Terá a água girinos?
"Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
-
HUGO bOSS
- Site Admin
- Posts: 25808
- Joined: 24 Jan 2007 19:17
- Location: FUNCHAL - MADEIRA - PORTUGAL
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Não, não é mais uma história, são apenas banalidades do dia-a-dia…
Na sexta-feira precisava de sair de manhã às 8h30m sem falha alguma. E precisava de ser na “Gilda”, para evitar sujar o carocha pois a estrada estava molhada, e porque ia simplesmente ficar parado em Lisboa a tarde inteira até regressar só depois das 21h.
O problema é que ela agora está “temperamental”, pois o carburador novo tem arranque a frio manual e isso não está ligado…
Por isso teve de ser do modo mais complicado: na quinta-feira, antes do jantar, aí pelas 19h30m fui dar à chave e nada… Insisti, entalei um pau para mudar a posição do ar e nada. Afogou…
Mas eu já sabia que isso ia acontecer. E assim, deixei passar o jantar, e pelas 22h30 fui lá, respirei fundo, dei à chave, e pegou à primeira!
Agora fiquei ali a dar ao pedal, em ponto morto e durante 2 minutos, até aquecer e normalizar. Depois, deixei ao ralenti uns 5 minutos e pronto, está feita a preparação.
Na manhã seguinte, tudo pronto para sair, e efectivamente pegou de imediato. Safei-me…
Já fora de casa, estacionei sempre a descer, da parte da manhã, para garantir arranque certo e sem esforço de bateria.
De tarde, já nada era preciso, e pegou normalmente para regressar. O difícil é o primeiro arranque da manhã.
Está visto que agora preciso descobrir como instalar o sistema de cabo “à antiga” para controlar o carburador com o cabo do ar. Uma solução que não deve ser assim tão imediata.
-----------
Outra situação em estudo é o controle do consumo. Desde que foi refeito o motor e reajustado o funcionamento com o novo carburador, ainda só fiz 475 km, o que ainda não me permitiu entender o efectivo consumo actual.
Mas no entanto parece promissor, e os 9 litros/100km parecem ser uma realidade. Com alguma sorte estarei a caminho do consumo entre 8,5 a 9, e isso é francamente melhor que os antigos 9,8 que queriam descambar para cima…
Está menos ruidosa, certinha, não trepida nada, puxa bem dos 40 aos 80, e é quanto baste.
Na sexta-feira precisava de sair de manhã às 8h30m sem falha alguma. E precisava de ser na “Gilda”, para evitar sujar o carocha pois a estrada estava molhada, e porque ia simplesmente ficar parado em Lisboa a tarde inteira até regressar só depois das 21h.
O problema é que ela agora está “temperamental”, pois o carburador novo tem arranque a frio manual e isso não está ligado…
Por isso teve de ser do modo mais complicado: na quinta-feira, antes do jantar, aí pelas 19h30m fui dar à chave e nada… Insisti, entalei um pau para mudar a posição do ar e nada. Afogou…
Mas eu já sabia que isso ia acontecer. E assim, deixei passar o jantar, e pelas 22h30 fui lá, respirei fundo, dei à chave, e pegou à primeira!
Agora fiquei ali a dar ao pedal, em ponto morto e durante 2 minutos, até aquecer e normalizar. Depois, deixei ao ralenti uns 5 minutos e pronto, está feita a preparação.
Na manhã seguinte, tudo pronto para sair, e efectivamente pegou de imediato. Safei-me…
Já fora de casa, estacionei sempre a descer, da parte da manhã, para garantir arranque certo e sem esforço de bateria.
De tarde, já nada era preciso, e pegou normalmente para regressar. O difícil é o primeiro arranque da manhã.
Está visto que agora preciso descobrir como instalar o sistema de cabo “à antiga” para controlar o carburador com o cabo do ar. Uma solução que não deve ser assim tão imediata.
-----------
Outra situação em estudo é o controle do consumo. Desde que foi refeito o motor e reajustado o funcionamento com o novo carburador, ainda só fiz 475 km, o que ainda não me permitiu entender o efectivo consumo actual.
Mas no entanto parece promissor, e os 9 litros/100km parecem ser uma realidade. Com alguma sorte estarei a caminho do consumo entre 8,5 a 9, e isso é francamente melhor que os antigos 9,8 que queriam descambar para cima…
Está menos ruidosa, certinha, não trepida nada, puxa bem dos 40 aos 80, e é quanto baste.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Encontrei umas referências da combinação de cor azul e branco:
Seeblau L360 e Cumulusweiss L680. Interiores a dois tons de cinzento e frisos deluxe exteriores. Uma possibilidade a explorar para o dia do restauro.


Gostei sobretudo do conjunto das rodas:

Pneu faixa branca estreita, aro alumínio, jante creme, tampão cromado com símbolo pintado preto.
Já ando com vontade de a refazer... Já só faltam os $$$$...
Seeblau L360 e Cumulusweiss L680. Interiores a dois tons de cinzento e frisos deluxe exteriores. Uma possibilidade a explorar para o dia do restauro.
Gostei sobretudo do conjunto das rodas:
Pneu faixa branca estreita, aro alumínio, jante creme, tampão cromado com símbolo pintado preto.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Depois de arranjado o motor, já foram cerca de 700 km's sem problemas (excepto quando não quer pegar...)
Num destes fins de semana foi tempo de levar mais um móvel de um lado para outro. Este era especialmente diferente e vistoso:

O que vale é que dentro da Gilda cabe sempre tudo:

É a vantagem de não ter bancos ao meio.

