Torradeira Crussel
Posted: 26 Jan 2007 20:02
Vou estrear os off-topic...
Uma torradeira clássica, para quem gosta de vw's clássicos......
A torradeira Crussel

Finalmente tenho uma torradeira a sério! Das antigas, mas nova! A estrear com zero km's e zero ferrugem.
A anterior até metia nojo!... Moderna, plástica, branca, com botões reguláveis de lado, cheia de truqes manhosos de programação digital e a custar um exagero. O pão até tinha vergonha de lá entrar...
Parecia aquilo que era: um electrodoméstico moderno!...
Aquela treta nunca funcionava bem: ou saia o pão cru, ou queimava. A malta tentava espreitar na ranhura, mas não se conseguia perceber o que se estava a passar lá dentro. A sacana da torradeira estava a tentar destruir outra torrada.
Umas vezes encravava lá dentro e não queria sair, e tinha que lutar para a sacar com um garfo, para depois a comer toda partida aos bocados. Santo deus, que castigo...
Outras vezes, não se ligava, e ficava horas a olhar para um a torradeira desligada, até que a minha mulher me dizia: Já a ligaste na ficha? e eu, oopsss!...
É que não se consegue ver se está incandescente ou não. Aquilo é uma armadilha fechada, só com ranhuras em cima, onde não cabe pão alentejano à séria, só fatias maricas de pão integral para miúdas magras de mais, e comedoras de iogurtes sem calorias e sem sabor.
Tanto bati naquela coisa, esmurrei a dita, que consegui finalmente avariá-la. Fixe! Vais para o lixo, e não tens direito a restauro...
Fui à loja e que descubro? Raios partam isto: filas e filas de clones plásticos iguais à sacana que eu tinha lá em casa...
Umas caras, outras caríssimas, outras, enfim... dava para comprar pão para um ano inteiro!
Perguntei à funcionária, mesmo no meio daquilo tudo, se não tinham torradeiras à venda. Ela perplexa, olhouem volta, e disse:
- Temos estas todas... Que está aqui a ver...
- Pois, minha senhora, mas eu quero uma torradeira daquelas a sério, sabe quais são? Daquelas que não sejam caixas do correio!
- Ah! Dessas já não temos. Mas tem aqui muitos modelos...
- Pois, mas isso são brinquedos, e eu preciso de uma coisa séria. É que é para fazer torradas!
E fui-me embora.
Foi a minha querida Xana que descobriu a Crussel, numa loja de Algés, daquelas antigas, de atendimento personalizado, com homens sérios, do antigamente, e a vender coisas e produtos sérios para gente séria. Uma seriedade completa...
E, menos de metade do preço das caixas de correio eléctricas, plásticas e brancas, cheias de botões rotativos temporizadores.

Uma torradeira clássica... O design dos angulos, a sedução dos cromados, a realidade das coisas reais, e não uma fantasia de modernidade.

(Reparem também na mesa de madeira de pinho nacional pintada a azul cobalto, com pigmentos naturais, e os azulejos Aleluia de Aveiro, pintados à mão. Prefira produtos nacionais, defenda a nossa indústria...)
Uma torradeira clássica, para quem gosta de vw's clássicos......
A torradeira Crussel

Finalmente tenho uma torradeira a sério! Das antigas, mas nova! A estrear com zero km's e zero ferrugem.
A anterior até metia nojo!... Moderna, plástica, branca, com botões reguláveis de lado, cheia de truqes manhosos de programação digital e a custar um exagero. O pão até tinha vergonha de lá entrar...
Parecia aquilo que era: um electrodoméstico moderno!...
Aquela treta nunca funcionava bem: ou saia o pão cru, ou queimava. A malta tentava espreitar na ranhura, mas não se conseguia perceber o que se estava a passar lá dentro. A sacana da torradeira estava a tentar destruir outra torrada.
Umas vezes encravava lá dentro e não queria sair, e tinha que lutar para a sacar com um garfo, para depois a comer toda partida aos bocados. Santo deus, que castigo...
Outras vezes, não se ligava, e ficava horas a olhar para um a torradeira desligada, até que a minha mulher me dizia: Já a ligaste na ficha? e eu, oopsss!...
É que não se consegue ver se está incandescente ou não. Aquilo é uma armadilha fechada, só com ranhuras em cima, onde não cabe pão alentejano à séria, só fatias maricas de pão integral para miúdas magras de mais, e comedoras de iogurtes sem calorias e sem sabor.
Tanto bati naquela coisa, esmurrei a dita, que consegui finalmente avariá-la. Fixe! Vais para o lixo, e não tens direito a restauro...
Fui à loja e que descubro? Raios partam isto: filas e filas de clones plásticos iguais à sacana que eu tinha lá em casa...
Umas caras, outras caríssimas, outras, enfim... dava para comprar pão para um ano inteiro!
Perguntei à funcionária, mesmo no meio daquilo tudo, se não tinham torradeiras à venda. Ela perplexa, olhouem volta, e disse:
- Temos estas todas... Que está aqui a ver...
- Pois, minha senhora, mas eu quero uma torradeira daquelas a sério, sabe quais são? Daquelas que não sejam caixas do correio!
- Ah! Dessas já não temos. Mas tem aqui muitos modelos...
- Pois, mas isso são brinquedos, e eu preciso de uma coisa séria. É que é para fazer torradas!
E fui-me embora.
Foi a minha querida Xana que descobriu a Crussel, numa loja de Algés, daquelas antigas, de atendimento personalizado, com homens sérios, do antigamente, e a vender coisas e produtos sérios para gente séria. Uma seriedade completa...
E, menos de metade do preço das caixas de correio eléctricas, plásticas e brancas, cheias de botões rotativos temporizadores.

Uma torradeira clássica... O design dos angulos, a sedução dos cromados, a realidade das coisas reais, e não uma fantasia de modernidade.

(Reparem também na mesa de madeira de pinho nacional pintada a azul cobalto, com pigmentos naturais, e os azulejos Aleluia de Aveiro, pintados à mão. Prefira produtos nacionais, defenda a nossa indústria...)




