"Maria das Dores" - Panel Van 1962
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HUGO bOSS
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"Maria das Dores" - Panel Van 1962
Olá a todos.
Venho por este meio apresentar-me a este fórum, que já tinha ouvido falar há algum tempo.
Chamo-me "Maria das Dores" e sou uma panel van. Nasci em Hanover, a 4 de Maio de 1962.
Na linha de montagem colocaram-me o meu "B.I.", onde constava que iria ser uma carrinha de carga, branca e com destino um país chamado Portugal, mais concretamente para um local "Odivelas".
Ainda me lembro de um funcionário da fábrica dizer a outro: "Nein! Não leva bateria, não vês o código 008?"
"-E os vidros safari? Para que são então?"- questionou um outro baralhado.
"-Ela vai para Portugal, um país quente. São de série... Pela cor às tantas ainda acaba como ambulância."
Ouvi isto meia assustada, meia contente. Pelo menos ia viajar, conhecer outro país...
Sinceramente não me lembro muito bem dos meus primeiros anos de vida... Apenas de me pintarem de verde, depois de um amarelo berrante e finalmente, com 5 anos de idade meteram-me num barco, rumo a uma ilha chamada Madeira.
Aí fui servir uma empresa de venda de peixe seco... e dormia ao relento, próximo a uma capela e da casa dos meus donos.
Numa noite, assustei-me, pois abriram-me a porta e entraram duas pessoas que não os meus donos...
Eram um casal de namorados... a situação voltou-se a repetir daí para a frente inúmeras vezes...
Início dos anos 80s, foi oferecida a um senhor, que por sua vez vendeu-me a uma oficina.
Aí fui mantida como carrinha de assistência e fui sujeita a uma nova pintura. Desta feita um amarelo mais claro e discreto. Um dos meus novos donos, decidiu transformara-me em carrinha de campismo.
Fez uns móveis no meu interior, colocou-me o meu pneu sobresselente pendurado á frente, e ao fim de semana ia passear pela ilha comigo e com a sua mulher. Nos outros dias, acartava motores e caixas e tudo o que lhes dava na cabeça... Comecei a sentir o meu fundo a curvar com o peso... e a minha idade também não perdoava já...
Vieram os anos 90s... e com eles cada vez mais as carrinhas a gasóleo... mais económicas e novas... e eu fui vendida...
Realmente nesta fase já não estava muito charmosa... os meus vidros safari foram desmontados... julgo que estavam podres e metiam água... Os meus pratos há muito que tinham caído, pois o cuidado ao me conduzirem já era pouco... enfim... era já uma carrinha velha para eles...
Estive na posse de várias pessoas, que sinceramente preferi esquecer... Pintaram-me de rolo uma cruz branca em cada lado e após diversas noites de bebedeira, deixaram-me abandonada num canto da estrada...
Alguém encontrou-me e levou-me para uma garagem com outros VWs... Mais tarde esse alguém trocou-me por um carocha...
O meu novo dono decidiu que a minha frente ainda não estava suficientemente amolgada e decidiu esmurrar-me num outro carro... Fiquei cega do meu olho direito nesse dia... e a partir daí fiquei encostada num canto dum quintal durante uns tempos...
No início deste século, outro "alguém" encontrou-me e com promessas de colocar-me a circular novamente, levou-me...
Ainda alimentei esperanças que num século novo, alguém me quisesse arranjar... Ainda tive forças de colocar o meu motor a trabalhar... após me meterem gasolina pelas goelas abaixo...
Venho por este meio apresentar-me a este fórum, que já tinha ouvido falar há algum tempo.
Chamo-me "Maria das Dores" e sou uma panel van. Nasci em Hanover, a 4 de Maio de 1962.
Na linha de montagem colocaram-me o meu "B.I.", onde constava que iria ser uma carrinha de carga, branca e com destino um país chamado Portugal, mais concretamente para um local "Odivelas".
Ainda me lembro de um funcionário da fábrica dizer a outro: "Nein! Não leva bateria, não vês o código 008?"
"-E os vidros safari? Para que são então?"- questionou um outro baralhado.
"-Ela vai para Portugal, um país quente. São de série... Pela cor às tantas ainda acaba como ambulância."
Ouvi isto meia assustada, meia contente. Pelo menos ia viajar, conhecer outro país...