Num destes fins de semana foi tempo de levar mais um móvel de um lado para outro. Este era especialmente diferente e vistoso:

O que vale é que dentro da Gilda cabe sempre tudo:

É a vantagem de não ter bancos ao meio.

"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Tem havido tanta acção que nem tenho oportunidade de contar metade das coisas. Estive com a Gilda na recepção dos participantes do Rallye Figueira da Foz - Lisboa, onde um grupo de clássicos se juntou na Meta, junto à igreja do campo grande em Lisboa.

Claro que o ponto alto foi a cavalgada alucinante pela Av. Almirante de Reis, a ver quem chegava primeiro ao Terreiro do Paço, na pica entre Bugattis, Táxis, Mustang, Autocarros da Carris, Ford T's e outros.
Um luxo ficar estacionado por indicação da Polícia Municipal junto ao D. José... Isto não acontece a quem guia carritos de plástico deste ano...

Podemos ver a Gilda bem acompanhada pelo 1300 de António Ribeiro, o dono do "Cinderela", o Oval que apenas sai da garagem de vários em vários anos, e que não apanha chuva há mais de vinte anos...

Claro que o ponto alto foi a cavalgada alucinante pela Av. Almirante de Reis, a ver quem chegava primeiro ao Terreiro do Paço, na pica entre Bugattis, Táxis, Mustang, Autocarros da Carris, Ford T's e outros.
Um luxo ficar estacionado por indicação da Polícia Municipal junto ao D. José... Isto não acontece a quem guia carritos de plástico deste ano...

Podemos ver a Gilda bem acompanhada pelo 1300 de António Ribeiro, o dono do "Cinderela", o Oval que apenas sai da garagem de vários em vários anos, e que não apanha chuva há mais de vinte anos...
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Hoje mais uma voltinha, apenas para fazer a "Gilda" andar, pois tem estado parada à mais de uma semana.
Passeio de Inverno, Verão de São Martinho.
Aproveitando o belo dia de sol, e fresco como se quer para arrefecer os motores, levei a Gilda a passear, em família. Não fomos longe, apenas uns breves quilometros para aproveitar o suave fim de tarde, antes do pôr do sol.
Parámos junto à Capela de Nossa Senhora da Aflição, em Manique de Cima.

Reparem como as cores da Gilda fazem conjunto com as cores da capela, ambas numa definição de arte popular.

O terreiro do Largo da capela, é agora um arruamento, após a apropriação particular do espaço público em torno da Casa do Capitão Pereira Borralho.
Vamos passear! De Gilda é que é: na carrinha do meu papá...

Gosto muito de viajar na carrinha do meu pai
Ele à frente a guiar
Nos atrás sempre a brincar
Vamos lá embora
SIM SIM SIM
Pela estrada fora
SIM SIM SIM


A luz poente convida ao passeio, buscando estradas antigas, esquecidas dos acelerados condutores de carros modernos, cheios de pressa de chegarem a lugar nenhum.

Ainda há recantos de esperança, sonho e paisagem, onde os olhos se espelham, olhando no longe o sossego interior.
E assim reconfortados, embalados pelo motor traseiro, regressamos a casa, para um lanche de castanhas assadas e água-pé.
Bem, água-pé não havia, por isso foi preciso improvisar. Tivemos antes água-chulé...
Garrafas de água metidas debaixo dos pés dos pequenitos e depois usada fervida para fazer chá. Um chá de água-chulé. É do cameijo! Mas resultou...
"Ponha um vw na sua vida, e um sorriso no seu rosto!"
Passeio de Inverno, Verão de São Martinho.
Aproveitando o belo dia de sol, e fresco como se quer para arrefecer os motores, levei a Gilda a passear, em família. Não fomos longe, apenas uns breves quilometros para aproveitar o suave fim de tarde, antes do pôr do sol.
Parámos junto à Capela de Nossa Senhora da Aflição, em Manique de Cima.

Reparem como as cores da Gilda fazem conjunto com as cores da capela, ambas numa definição de arte popular.

O terreiro do Largo da capela, é agora um arruamento, após a apropriação particular do espaço público em torno da Casa do Capitão Pereira Borralho.
Vamos passear! De Gilda é que é: na carrinha do meu papá...

Gosto muito de viajar na carrinha do meu pai
Ele à frente a guiar
Nos atrás sempre a brincar
Vamos lá embora
SIM SIM SIM
Pela estrada fora
SIM SIM SIM


A luz poente convida ao passeio, buscando estradas antigas, esquecidas dos acelerados condutores de carros modernos, cheios de pressa de chegarem a lugar nenhum.

Ainda há recantos de esperança, sonho e paisagem, onde os olhos se espelham, olhando no longe o sossego interior.
E assim reconfortados, embalados pelo motor traseiro, regressamos a casa, para um lanche de castanhas assadas e água-pé.
Bem, água-pé não havia, por isso foi preciso improvisar. Tivemos antes água-chulé...
Garrafas de água metidas debaixo dos pés dos pequenitos e depois usada fervida para fazer chá. