"Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
A IPO é amanhã...
Mas mesmo quando tudo parece pronto… Há sempre qualquer coisa que acontece…
Ao chegar a casa, inverto a marcha e algo parece estranho… Olho para trás e não vejo o reflexo avermelhado da luz de travões. Agora que tudo está bem, falta-me a luz de travões!
Já vou ter que me mexer outra vez…
Feriado, a meio do dia. O chão está seco, o dia enevoado, acho que tenho sorte. Deito-me de costas no chão, e deslizo para debaixo da frente de Gilda. Ao meu lado, uma chave de fendas, um alicate, um papel, uma lixa e uma gambiarra. Mexi nos dois fios ligados à válvula de stop e o de massa está muito frouxo e tudo sujo. Puxo para fora, limpo o encaixe com o papel, raspo com a lixa, aperto o terminal com o alicate e volto a prendê-lo, com mais pressão. Saio de lá, e subo para a Gilda. Carrego no pedal e vejo o regresso do reflexo vermelho. Já estou safo!
Ao arrumar a tralha, olho de novo para o “aquário”, o farol que metia água e fico branco ao ver que está de novo molhado… Cum caraças! Já está na mesma?
Vou buscar a chocadeira de volta, que felizmente ainda não tinha ido para o lixo. Mas paro um pouco para pensar: aqueci o vidro e a humidade passou para o espelhado, e depois regressou ao vidro. Não adianta aquecer só uma parte, pois ando meramente a transferir o molhado de sítio. Isto precisa de mais ciência.
Aliviei o farol do coco, para ficar uma fenda de 1cm, e aqueci o vidro por fora, 1 quarto de hora. Depois aqueci o interior da Gilda, por meia-hora, com o ventilador dirigido ao interior do coco, para ficar quentinho. Depois do lado de fora, de novo um bocado ao vidro exterior do farol, e depois afastei o farol, mas ainda ligado com os fios no lugar e apliquei um secador de cabelo em todo o exterior do espelhado, até aquilo ficar tudo quente. Deixei estabilizar a temperatura ao normal, antes de fechar o farol no coco, e com a frente da Gilda toda coberta por um enorme plástico, tipo hospital de campanha. A vizinha apareceu, surprendida ao ver aquela montagem toda:
- É lá, vizinho: para que é essa tenda de plástico?
- É contra a Gripe A, isto tem aqui vírus…
- Então mas vai pintar a carrinha?
- Aqui debaixo do plástico, no meio da rua? Acho que não…
- Tem aí um secador de cabelo?
- Claro, para fazer penteados à moda. Isto tem que ficar bem. Com este bafo quente mato as formigas todas: não entra aqui bicho!
Ela desistiu de tentar perceber, e foi-se embora. Eu também já não percebia nada do que estava a fazer, mas de qualquer forma, a verdade é que não vejo agora humidade em lado algum.
Será que já chega? Pelo sim, pelo não, meti uma toalha enrolada apoiada a tapar o farol aquário, e por cima um enorme plástico a tapar a frente toda da Gilda: uma tenda para tentar que não surja humidade alguma, até amanhã, dia do regresso à inspecção.
Isto nunca está pronto… Carros velhos e está tudo dito… Ainda me meti debaixo da parte de trás, mais uma limpeza a pormenores do “pingo” de óleo da cambota. Não tem solução: a ponta da cambota não está perfeita, o retentor não acama como devia ser, a fuga é inevitável, resta mantê-la discreta, daí a limpeza antes de ir à IPO. Tomara que esteja de chuva, tudo molhado e a pingar água para afugentar o inspector da vistoria inferior.
Mas mesmo quando tudo parece pronto… Há sempre qualquer coisa que acontece…
Ao chegar a casa, inverto a marcha e algo parece estranho… Olho para trás e não vejo o reflexo avermelhado da luz de travões. Agora que tudo está bem, falta-me a luz de travões!
