão da frente direito, que tem que ser revista, que é perigoso andar assim, e que tenho que mandar reparar a ferrugem junto aos vidros da frente, que tem que ser corrigido para o ano que vem.
E meteu a folha verde…. Aprovada. Olhei para a folha, e apenas indica corrosão superficial na base das janelas dianteiras. Desapareceu o cavilhão, para ele parecer “simpático”.
Arranco para fora dali, e fico a pensar: pela primeira vez em oito anos não viram o número de chassis, não olhou para a medida dos pneus, não usou o esguicho, não ligou os limpa-vidros, não pediu o triângulo nem o colete, não mediu as RPM. E estranhamente, a situação do travão de mão a vermelho, com um diferencial assustador, não acusou nada na folha final.
Foi das inspecções mais rápidas que já fiz, deu um coice que empinou a traseira da Gilda no ar, buzinou alto e travou a fundo arriando a traseira. E está feito…
Nem sei se é mau se é bom, mas o facto é que fiz cerca de 5 mil quilómetros desde a inspecção do ano passado, não gastei absolutamente nada de despesa de peças ou oficina, tem sido só andar, está a gastar pouco, na ordem de 8,9 a 9,2 litros/100km, não consome óleo, anda perfeitamente, direcção sensível, certa e bem alinhada, bons pneus, especialmente os traseiros especiais para chuva, e tudo conforme se deseja.
Pouco depois, estava no centro de Cascais, a estacionar (sem pagar) nos parquímetros frente a uma prestigiada imobiliária, rodeado de Mercedes e BMW negros, com matrículas deste ano.
Assim que saio do carro, já estão todos a sair da imobiliária, a espreitarem e a comentarem a Gilda. Um frémito passou por aquelas cabeças formatadas, todos de gravatas vermelhas e telemóveis último modelo, alucinaram no desejo de sentirem emoções, estimulados pela imagem pura da Gilda, grito de liberdade alternativa a uma vida condicionada.
Vou falar com o dono, todos estão entusiasmados com a Gilda, a esposa dele diz-me que é “muito gira, mas deve ter um consumo muito elevado”. Respondo que não, que “é muito prática, e gasta apenas uns 9 litros, menos que um Porsche, e com muito mais utilidade”. Ela ri-se, e estranha eu dizer que é muito prática. Respondo que “dá para tudo, que dá para transportar tudo o que faz falta, levar coisas, trazer toda a tralha necessária”. Percebo nela um olhar vazio, um esgar de quem não entende o que estou a dizer. Pois claro, quem manda nunca trabalha, nunca precisa transportar nada, pois isso é trabalho dos funcionários, não dela.
Enfim, deixei-os após breves instantes, não queria dar oportunidade aos policias dos parquímetros de me adicionarem uma conta ao dia, e arranquei, vendo as cabecinhas esticadas de todos na empresa a olharem a Gilda, e os donos, discretamente,e quando eu já estava de costas, a tirarem fotos com o telemóvel. Pois é, andam de Mercedes novo, mas fotografam a Gilda…
Qual será afinal o melhor carro? Concerteza que um veículo de 1966 que ainda é capaz de suscitar paixões não pode estar errado. Um carro de 45 anos que ainda cumpre e bem a sua função, é sempre melhor que viver alienado na compra de uma inutilidade moderna, e como tal, a conclusão do dia é a mesma de sempre: ponha um VW na sua vida, e um sorriso nos seus dias….
Vivam bem, porque a vida é só uma, não percam tempo atrofiados dentro de carros novos, respeitem o planeta, mantenham vivo o património motor, reutilizem os clássicos, adicionem quilómetros de classe à vida.
Esqueçam o sorvedouro de despesa dos modernos, desvalorização e complexa dispendiosa manutenção, apostem em qualidade, custos controlados, carros clássicos para vida com classe, para quilómetros de prazer.
Vosso amigo, em volkswagen, uma parceria de sucesso.
24 Outubro de 2011
17 de Outubro foi dia de pegar na Gilda. Havia quase um mês que não circulava, mas assim que dei à chave pegou de imediato. Levei a gorda a dar uma volta, não muito longe, apenas aqui em redor, fez a “volta do autódromo” por fora, deu para descontrair um bocado. Tudo funciona, tudo operacional, como se quer.
Durante a semana, a questão fundamental era saber como resolver a inspecção, que tem por limite o 7 de Novembro, daqui a umas duas semanas. Uma hipótese é ir aos “amigos” do Vladimir, pagar por fora, e desvanecem-se os problemas, tudo passa instantaneamente a operacional, a fantasia torna-se legalizada, e siga a festa.
Ou então ir mais longe, até à Amoreira de Óbidos, ou à Bidoeira, mas isso mete horas e mais horas, quilómetros que encarecem tudo em demasia, esforço excessivo para algo que pode ser mais fácil aqui perto.
Levei a semana sem saber o que fazer. Interessa-me ter a Gilda legalizada para circular, para tentar um semi-restauro durante este Inverno, caso seja seco, ou na primavera próxima. Mas como passar na inspecção com tudo cada vez pior? Não sei, mas preciso de arranjar uma solução. Levei a semana toda angustiado sem saber como fazer.
Não voltei a andar com ela, ficou parada, com pouca gasolina, mas pega ao primeiro toque de chave.
Na sexta-feira, dá-se um pequeno “milagre”: um carro que acompanhei na oficina do Jaime deu-me de lucro 40 euros. Já tenho os 28 euros para a inspecção da Gilda…
No sábado, dia 22, todos anunciam que vai chover forte, o que vai provocar de novo a infiltração na óptica direita, e regressa um dos usuais problemas de inspecção. Preciso de resolver isto quanto antes.
Domingo de manhã, dia 23. Visto uma T-shirt propositadamente guardada para estes “dias difíceis”: hoje tenho que ir para debaixo da Gilda…
Papel de oficina em rolo, escova de dentes velha oleosa, e bisnaga de Mistolin em spray. Um nojo total…. Quanto mais o motor ficava limpo, mais todo o resto ficava imundo: o chão, as mãos, braços, eu… Uma hora depois, o lado inferior do motor, as carenagens, a caixa de velocidades, tudo estava como novo, limpo, seco, brilhante. Daqui estamos despachados.
Seguiu-se a limpeza geral de carroçaria, com o escadote para aceder ao tejadilho. Por dentro, foi tudo varrido. Ao fim da manhã, estava o assunto arrumado. Pela hora de almoço, começou a chover…
Foi à justa, senão muito difícil seria limpar o lado inferior do motor com o pavimento todo molhado para me deitar no chão.
De tarde, acelerei até Lisboa, fui ver a chegada do Rallye Figueira da Foz – Lisboa, com a estranha particularidade de eu ser o único espectador presente!...
Os cerca de 50 km totais do dia foram suficientes para avaliar o funcionamento de tudo, e secar a limpeza inferior do motor. Ao fim do dia, uma tempestade enorme, e coloquei a Gilda ao topo da rampa de casa, para garantir que amanhã pega de certeza como deve ser.
Finalmente segunda-feira dia 24: vamos à inspecção… o dia amanhece sereno, a chuva forte passou, tudo ainda molhado, mas talvez demasiado seco. Gosto de ir debaixo de chuva à inspecção, para ter o carro a pingar por todos os lados, de modo a assustar e tirar o inspector de lá debaixo rapidamente.
Vou dar à chave, e… nada. Não pega. Dá motor de arranque, mas afoga, sem disparar faísca. Está claro que a humidade no distribuidor não ajuda. Mas hoje é para me despachar, por isso está estacionada a descer, ao topo da rampa. Tiro a pedra de travão à roda de trás, engato segunda, e trepida ao funcionar de repente, expulsando uma nuvem de fumo pelo escape. Travão a fundo e derrapa na descida. Pelo menos, os calços prendem bem…
Reviro a gorda e saio à rua. Ainda falta duas coisas… Estaciono a descer e vou atrás, à luz de matrícula: claro que não funciona…
Retiro o plástico nojento que recobre o encaixe da lâmpada e faço a limpeza anual do acrílico. Tiro o nojo de verdete acumulado, e o plástico volta a ser translúcido, para que a luz de matrícula passe. Fica muito bem, mas apenas uma vez por ano…
Quanto à lâmpada, bastou arriar-lhe para voltar a dar luz. Bem, por hoje chega para a inspecção. Este acrílico da luz de matrícula está preso por dois parafusos: um de cruz phillips, o outro de fenda…
É mesmo à anormal preguiçoso de oficina manhosa: dois parafusos lado a lado, cada qual de sua raça, apenas para irritar que precisa de corrigir algo, para ter que usar duas chaves de fendas diferentes…. Uma estupidez monumental, mas como tenho o alicate multiusos, o desconforto é menor, basta usar duas ferramentas em uma.
Arranco finalmente, agora para uma bomba de gasolina aqui perto: lá dentro compro um pacote de fusíveis, pois os médios continuam por resolver, tendo a tendência a queimar e rebentar o circuito, ficando tudo inoperacional. Só espero que não rebente de novo, logo na linha de inspecção, mas por via das dúvidas, levo já os fusíveis novos no bolso do colete multi-usos. Um euro e vinte cêntimos de fusíveis diversos no bolso, e de novo em andamento.
Agora acelero para meter gasolina numa bomba mais barata. Tem ainda o interesse acrescido de poder fazer 15 km em andamento rápido, para aquecer o funcionamento do motor, eliminar ruídos extra, regularizar tudo para quando chegar à inspecção apresentar um “ar normal”.
Finalmente, são agora quase 10h00m, chego à inspecção. Não havia muito carros, a funcionária avisa-me do costume: “já sabe que se aparecem os das marcações, passam à frente. Vai ter que esperar”. Nada de especial, mas assim é mais simples do que marcar antes, sem saber se consigo cá chegar sem avariar pelo caminho.
Vejo as duas linhas de inspecção, e tudo está lento, na modorra do meio da manhã, com o sol quentinho entre nuvens. A Gilda brilha ao sol, e um frémito percorre os inspectores quando a vêem. “Olha para aquilo. Daquilo já não há… Eram antigas, mas boas… Aquilo era material da guerra… Aguentam tudo…” etc, e etc, no chorrilho de imbecilidades habituais.
Mas o mais importante foi constatar que estão lá os “simpáticos” todos, incluindo o senhor de mais idade, o único que percebe daquilo como deve ser. Deixo-me ficar por ali, um ford fiesta todo batido, nenhum painel intacto… Um Uno a deitar fumo azul que deixou tudo envolvido numa neblina pegajosa, etc.
De repente… Eis que chega… o “coninhas cientifico”!
Até mudei de cor…. O raio do inspector mais odioso que se possa imaginar, o tal que me dizia que os meus carros “já não eram novos”, como se eu não soubesse já quantos anos passaram desde 1963 e desde 1966…
O mesmo que implicava com os cintos de segurança do Honda novo, porque “tem que estar trancados”, e que muda sempre a afinação do banco do condutor, só para incomodar.
Que marca riscos nos parachoques como “saliências agressivas”, que vê sempre “danos nas ópticas” desde que já não sejam novas, e a pérola máxima em todos os volkswagens, por mais que sejam diferentes, velhos ou novos: “pequenas emissões em juntas secundárias” por debaixo dos motores…
Mudei de centro de inspecção por causa dele, mas o gajo veio atrás de mim… Hoje julgava que estava livre dele, mas nada, o animal voltou à superfície. È pior que uma carraça, e difícil de exterminar. Estou tramado. Agora resta esperar pela sorte…
Cada vez que o altifalante gemia uma matrícula nova, eu respirava de alívio por não ser eu… Com cinco inspectores em duas linhas, acho que é preciso um azar muito grande para me sair o coninhas.
Ele anda por ali a pairar, já topou a Gilda, e está nervoso, irritado, estamos os dois de novo em rota de colisão, e já perdi a paciência de o aturar, e ele a mim.
Finalmente, a voz de robot feminino, a soar lenta nos altifalantes: “ matrícula… jê…. Elle… trinta… e seis… dez…linha…. um”
Olho para a linha um e vejo o coninhas, ao mesmo tempo que ele vê que é a Gilda. Viramos os dois costas de imediato, a dizer palavrões para dentro. Raios partam isto! É preciso azar! Muito azar!
Vou buscar a Gilda, ele indica para avançar para a posição de ver luzes. Começa a inspecção com um aperto de mão, enquanto pergunta se está tudo bem. Por enquanto está, respondo enigmaticamente.
Começa logo pelas luzes: pede mínimos, acendo e sei que está tudo normal. Ele pede médios, acendo a medo, com receio do sistema rebentar… a coisa aguenta-se, ele olha para a óptica direita, já de novo embaciada de humidade por dentro, e pede para eu acelerar, para dar brilho às luzes. Acelero suavemente, ele passa para a óptica esquerda, eu só acelero quando ele olha, depois passo tudo de imediato a mínimos, e nada rebentou. Antes assim, um pequeno milagre no momento certo.
Meteu a sonda no escape, mas nem abriu o motor para medir as RPM. Desta vez não pergunta pelo número de chassis, o tal número sumido e de difícil leitura. Saio do carro, ele entra, mas eu fecho a porta, para garantir que fica trancada. Ele avança para medir o movimento da suspensão, e deixa as rodas traseiras mal colocadas, mas não lhe digo nada, e a máquina acusa cerca de 72% nos dois lados, e tudo normal.
Avança de novo e mergulha o eixo dianteiro nos rolos de travagem. Deixa rolar, o sistema ganha balanço e resolve travar de repente… A travagem é instantânea, absoluta e regular, e afocinha a traseira de tal modo que a traseira empina e salta ao ar!
Atiro-me para trás, e fico encostado à parede, assustado com o coice que aquilo amandou ao ar. O inspector deu com os cornos no vidro dianteiro que é bem feita para aprender a não tentar a brincadeira de novo.
