Na terça-feira, 13 de março (dia 13...), quase a chegar a Coimbra, em Condeixa, a embraiagem deixa de funcionar, fica engatado em 2ª, e o pé esquerdo deixa de obter resultados a desengatar...
Já me tramei...
Páro na berma, avalio a situação, o motor está normal, o travão também, tudo funciona menos a embraiagem. Seguindo os conselhos expressos algures pelo JCSE, isto tem que funcionar na mesma sem pedal esquerdo.
Engato 2ª, antes de ligar o carro, trepida, salta tudo ao arrancar, mas estou de novo em andamento. Fiz assim os km's restantes até Lordemão, uma indescritível dificuldade e nervos através do trânsito matinal.
Mais tarde, levei o carro a uma oficina em Coselhas, onde os homens ficaram espantados de me ver surgir com o carro sem embraiagem. E mais ainda quando lhes disse que ia seguir a caminho de Lisboa naquele estado...
O que vale é que telefonei ao Álvaro da Fuscomania e me disse que tinha lá cabos de embraiagem para o 1200 de 63, coisa que parecia impossível de obter em Coimbra. Disse-me para passar por lá, que depressa se resolveria o problema.
Naquele momento, a suspeita era meramente de um cabo de embraiagem partido.
62 km's depois, sem embraiagem, cheguei à oficina da Fuscomania, na Bidoeira de Cima.

Vi logo que estava no sítio certo, com este carro relvado, "pronto a restaurar"...
E se for preciso, também se troca de chassis...

Aqui não falta nada...
Como diz o Álvaro "Carocha que aqui entre, podes ter a certeza que sai a andar..."
Tinha saído de Coimbra às 17.00H, estava na Bidoeira às 17.00H, e às 18.00H, metido o carocha para o local certo iniciou-se o trabalho, pela desmontagem do banco do condutor e retirada da roda traseira esquerda, para melhor acessos.

O local é um mundo, e um mundo certo, tudo VW. Não falta ali nada, e sobretudo três boas razões, conhecimento dos modelos, material e boa vontade. Nem sempre se encontram estas três qualidades no mesmo sítio.

Mas afinal o problema era mais complexo...
O cabo estava velho, desfiado e torcido, mas inteiro... O defeito não era o cabo, pois poderia ainda comandar a caixa, mas algo algures dentro da embraiagem propriamente dita.

Queres arranjar? Perguntou o Álvaro. Claro, que outro remédio tenho? E isso será para quando? Ele sorriu, e disse que saia dali a andar, embora tivesse que esperar um bocado.
Pelos vistos, iam fazer serão. O mecânico que o acompanha, protificou-se a continuar o trabalho, com simpatia e esforço, descobrindo eu depois que na verdade ele é... jardineiro. Bonito, tenho um jardineiro a fazer-me mecânica no carocha...
Mas não duvidem, antes um jardineiro como este Filipe, que muitos outros "artistas" que se dizem mecânicos.

A noite caía, e o trabalho exigia esforço demorado. Retirou o motor para fora, os 4 pernos, e tudo o mais necessário à desmontagem, e descobriu-se de imediato parte da haste de comando da forquilha da embraiagem caída no fundo da cloche...

Foi necessário aumentar as luzes em redor da traseira do meu carro, e o Álvaro e o Filipe, esforçaram-se no trabalho.
Neste momento era eu que estava atrapalhado pelo problema que lhes levei, obrigando-os a prescindirem do tempo de jantar, transtornando o dia deles pelo meu problema. Há coisas que o dinheiro não consegue pagar, e esta boa vontade é uma delas. Fico obviamente em dívida pelo empenhamento deles.

Soldou-se a forquilha partida, depois de comparar com outras caixas de velocidades que por ali havia, medindo tudo cuidadosamente com a régua milimétrica, e descravando a outra para a soldar reforçada por igual. Depois rebarbou-se os excessos, conforme se vê pelas chispas nas fotos.

Soldou-se, acertou-se, completou-se tudo. Lavaram-se os pedais à pressão cá fora, lubrificou-se, remontou-se tudo, meteu-se um cabo novo de embraiagem.

O motor voltou a entrar para o sítio, entraram as chapas envolventes, ligaram-se os fios, testou-se a folga da embraiagem, e tudo pronto, eram 21.30H da noite, e não tinha palavras para agradecer o esforço deles.
Sai de novo para a Nacional 1 a caminho de Albarraque, com tudo resolvido e pronto.
Conduzir sem embraiagem, retirar o motor, soldar haste de embraiagem, montar tudo de novo, em 3,5 horas, isto não se faz com outros carros, senão com um volkswagen!
O VW, o carro que anda, mesmo quando não anda!...
Obrigado Álvaro, obrigado Filipe!
E viva a Fuscomania.