Sinceramente não me lembro muito bem dos meus primeiros anos de vida... Apenas de me pintarem de verde, depois de um amarelo berrante e finalmente, com 5 anos de idade meteram-me num barco, rumo a uma ilha chamada Madeira.
Aí fui servir uma empresa de venda de peixe seco... e dormia ao relento, próximo a uma capela e da casa dos meus donos.
Numa noite, assustei-me, pois abriram-me a porta e entraram duas pessoas que não os meus donos...
Eram um casal de namorados... a situação voltou-se a repetir daí para a frente inúmeras vezes...
Início dos anos 80s, foi oferecida a um senhor, que por sua vez vendeu-me a uma oficina.
Aí fui mantida como carrinha de assistência e fui sujeita a uma nova pintura. Desta feita um amarelo mais claro e discreto. Um dos meus novos donos, decidiu transformara-me em carrinha de campismo.
Fez uns móveis no meu interior, colocou-me o meu pneu sobresselente pendurado á frente, e ao fim de semana ia passear pela ilha comigo e com a sua mulher. Nos outros dias, acartava motores e caixas e tudo o que lhes dava na cabeça... Comecei a sentir o meu fundo a curvar com o peso... e a minha idade também não perdoava já...
Vieram os anos 90s... e com eles cada vez mais as carrinhas a gasóleo... mais económicas e novas... e eu fui vendida...
Realmente nesta fase já não estava muito charmosa... os meus vidros safari foram desmontados... julgo que estavam podres e metiam água... Os meus pratos há muito que tinham caído, pois o cuidado ao me conduzirem já era pouco... enfim... era já uma carrinha velha para eles...
Estive na posse de várias pessoas, que sinceramente preferi esquecer... Pintaram-me de rolo uma cruz branca em cada lado e após diversas noites de bebedeira, deixaram-me abandonada num canto da estrada...
Alguém encontrou-me e levou-me para uma garagem com outros VWs... Mais tarde esse alguém trocou-me por um carocha...
O meu novo dono decidiu que a minha frente ainda não estava suficientemente amolgada e decidiu esmurrar-me num outro carro... Fiquei cega do meu olho direito nesse dia... e a partir daí fiquei encostada num canto dum quintal durante uns tempos...
No início deste século, outro "alguém" encontrou-me e com promessas de colocar-me a circular novamente, levou-me...
Ainda alimentei esperanças que num século novo, alguém me quisesse arranjar... Ainda tive forças de colocar o meu motor a trabalhar... após me meterem gasolina pelas goelas abaixo...
Last edited by HUGO bOSS on 12 Jul 2009 03:08, edited 1 time in total.
Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
Hugo Pereira
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HUGO bOSS
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Para minha grande desilusão, não fui para uma oficina, mas sim para um terreno a céu aberto, num parque fechado.
Fiquei confusa e pensei que deveria aguardar... que remédio...
Estávamos em 2000 ou 2001... não me lembro já...
Passou-se um ano... e mais um...
O parque foi enchendo e apercebi-me que era uma sucata... que tudo o que lá entrava não voltava a sair... pelo menos da mesma forma...
Fui vendo muitos mais novos do que eu serem esmagados sem dó nem piedade... Vendidos ás peças e esquartejados... e eu sempre esperando a minha vez...
Os meus pneus começaram a esvaziar...
Um dia, num fim de semana oiço vozes... e vejo pelo meu único olho, 4 fulanos... um deles com uma máquina fotográfica...
Ouço-os falar que deviam comprar-me para o clube deles... um clube de VWs? Teria ouvido bem?
Tiraram-me muitas fotos... foram embora e passado uns tempos um deles voltou... mas o meu dono recusou-se a vender-me...
Os anos foram passando... já estava com o meu moral todo em baixo, á semelhança dos meus 4 pneus, quando num dia vejo um miúdo com uma pedra na mão e atira-a de encontro ao meu vidro frontal direito...
Depois aparecem mais putos e decidem dançar no meu tecto... Mas que raio lhes passou pela cabeça?
Efectivamente fiquei com o tecto metido dentro na parte de trás...
Ninguém os repreendeu nem nada fizeram por mim... a chuva quando caia passou a acumular-se...
Ao longo dos tempos vários aproximaram-se de mim com intenções de me comprarem... mas não passavam disso... pois rapidamente desistiram ao verem o meu estado em relação ao preço pedido...