Arrancou de imediato para a frente, meteu a traseira nos rolos e de novo uma travagem absoluta e repentina. Tocou na buzina a julgar que nada acontecia e até fez eco no edifício, e os outros colegas a dizerem para se acalmar…
Travão de mão é que não estava nada bem, com erro diferencial de uns 90% para 20%. Já estou tramado…
Seguiu para a frente, saiu do carro, disse-me para entrar e “já sabe os procedimentos”.
Desata a apertar com a máquina de esticões laterais. Primeiro, uma vez, mas demorada. Depois uma segunda vez. Depois mais uma terceira vez. Mau… É claro que se insistir demais, alguma coisa há-de ceder. Isto é para testar apenas, não para insistir até partir...
Mandou avançar, um mínimo esticão atrás, e nem viu mais nada, no motor que eu tinha limpo na véspera, e voltou a aparecer. Disse que tem uma folga no cavilhão da frente direito, que tem que ser revista, que é perigoso andar assim, e que tenho que mandar reparar a ferrugem junto aos vidros da frente, que tem que ser corrigido para o ano que vem.
E meteu a folha verde…. Aprovada. Olhei para a folha, e apenas indica corrosão superficial na base das janelas dianteiras. Desapareceu o cavilhão, para ele parecer “simpático”.
Arranco para fora dali, e fico a pensar: pela primeira vez em oito anos não viram o número de chassis, não olhou para a medida dos pneus, não usou o esguicho, não ligou os limpa-vidros, não pediu o triângulo nem o colete, não mediu as RPM. E estranhamente, a situação do travão de mão a vermelho, com um diferencial assustador, não acusou nada na folha final.
Foi das inspecções mais rápidas que já fiz, deu um coice que empinou a traseira da Gilda no ar, buzinou alto e travou a fundo arriando a traseira. E está feito…
Nem sei se é mau se é bom, mas o facto é que fiz cerca de 5 mil quilómetros desde a inspecção do ano passado, não gastei absolutamente nada de despesa de peças ou oficina, tem sido só andar, está a gastar pouco, na ordem de 8,9 a 9,2 litros/100km, não consome óleo, anda perfeitamente, direcção sensível, certa e bem alinhada, bons pneus, especialmente os traseiros especiais para chuva, e tudo conforme se deseja.
Pouco depois, estava no centro de Cascais, a estacionar (sem pagar) nos parquímetros frente a uma prestigiada imobiliária, rodeado de Mercedes e BMW negros, com matrículas deste ano.
Assim que saio do carro, já estão todos a sair da imobiliária, a espreitarem e a comentarem a Gilda. Um frémito passou por aquelas cabeças formatadas, todos de gravatas vermelhas e telemóveis último modelo, alucinaram no desejo de sentirem emoções, estimulados pela imagem pura da Gilda, grito de liberdade alternativa a uma vida condicionada.
Vou falar com o dono, todos estão entusiasmados com a Gilda, a esposa dele diz-me que é “muito gira, mas deve ter um consumo muito elevado”. Respondo que não, que “é muito prática, e gasta apenas uns 9 litros, menos que um Porsche, e com muito mais utilidade”. Ela ri-se, e estranha eu dizer que é muito prática. Respondo que “dá para tudo, que dá para transportar tudo o que faz falta, levar coisas, trazer toda a tralha necessária”. Percebo nela um olhar vazio, um esgar de quem não entende o que estou a dizer. Pois claro, quem manda nunca trabalha, nunca precisa transportar nada, pois isso é trabalho dos funcionários, não dela.
Enfim, deixei-os após breves instantes, não queria dar oportunidade aos policias dos parquímetros de me adicionarem uma conta ao dia, e arranquei, vendo as cabecinhas esticadas de todos na empresa a olharem a Gilda, e os donos, discretamente,e quando eu já estava de costas, a tirarem fotos com o telemóvel. Pois é, andam de Mercedes novo, mas fotografam a Gilda…
Qual será afinal o melhor carro? Concerteza que um veículo de 1966 que ainda é capaz de suscitar paixões não pode estar errado. Um carro de 45 anos que ainda cumpre e bem a sua função, é sempre melhor que viver alienado na compra de uma inutilidade moderna, e como tal, a conclusão do dia é a mesma de sempre: ponha um VW na sua vida, e um sorriso nos seus dias….
Vivam bem, porque a vida é só uma, não percam tempo atrofiados dentro de carros novos, respeitem o planeta, mantenham vivo o património motor, reutilizem os clássicos, adicionem quilómetros de classe à vida.
Esqueçam o sorvedouro de despesa dos modernos, desvalorização e complexa dispendiosa manutenção, apostem em qualidade, custos controlados, carros clássicos para vida com classe, para quilómetros de prazer.
Vosso amigo, em volkswagen, uma parceria de sucesso.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"