Já vou ter que me mexer outra vez…
Feriado, a meio do dia. O chão está seco, o dia enevoado, acho que tenho sorte. Deito-me de costas no chão, e deslizo para debaixo da frente de Gilda. Ao meu lado, uma chave de fendas, um alicate, um papel, uma lixa e uma gambiarra. Mexi nos dois fios ligados à válvula de stop e o de massa está muito frouxo e tudo sujo. Puxo para fora, limpo o encaixe com o papel, raspo com a lixa, aperto o terminal com o alicate e volto a prendê-lo, com mais pressão. Saio de lá, e subo para a Gilda. Carrego no pedal e vejo o regresso do reflexo vermelho. Já estou safo!
Ao arrumar a tralha, olho de novo para o “aquário”, o farol que metia água e fico branco ao ver que está de novo molhado… Cum caraças! Já está na mesma?
Vou buscar a chocadeira de volta, que felizmente ainda não tinha ido para o lixo. Mas paro um pouco para pensar: aqueci o vidro e a humidade passou para o espelhado, e depois regressou ao vidro. Não adianta aquecer só uma parte, pois ando meramente a transferir o molhado de sítio. Isto precisa de mais ciência.
Aliviei o farol do coco, para ficar uma fenda de 1cm, e aqueci o vidro por fora, 1 quarto de hora. Depois aqueci o interior da Gilda, por meia-hora, com o ventilador dirigido ao interior do coco, para ficar quentinho. Depois do lado de fora, de novo um bocado ao vidro exterior do farol, e depois afastei o farol, mas ainda ligado com os fios no lugar e apliquei um secador de cabelo em todo o exterior do espelhado, até aquilo ficar tudo quente. Deixei estabilizar a temperatura ao normal, antes de fechar o farol no coco, e com a frente da Gilda toda coberta por um enorme plástico, tipo hospital de campanha. A vizinha apareceu, surprendida ao ver aquela montagem toda:
- É lá, vizinho: para que é essa tenda de plástico?
- É contra a Gripe A, isto tem aqui vírus…
- Então mas vai pintar a carrinha?
- Aqui debaixo do plástico, no meio da rua? Acho que não…
- Tem aí um secador de cabelo?
- Claro, para fazer penteados à moda. Isto tem que ficar bem. Com este bafo quente mato as formigas todas: não entra aqui bicho!
Ela desistiu de tentar perceber, e foi-se embora. Eu também já não percebia nada do que estava a fazer, mas de qualquer forma, a verdade é que não vejo agora humidade em lado algum.
Será que já chega? Pelo sim, pelo não, meti uma toalha enrolada apoiada a tapar o farol aquário, e por cima um enorme plástico a tapar a frente toda da Gilda: uma tenda para tentar que não surja humidade alguma, até amanhã, dia do regresso à inspecção.
Isto nunca está pronto… Carros velhos e está tudo dito… Ainda me meti debaixo da parte de trás, mais uma limpeza a pormenores do “pingo” de óleo da cambota. Não tem solução: a ponta da cambota não está perfeita, o retentor não acama como devia ser, a fuga é inevitável, resta mantê-la discreta, daí a limpeza antes de ir à IPO. Tomara que esteja de chuva, tudo molhado e a pingar água para afugentar o inspector da vistoria inferior.
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Isto hoje tem sido um fartote, cada vez que actualizo o browser eis que surge um novo relato do Miguel Brito na saga da ida da Gilda à IPO.
Para quem faz uso disso regularmente, como é o caso, a IPO anual só trás vantagens porque evita alguma preguiça que possamos ter nas revisões.
Ditado VW: Devagar que tenho pressa
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Eu já estou é alucinado com esta inspecção. Ando de volta disto à quase 15 dias...
Meteu reboque, meteu duas oficinas, uma a 1oo e tal km's. Meteu dois mecãnicos meus amigos, meteu aquecedores, etc. Um dinheirão e muita dor de cabeça. Será que está quase? Que mais irá acontecer amanhã?...
Meteu reboque, meteu duas oficinas, uma a 1oo e tal km's. Meteu dois mecãnicos meus amigos, meteu aquecedores, etc. Um dinheirão e muita dor de cabeça. Será que está quase? Que mais irá acontecer amanhã?...
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- antoniocarlos
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Grande Gilda... alvo de todas as atenções do dono. Mais um pouco e arranjas, também, uma bolha para ela!
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...
-
HUGO bOSS
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Já agora Miguel, tens as borrachas do farol em condições? O o-ring que envolve o vidro? E o outro que fica à volta do côco na carroçaria? Pode ser por isso que entre humidade...
Boa sorte para hoje.
Boa sorte para hoje.
Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
Hugo Pereira
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- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Correu mal, correu muito mal.
O farol agora tem a lampada danificada... Perdeu parte da zona preta da ponta, e desfoca... Vi ser preciso repetir tudo.
As rodas traseiras travam bem de travão de mão, mas uma trava mal de pé. Ou está a travar de menos, ou a outra trava demais... Um sarilho.
E o gajo implicou que ainda tem "pequenas fugas em juntas secundárias". Pois claro que tem: com mais de 40 anos queria que aquilo deite o quê? Vinho? É claro que tem óleo, mas tão pouco, já tudo foi limpo, que agora é impossível limpar melhor. Estou tramado com isto. Está-me a parecer que tenho que em breve tenho que mudar de local.
Inspectores nascidos nos anos oitenta, com medo do óleo, que só sabem clicar em computadores, ficam assustados com tudo o que tem mais de 10 anos de estrada. Não tenho que ser eu a desmamá-los...

O farol agora tem a lampada danificada... Perdeu parte da zona preta da ponta, e desfoca... Vi ser preciso repetir tudo.
As rodas traseiras travam bem de travão de mão, mas uma trava mal de pé. Ou está a travar de menos, ou a outra trava demais... Um sarilho.
E o gajo implicou que ainda tem "pequenas fugas em juntas secundárias". Pois claro que tem: com mais de 40 anos queria que aquilo deite o quê? Vinho? É claro que tem óleo, mas tão pouco, já tudo foi limpo, que agora é impossível limpar melhor. Estou tramado com isto. Está-me a parecer que tenho que em breve tenho que mudar de local.
Inspectores nascidos nos anos oitenta, com medo do óleo, que só sabem clicar em computadores, ficam assustados com tudo o que tem mais de 10 anos de estrada. Não tenho que ser eu a desmamá-los...
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
tou-me a rir mas não tem graça nenhuma. mas agora não trava porquê? os calços são os mesmos?
Miguel, mete duas lâmpadas novas (se possivel H4, os vidros dos faróis são iguais?) e foca isso com um regloescópio, a técnica que usaram é apenas um correcto desenrasque.
- Jorge Silva
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Hoje vi a "Gilda" na Abóboda, em grande estilo (sim MB, fui eu que apitei) e com o aquário sem peixes
Olha lá, diz mas é aqui ao pessoal onde foste à inspecção, para nem sequer passar-mos lá perto...
Olha lá, diz mas é aqui ao pessoal onde foste à inspecção, para nem sequer passar-mos lá perto...
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Mais um dia passado na oficina...
De facto, a roda traseira não podia travar bem: uma fuga de liquido de travões. Aconteceu um azar, coisa rara mas que pode suceder: um dos dois bombitos novos que entraram, está estragado. Não faço ideia como é possível, mas o facto é que deita por fora. Para além disso, o encaixe do tubo ao bombito estava aliviado e por isso também escapava por aí.
Felizmente, uma rápida ida ao Júlio Monteiro permitiu colocar outro bombito novo, muito barato (e esperemos que dure...), e uma limpeza geral e nova colocação do tubo de travões garantiu estanquicidade ao conjunto. O tubo foi confirmado no seu desentupimento, tendo sido retirado e soprado a ar comprimido.
Uma nova afinação completa às rodas de trás, e presume-se pronto para, mais uma vez, ir à reinspecção (e mais 6 eurinhos a voar...).
Mas falta a questão do farol: uma lampada nova, e inteira, entrou no sítio. Voltei a experimentar afinar "contra a parede dos 1012 mm", e realmente o foco parece apontar estranhamente para a lateral.
É melhor não inventar, e agora vou (nesta sexta) a um "super electricista", para tentar salvar a situação. Setudo correr bem nesta sexta, talvez consiga ir amanhã ou segunda tentar de novo a sorte.
E claro que ainda tenho que me deitar lá debaixo do motor a limpar tudo com escova dos dentes, mistolin e cimento, esfregar com esponja Bravo e papel. Querem o bébé de rabinho limpo...
De facto, a roda traseira não podia travar bem: uma fuga de liquido de travões. Aconteceu um azar, coisa rara mas que pode suceder: um dos dois bombitos novos que entraram, está estragado. Não faço ideia como é possível, mas o facto é que deita por fora. Para além disso, o encaixe do tubo ao bombito estava aliviado e por isso também escapava por aí.
Felizmente, uma rápida ida ao Júlio Monteiro permitiu colocar outro bombito novo, muito barato (e esperemos que dure...), e uma limpeza geral e nova colocação do tubo de travões garantiu estanquicidade ao conjunto. O tubo foi confirmado no seu desentupimento, tendo sido retirado e soprado a ar comprimido.
Uma nova afinação completa às rodas de trás, e presume-se pronto para, mais uma vez, ir à reinspecção (e mais 6 eurinhos a voar...).
Mas falta a questão do farol: uma lampada nova, e inteira, entrou no sítio. Voltei a experimentar afinar "contra a parede dos 1012 mm", e realmente o foco parece apontar estranhamente para a lateral.
É melhor não inventar, e agora vou (nesta sexta) a um "super electricista", para tentar salvar a situação. Setudo correr bem nesta sexta, talvez consiga ir amanhã ou segunda tentar de novo a sorte.
E claro que ainda tenho que me deitar lá debaixo do motor a limpar tudo com escova dos dentes, mistolin e cimento, esfregar com esponja Bravo e papel. Querem o bébé de rabinho limpo...
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Volks
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Engraçado como nos carros recentes, umas simples protecção de cárter, evita que muitos chumbem...cobre o fundo do carro, na zona do motor, não há fugas á vista, a não ser que o óleo transborde do resguardo...
Longe da vista, longe da folha de anotação...
Enfim.
Boa sorte Miguel Brito
Longe da vista, longe da folha de anotação...
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Boa sorte Miguel Brito
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Sexta-feira: entrar na Auto Luso-Alemã pouco depois das duas da tarde.
- Olha o chasso!... – Diz o Zé Santos ao ver a Gilda. – Isso agora é só meter verniz por cima da ferrugem, que é o que está na moda, lá pela Europa… Eles andam todos podres, mas com uma mecânica toda kitada, suspensões a ar e aparelhagem topo de gama lá por dentro.
- Pois se querem ferrugem, tenho muita para dar. Levem-na toda…
- Então que queres?
- Está zarolha… O farol está complicado na inspecção…
- Acende lá as luzes.
- Cá vai.
- Olá?! É esta do lado direito? Isto está fora do sítio. Está tudo torto…
- Se estivesse bom não valia a pena vir cá…
- Mete aqui dentro, vamos já tratar disso.
Mas ainda estivemos a meter uma lâmpada num Punto, a trocar outra num Corsa de 2002, e só depois chegou a minha vez. Ainda deu para dar uma vista de olhos num Oval que lá chegou ontem para refazer toda a instalação eléctrica. Um “azul belenenses” em estado médio. Assim que chegou a vez da Gilda, sacou o farol direito e disse logo:
- Isto está marafado! Já há aqui marosca, porque a óptica está metida de lado…
- De lado?
- Pois está claro: isto está metido de lado, como queres que dê luz a direito?
Ou seja, o espelhado está mal posicionado dentro da carcaça do farol, usando encaixes errados e ficando de lado. Assim, como estava, os médios iluminam as árvores da berma, e os máximos a estrada toda. Reposicionando a óptica, os médios passam a iluminam o chão da estrada, e os máximos acima disso. Mas na vertical, e não para o lado.
Tudo reencaixado, metido ao lugar, e tudo é fácil de acertar, com os dois parafusos de regulação. Como manda a norma, e claro, com o uso de uma máquina sofisticada, uma caixa de luz frente ao farol. Quando lhe disse que afinei “à parede”, mas com os mil e doze milímetros lá marcados, até se riu.
- Ficou bonito, o serviço… Nem perceberam que tinham a óptica de lado. Isso depois de uns copinhos bem aviados, até fica sempre certo. Assim é que é!
E passou ao outro farol, o tal que na inspecção diziam que estava certo. Tirou a lâmpada fora, olhou para ela, e perguntou:
- O que é isto?
- É uma lâmpada, e de 12V… - Estranhei a pergunta, pois isso até eu percebo que é uma lâmpada, e parece correcta para ali.
- Pois é, é uma lâmpada, mas é do chinês… Nem marca tem, é estreita e pequena. Vê lá o que é uma lâmpada a sério. – e mostrou-me uma Osram, muito mais bonita, sem ser torta. Assim que a montou, o farol passou a dar o dobro da luz! Parecia que tinha metido espelhado novo. Deixou de ser amarelo e passou a dar luz branca, igual à outra. Colocado esse farol no lugar, estranhamente um dos parafusos não dava afinação.
Voltámos a tirar para fora e descobriu-se a asneira de algum anterior electricista: um parafuso afinado ao máximo, encostado, e claro que não mexia. O outro na medida máxima, e nada se conseguia controlar. Foi preciso reencaixar e reposicionar as borrachinhas de fixação, que estavam colocadas em buraco errado, e o parafuso apertado ficou a meio da rosca, e o outro que estava no limite, ficou também a meia rosca. Assim, depois de posicionado no lugar, de novo os dois parafusos permitiam afinar perfeitamente a direcção pretendida.
Afinados os dois faróis, agora sim, agora está tudo certo. Cumprimentei a malta toda da oficina, fui pagar, com “desconto do Natal”, porque sou amigo da casa, para além de cliente, e saí de lá contente. Já não falta tudo…
Voltei ao Jaime da Junqueira, confirmámos o interior das rodas traseiras, nada de babado, nada deficiente, parece que nada pinga, está tudo normal, pronto para inspecção.
Expliquei o serviço feito na Luso-Alemã, contei a história, o porquê daquilo estar mal, e claro, ainda nos rimos os dois da tourada de afinar à parede um farol que tinha a óptica de lado…
Mas que grande circo de Natal…
- Olha o chasso!... – Diz o Zé Santos ao ver a Gilda. – Isso agora é só meter verniz por cima da ferrugem, que é o que está na moda, lá pela Europa… Eles andam todos podres, mas com uma mecânica toda kitada, suspensões a ar e aparelhagem topo de gama lá por dentro.
- Pois se querem ferrugem, tenho muita para dar. Levem-na toda…
- Então que queres?
- Está zarolha… O farol está complicado na inspecção…
- Acende lá as luzes.
- Cá vai.
- Olá?! É esta do lado direito? Isto está fora do sítio. Está tudo torto…
- Se estivesse bom não valia a pena vir cá…
- Mete aqui dentro, vamos já tratar disso.