No início deste ano, um casalinho novo e outros dois homens surgiram na sucata...
Aproximaram-se de mim e com o meu dono travaram um diálogo... Queriam comprar-me... Acordaram um valor e tudo...
Tiraram-me fotos, lamentaram o meu estado e foram embora...
Passaram-se 3 meses e após 9 anos de silvado, vinha, favos de vespas, servindo de depósito a pára choques velhos e partidos de plástico (que estúpidos e burros estes sucateiros são... eles não enferrujam... podem deixá-los na rua)... perdi a esperança completa de viver...
A minha carroçaria demonstrava claramente os meus sentimentos... as minhas lágrimas eram a ferrugem que escorria... eram os buracos que representavam os vazios que sentia...
Todos os dias via um ou dois, ou até mais carros serem arrancados do chão pela máquina e esmagados... Um dia seria o meu...
Fiquei confusa e pensei que deveria aguardar... que remédio...
Estávamos em 2000 ou 2001... não me lembro já...
Passou-se um ano... e mais um...
O parque foi enchendo e apercebi-me que era uma sucata... que tudo o que lá entrava não voltava a sair... pelo menos da mesma forma...
Fui vendo muitos mais novos do que eu serem esmagados sem dó nem piedade... Vendidos ás peças e esquartejados... e eu sempre esperando a minha vez...
Os meus pneus começaram a esvaziar...
Um dia, num fim de semana oiço vozes... e vejo pelo meu único olho, 4 fulanos... um deles com uma máquina fotográfica...
Ouço-os falar que deviam comprar-me para o clube deles... um clube de VWs? Teria ouvido bem?
Tiraram-me muitas fotos... foram embora e passado uns tempos um deles voltou... mas o meu dono recusou-se a vender-me...
Os anos foram passando... já estava com o meu moral todo em baixo, á semelhança dos meus 4 pneus, quando num dia vejo um miúdo com uma pedra na mão e atira-a de encontro ao meu vidro frontal direito...
Depois aparecem mais putos e decidem dançar no meu tecto... Mas que raio lhes passou pela cabeça?
Efectivamente fiquei com o tecto metido dentro na parte de trás...
Ninguém os repreendeu nem nada fizeram por mim... a chuva quando caia passou a acumular-se...
Ao longo dos tempos vários aproximaram-se de mim com intenções de me comprarem... mas não passavam disso... pois rapidamente desistiram ao verem o meu estado em relação ao preço pedido...
No início deste ano, um casalinho novo e outros dois homens surgiram na sucata...
Aproximaram-se de mim e com o meu dono travaram um diálogo... Queriam comprar-me... Acordaram um valor e tudo...
Tiraram-me fotos, lamentaram o meu estado e foram embora...
Passaram-se 3 meses e após 9 anos de silvado, vinha, favos de vespas, servindo de depósito a pára choques velhos e partidos de plástico (que estúpidos e burros estes sucateiros são... eles não enferrujam... podem deixá-los na rua)... perdi a esperança completa de viver...
A minha carroçaria demonstrava claramente os meus sentimentos... as minhas lágrimas eram a ferrugem que escorria... eram os buracos que representavam os vazios que sentia...
Todos os dias via um ou dois, ou até mais carros serem arrancados do chão pela máquina e esmagados... Um dia seria o meu...
Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
Hugo Pereira
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Eu tenho o Carro do Século"
""Patina" my ass, that's rust!"
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HUGO bOSS
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No entanto, hoje de manhã, vejo os dois homens, um mais velho do que o outro, que tinham vindo com o outro casal...
Lembrei-me que o de mais idade tinha dito ao virar-me as costas nesse dia que era uma consciência eu estar ali... Fora simpático da sua parte...
Desceram com o meu dono e vieram na minha direcção...
Não podia ser... devia ser para tirar alguma peça dum Nissan que agonizava à minha frente...
Depois veio um reboque...
Abriram-me as portas laterais e começaram a tirar a tralha que tinha no meu interior...
Não podia acreditar... seria mesmo verdade? Iriam levar-me dali para fora?
Vejo uma máquina de arrasto começar a vir na minha direcção... um, dois, três carros pelo ar... um motor e uma suspensão também... caem da máquina quase me acertando... sinto os respingos de óleo nos vidros e na porta... Será mesmo?
Um gancho no meu eixo e começam a puxar-me...
Eu quero fugir dali para fora... é inglório que após tantos anos de serviço morra ali lentamente a desfazer-me ou simplesmente esmagada como um plástico moderno...
Quero andar mas três das minhas rodas não obedecem... estou perra e trôpega depois de 9 anos na terra... espera, uma delas já se desprendeu...
Tenho direito a fotos... ajudam-me a subir para o reboque...
Estou simplesmente parva... Será um sonho?
Lembrei-me que o de mais idade tinha dito ao virar-me as costas nesse dia que era uma consciência eu estar ali... Fora simpático da sua parte...
Desceram com o meu dono e vieram na minha direcção...
Não podia ser... devia ser para tirar alguma peça dum Nissan que agonizava à minha frente...
Depois veio um reboque...
Abriram-me as portas laterais e começaram a tirar a tralha que tinha no meu interior...
Não podia acreditar... seria mesmo verdade? Iriam levar-me dali para fora?
Vejo uma máquina de arrasto começar a vir na minha direcção... um, dois, três carros pelo ar... um motor e uma suspensão também... caem da máquina quase me acertando... sinto os respingos de óleo nos vidros e na porta... Será mesmo?
Um gancho no meu eixo e começam a puxar-me...
Eu quero fugir dali para fora... é inglório que após tantos anos de serviço morra ali lentamente a desfazer-me ou simplesmente esmagada como um plástico moderno...
Quero andar mas três das minhas rodas não obedecem... estou perra e trôpega depois de 9 anos na terra... espera, uma delas já se desprendeu...
Tenho direito a fotos... ajudam-me a subir para o reboque...
Estou simplesmente parva... Será um sonho?
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Hugo Pereira
"Tens o carro do ano?
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HUGO bOSS
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É para o Funchal, oiço o mais velho dizer ao condutor... É o mesmo que falou da outra vez... conheço-o... mas de onde? Não foi só daqui...
Em marcha lenta vou para uma bomba de gasolina onde colocam ar nos meus pneus... Não são só eles que se incham, mas também o meu orgulho...
Sigo toda contente a ver a vista de cima... estradas novas até... carros que nunca tinha visto... que maravilha passear outra vez, apesar de não ser pelos meus próprios meios...
Mas a minha memória começa a funcionar e lembro-me de onde conhecia o tal homem... ele trabalha perto da tal capela onde vivi há 30 anos... sim, é ele... mais velho e de cabelo grisalho, mas é ele...
Chego a uma nova casa... Garagem fechada e tudo... Sinto que a minha sorte mudou... e até mais uma roda resolve andar... mas a de trás esquerda teima a continuar presa... foram 9 anos parada... desculpem-me...
Após estar no interior da garagem, rapidamente apercebo-me que o meu novo dono é o tal que me lembrava... o outro rapaz é o seu genro... falam num meu irmão "Pestaninhas" que terá de vir para ali para ficar no lugar duma irmã minha mais nova, uma tal de "Madalena"...
Estarei a salvo? Parece-me que sim... Parecem-me boas pessoas... e parece que gostam de VWs...
Num abrir e fechar de olhos, quando dou por mim, à minha volta já estão outros 6 homens que chegaram em 2 carochas e que desejam boa sorte no meu restauro... Oiço em remendos já feitos... uma frente nova completa e até um kit de safaris como tinha quando nasci...
Mas não se ficaram só pelas palavras... quando me apercebi já não tinha vidros da frente, faróis e muito do lixo interior...
Depois o rapaz ficou sozinho comigo e limpou-me toda por dentro... aspirando-me e tudo...
Senti umas pancadas... mas não senti a dor... eram algumas mossas a serem retiradas...
Incrível... Estou salva... pelo menos da morte que era certa... Sentia que não poderia resistir a mais um Inverno... o meu tecto e goteiras está furado em vários sítios... a água iria acabar por dar cabo de mim...
No final do dia senti algo que não sentia há imensos anos... muitos mesmo... água na minha folha, mas com sabão... Indescritível... A sujidade acumulada, a tinta queimada e até líquenes saíram... fiquei com melhor aspecto... até uma lixa senti para tirar os escorridos da ferrugem...
Limparam-me as lágrimas... as da tristeza... pois agora as de felicidade não as vêm... e são muitas...
Parece-me que vou mudar de cor outra vez... uma "exigência" das senhoras da casa... Mas não me importo... acho que mereço...
Fui baptizada de "Maria das Dores", uma associação das letras da minha matrícula com as dores que tenho devido aos meus ferimentos e doença... Gostei... nunca tive nome... apenas era a "carrinha" ou o "cangalho"...
Agora só me resta ficar por muitos e bons anos nesta família, graças ao meu novo dono de cabelo grisalho...
Esta noite, pela primeira vez em muitos anos, tantos que nem me lembro ao certo, vou dormir numa garagem fechada e sei que amanhã acordarei com alguém a me tratar bem e não com música aos berros duma casa da vizinhança...
Em marcha lenta vou para uma bomba de gasolina onde colocam ar nos meus pneus... Não são só eles que se incham, mas também o meu orgulho...
Sigo toda contente a ver a vista de cima... estradas novas até... carros que nunca tinha visto... que maravilha passear outra vez, apesar de não ser pelos meus próprios meios...
Mas a minha memória começa a funcionar e lembro-me de onde conhecia o tal homem... ele trabalha perto da tal capela onde vivi há 30 anos... sim, é ele... mais velho e de cabelo grisalho, mas é ele...
Chego a uma nova casa... Garagem fechada e tudo... Sinto que a minha sorte mudou... e até mais uma roda resolve andar... mas a de trás esquerda teima a continuar presa... foram 9 anos parada... desculpem-me...
Após estar no interior da garagem, rapidamente apercebo-me que o meu novo dono é o tal que me lembrava... o outro rapaz é o seu genro... falam num meu irmão "Pestaninhas" que terá de vir para ali para ficar no lugar duma irmã minha mais nova, uma tal de "Madalena"...
Estarei a salvo? Parece-me que sim... Parecem-me boas pessoas... e parece que gostam de VWs...
Num abrir e fechar de olhos, quando dou por mim, à minha volta já estão outros 6 homens que chegaram em 2 carochas e que desejam boa sorte no meu restauro... Oiço em remendos já feitos... uma frente nova completa e até um kit de safaris como tinha quando nasci...
Mas não se ficaram só pelas palavras... quando me apercebi já não tinha vidros da frente, faróis e muito do lixo interior...
Depois o rapaz ficou sozinho comigo e limpou-me toda por dentro... aspirando-me e tudo...
Senti umas pancadas... mas não senti a dor... eram algumas mossas a serem retiradas...
Incrível... Estou salva... pelo menos da morte que era certa... Sentia que não poderia resistir a mais um Inverno... o meu tecto e goteiras está furado em vários sítios... a água iria acabar por dar cabo de mim...
No final do dia senti algo que não sentia há imensos anos... muitos mesmo... água na minha folha, mas com sabão... Indescritível... A sujidade acumulada, a tinta queimada e até líquenes saíram... fiquei com melhor aspecto... até uma lixa senti para tirar os escorridos da ferrugem...
Limparam-me as lágrimas... as da tristeza... pois agora as de felicidade não as vêm... e são muitas...
Parece-me que vou mudar de cor outra vez... uma "exigência" das senhoras da casa... Mas não me importo... acho que mereço...
Fui baptizada de "Maria das Dores", uma associação das letras da minha matrícula com as dores que tenho devido aos meus ferimentos e doença... Gostei... nunca tive nome... apenas era a "carrinha" ou o "cangalho"...
Agora só me resta ficar por muitos e bons anos nesta família, graças ao meu novo dono de cabelo grisalho...
Esta noite, pela primeira vez em muitos anos, tantos que nem me lembro ao certo, vou dormir numa garagem fechada e sei que amanhã acordarei com alguém a me tratar bem e não com música aos berros duma casa da vizinhança...
Um abraço do meio do Atlântico
Hugo Pereira
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Hugo Pereira
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- rmoreira
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Hugo, o texto, devo confessar que me emocionou, li do inicio ao fim , sem parar... sou particularmente sensível quando vejo que alguem decide trazer uma "sucata", cujo destino seria a morte, de volta à vida. Foi o que aconteceu com o meu carocha, quando o salvei e já tinha feito o mesmo com um fiat 127, ha uns anos.
Muito boa sorte com a Maria das Dores e claro.... mostra lá a carrinha
Muito boa sorte com a Maria das Dores e claro.... mostra lá a carrinha
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MarcoVW61
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Pelos vistos há novidades, Hugo?
Parabéns pelo novo projecto!
E as fotos?
Abraço
Parabéns pelo novo projecto!
E as fotos?
Abraço
"Blue time, paradise forever!":)
www.bmwmadeira.org
http://www.SquadraAlfaRomeoMadeira.blogspot.com
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- SplitBusFan
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Boas,
pois pois, e´tudo muito bonito mas e fotos? Já sabes que a casa só anda a fotos...
pois pois, e´tudo muito bonito mas e fotos? Já sabes que a casa só anda a fotos...
Fiquem bem .::. Tiago Baginha .::. White Rhino - '71 vw 1200 .::.
>> Como inserir imagens << >> Regras de utilização <<
>> Como inserir imagens << >> Regras de utilização <<
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Carlos Baptista
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a.s
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É verdade… a “maria das dores” realmente teve uma vida um pouco complicada. Tenho a certeza que agora irá ser feliz.
Já antes de tirar carta andei a namora-la ao longe, mesmo velhinha ainda tinha o seu brilho a meio de todos os outros pedaços de plásticos naquela sucata. Infelizmente não tinha lugar onde a podia acolher.
Entretanto com o passar do tempo, numa das sempre quase como constantes e agradáveis conversas sobre vw’s com o Hugo acabei por me lembrar de novo da “maria das dores”, resolvemos então (eu e a minha cara metade), o tal “casalinho” a visita-la novamente com a companhia do Duarte (sogro do Hugo) e o Hugo.
Quando lá chegamos, a Split de 62 continuava no mesmo sítio, e cada vez mais num estado de agonia, tinha a certeza que não iria aguentar mais um ano naquele terreno, o desejo era querer resgata-la do seu triste fim…. Ela tinha que ser salva o mais rápido possível!
Estava com ar cada vez mais débil. Após avaliar toda esta situação, e de infelizmente deparar-me de novo com o facto de não ter espaço para poder dar-lhe uma nova vida. A grande missão teria que continuar, e nada melhor que alguém que goste realmente de vws para estima-la para sempre e devolver-lhe os anos que perdeu naquela pequena sucata. Não foi difícil encontrar dois loucos por vw’s
, a tarefa foi imediatamente passada, e assim o Duarte que estava todo empolgado resolveu com o Hugo salvar esta menina
, a “maria das dores” finalmente depois de tantos anos agora tem um tecto que lhe irá abrigar da chuva, do vento e do frio que passou naquele terreno.
Mais uma salva!
Em 2004


Em 2009



Na sua nova casa, cheia de visitas



Já antes de tirar carta andei a namora-la ao longe, mesmo velhinha ainda tinha o seu brilho a meio de todos os outros pedaços de plásticos naquela sucata. Infelizmente não tinha lugar onde a podia acolher.
Entretanto com o passar do tempo, numa das sempre quase como constantes e agradáveis conversas sobre vw’s com o Hugo acabei por me lembrar de novo da “maria das dores”, resolvemos então (eu e a minha cara metade), o tal “casalinho” a visita-la novamente com a companhia do Duarte (sogro do Hugo) e o Hugo.
Quando lá chegamos, a Split de 62 continuava no mesmo sítio, e cada vez mais num estado de agonia, tinha a certeza que não iria aguentar mais um ano naquele terreno, o desejo era querer resgata-la do seu triste fim…. Ela tinha que ser salva o mais rápido possível!
Em 2004


Em 2009



Na sua nova casa, cheia de visitas



André Silvino
-
Fernando Palmela
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- Joined: 03 Apr 2007 15:11
- Location: Cascais Portugal
Muito bonito, esse senhor de gravata é o presidente da junta
grande cerimónia
isso nos copos deve ser um bom cafezinho.............. e caixote do lixo à porta fica mal na fotografia isso é tudo para aproveitar só no fim é que se deita o que está a mais..........
(ô\_!_/ô)
RATO, VW 11 Sedan De Luxe 1,192cm3
30HP
Junho 55
LAVE quando chove E USE
Early bay 4/1971 Camper
Fiat 126 6/1976
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Encontro VW todos os 1º domingos do mês 10:00h Marina de Cascais
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