Mas ainda estivemos a meter uma lâmpada num Punto, a trocar outra num Corsa de 2002, e só depois chegou a minha vez. Ainda deu para dar uma vista de olhos num Oval que lá chegou ontem para refazer toda a instalação eléctrica. Um “azul belenenses” em estado médio. Assim que chegou a vez da Gilda, sacou o farol direito e disse logo:
- Isto está marafado! Já há aqui marosca, porque a óptica está metida de lado…
- De lado?
- Pois está claro: isto está metido de lado, como queres que dê luz a direito?
Ou seja, o espelhado está mal posicionado dentro da carcaça do farol, usando encaixes errados e ficando de lado. Assim, como estava, os médios iluminam as árvores da berma, e os máximos a estrada toda. Reposicionando a óptica, os médios passam a iluminam o chão da estrada, e os máximos acima disso. Mas na vertical, e não para o lado.
Tudo reencaixado, metido ao lugar, e tudo é fácil de acertar, com os dois parafusos de regulação. Como manda a norma, e claro, com o uso de uma máquina sofisticada, uma caixa de luz frente ao farol. Quando lhe disse que afinei “à parede”, mas com os mil e doze milímetros lá marcados, até se riu.
- Ficou bonito, o serviço… Nem perceberam que tinham a óptica de lado. Isso depois de uns copinhos bem aviados, até fica sempre certo. Assim é que é!
E passou ao outro farol, o tal que na inspecção diziam que estava certo. Tirou a lâmpada fora, olhou para ela, e perguntou:
- O que é isto?
- É uma lâmpada, e de 12V… - Estranhei a pergunta, pois isso até eu percebo que é uma lâmpada, e parece correcta para ali.
- Pois é, é uma lâmpada, mas é do chinês… Nem marca tem, é estreita e pequena. Vê lá o que é uma lâmpada a sério. – e mostrou-me uma Osram, muito mais bonita, sem ser torta. Assim que a montou, o farol passou a dar o dobro da luz! Parecia que tinha metido espelhado novo. Deixou de ser amarelo e passou a dar luz branca, igual à outra. Colocado esse farol no lugar, estranhamente um dos parafusos não dava afinação.
Voltámos a tirar para fora e descobriu-se a asneira de algum anterior electricista: um parafuso afinado ao máximo, encostado, e claro que não mexia. O outro na medida máxima, e nada se conseguia controlar. Foi preciso reencaixar e reposicionar as borrachinhas de fixação, que estavam colocadas em buraco errado, e o parafuso apertado ficou a meio da rosca, e o outro que estava no limite, ficou também a meia rosca. Assim, depois de posicionado no lugar, de novo os dois parafusos permitiam afinar perfeitamente a direcção pretendida.
Afinados os dois faróis, agora sim, agora está tudo certo. Cumprimentei a malta toda da oficina, fui pagar, com “desconto do Natal”, porque sou amigo da casa, para além de cliente, e saí de lá contente. Já não falta tudo…
Voltei ao Jaime da Junqueira, confirmámos o interior das rodas traseiras, nada de babado, nada deficiente, parece que nada pinga, está tudo normal, pronto para inspecção.
Expliquei o serviço feito na Luso-Alemã, contei a história, o porquê daquilo estar mal, e claro, ainda nos rimos os dois da tourada de afinar à parede um farol que tinha a óptica de lado…
Mas que grande circo de Natal…
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
E continua a saga!
No meu tenho uma pior para contar que ainda não tive pachorra
também relacionada com as luzes
(não recolheste mais nenhum movél?)
No meu tenho uma pior para contar que ainda não tive pachorra
(não recolheste mais nenhum movél?)
Fiquem bem .::. Tiago Baginha .::. White Rhino - '71 vw 1200 .::.
>> Como inserir imagens << >> Regras de utilização <<
>> Como inserir imagens << >> Regras de utilização <<
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Não, mas fui "às compras" de plantas...
- Ó Sr. Jaime: não tem aí uma barra grande de ferro, com algum bico na ponta?
- Então para quê?
- É que estou com vontade de “ir às compras”, e preciso de um argumento de vendas…
- Mau… Vai assaltar quem?
- Vou buscar umas canas raras…
- E para que é a barra?
- Para sacar as raízes…
Depois de investigar no arsenal da oficina, lá descobri o ideal: uma barra de molas de camião, de ponta afiada e achatada.
- É mesmo isto! Empreste lá que eu já volto…
E arranquei direito a um bairro de casas antigas, onde metade é ocupada por velhos ressequidos e a outra está abandonada e a cair. Parando junto a uma estreita rua, cedo descobri a casa abandonada com o quintal cheio de canas raras. Tive que entrar pelo outro lado, para evitar dar nas vistas, embora não seja normal um fulano a passear com uma barra de aço afiada nas mãos…
É mesmo isto: na enorme fileira de canas, escolhi umas mais pequenas, na ponta e atirei-me àquilo com a barra nas mãos… As sacanas estavam bem agarradas ao chão, mas a ferramenta era a ideal.
Arriei umas ferradas bem aviadas com a lâmina, para cortar pela base, depois de afastar e arrancar as ervas daninhas em redor. Depois lancei a lâmina à terra por debaixo, enfiando a lâmina e fazendo pressão para levantar um bocado grande de raízes. A terra estava macia, e depois de arriar com a barra de aço, a coisa começou a compor-se.
Lembrei-me de olhar em volta: podia surgir alguém de repente, e achar que eu estava a matar alguém, ou a cortar algum cadáver em bocados, escondido nas canas. Podia alguém bvirar-se a mim, mas até me ri, pois tinham que vir bem equipados: que tinha a barra de aço nas mãos era eu…
Firme e hirto, com uma barra de ferro nas mãos, aviei um naco de raízes, mais as ditas canas raras, e saquei finalmente o conjunto, pronto a transplantar. Peguei naquilo e segui para a Gilda. Apercebi-me que aquilo até é um pouco grande demais. Não é normal alguém a passear na rua com um ramo maior que uma pessoa, canas ao alto e uma barra de aço na outra mão. Eles que venham, que isto já entrou na Gilda. Deitadas no interior, parece uma compra “da boutique”. Já consegui justificar a necessidade de ter a Gilda: só aqui dentro é que cabem estas “compras” estranhas…
Voltei à junqueira, e devolvi a barra de aço. Lavei as mãos, e mesmo antes de sair, já estava escuro, resolvi mostrar de novo as luzes afinadas da Gilda.
E então…
Só acendeu uma das luzes de mínimos… A outra morreu…
Até fiquei branco… Só me falta mais esta…
Não sei porque inspiração, resolvi ir espreitar a traseira: também falta uma das duas luzes traseiras… Fiquei logo mais aliviado: com um bocado de sorte, é fusível, e não lâmpada ou contacto de massa.
Nervosismo na oficina, o Jaquim aparece logo com a gambiarra, eu mergulho para debaixo do painel e vejo um dos fusíveis cortado.
Retiro com um alicate de pontas, descubro um igual sobresselente no estojo de “primeiros socorros” da Gilda, e troco o dito.
Momento da verdade: acendo as luzes, e tudo regressa à normalidade… Graças aos milagres da Junqueira, tudo funciona de novo.
E siga a festa.
Por um milagre, quem encontro ao sair da oficina? O inspector da IPO…
Mas não era o coninhas, era o homem sério. Faz uma festa, ri-se dos disparates acontecidos, e fica logo marcado ali o meu regresso à IPO na segunda-feira. A coisa está bem encaminhada…
Hoje nem arrisco mais: vai de 23 km para casa e não mexe mais!
Não respira, não mexe, não acontece nada até segunda-feira.
Resta aguardar, e ir rezando…

- Ó Sr. Jaime: não tem aí uma barra grande de ferro, com algum bico na ponta?
- Então para quê?
- É que estou com vontade de “ir às compras”, e preciso de um argumento de vendas…
- Mau… Vai assaltar quem?
- Vou buscar umas canas raras…
- E para que é a barra?
- Para sacar as raízes…
Depois de investigar no arsenal da oficina, lá descobri o ideal: uma barra de molas de camião, de ponta afiada e achatada.
- É mesmo isto! Empreste lá que eu já volto…
E arranquei direito a um bairro de casas antigas, onde metade é ocupada por velhos ressequidos e a outra está abandonada e a cair. Parando junto a uma estreita rua, cedo descobri a casa abandonada com o quintal cheio de canas raras. Tive que entrar pelo outro lado, para evitar dar nas vistas, embora não seja normal um fulano a passear com uma barra de aço afiada nas mãos…
É mesmo isto: na enorme fileira de canas, escolhi umas mais pequenas, na ponta e atirei-me àquilo com a barra nas mãos… As sacanas estavam bem agarradas ao chão, mas a ferramenta era a ideal.
Arriei umas ferradas bem aviadas com a lâmina, para cortar pela base, depois de afastar e arrancar as ervas daninhas em redor. Depois lancei a lâmina à terra por debaixo, enfiando a lâmina e fazendo pressão para levantar um bocado grande de raízes. A terra estava macia, e depois de arriar com a barra de aço, a coisa começou a compor-se.
Lembrei-me de olhar em volta: podia surgir alguém de repente, e achar que eu estava a matar alguém, ou a cortar algum cadáver em bocados, escondido nas canas. Podia alguém bvirar-se a mim, mas até me ri, pois tinham que vir bem equipados: que tinha a barra de aço nas mãos era eu…
Firme e hirto, com uma barra de ferro nas mãos, aviei um naco de raízes, mais as ditas canas raras, e saquei finalmente o conjunto, pronto a transplantar. Peguei naquilo e segui para a Gilda. Apercebi-me que aquilo até é um pouco grande demais. Não é normal alguém a passear na rua com um ramo maior que uma pessoa, canas ao alto e uma barra de aço na outra mão. Eles que venham, que isto já entrou na Gilda. Deitadas no interior, parece uma compra “da boutique”. Já consegui justificar a necessidade de ter a Gilda: só aqui dentro é que cabem estas “compras” estranhas…
Voltei à junqueira, e devolvi a barra de aço. Lavei as mãos, e mesmo antes de sair, já estava escuro, resolvi mostrar de novo as luzes afinadas da Gilda.
E então…
Só acendeu uma das luzes de mínimos… A outra morreu…
Até fiquei branco… Só me falta mais esta…
Não sei porque inspiração, resolvi ir espreitar a traseira: também falta uma das duas luzes traseiras… Fiquei logo mais aliviado: com um bocado de sorte, é fusível, e não lâmpada ou contacto de massa.
Nervosismo na oficina, o Jaquim aparece logo com a gambiarra, eu mergulho para debaixo do painel e vejo um dos fusíveis cortado.
Retiro com um alicate de pontas, descubro um igual sobresselente no estojo de “primeiros socorros” da Gilda, e troco o dito.
Momento da verdade: acendo as luzes, e tudo regressa à normalidade… Graças aos milagres da Junqueira, tudo funciona de novo.
E siga a festa.
Por um milagre, quem encontro ao sair da oficina? O inspector da IPO…
Mas não era o coninhas, era o homem sério. Faz uma festa, ri-se dos disparates acontecidos, e fica logo marcado ali o meu regresso à IPO na segunda-feira. A coisa está bem encaminhada…
Hoje nem arrisco mais: vai de 23 km para casa e não mexe mais!
Não respira, não mexe, não acontece nada até segunda-feira.
Resta aguardar, e ir rezando…
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
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HUGO bOSS
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Só tu Miguel, para agarrar nessa cana!
Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
Hugo Pereira
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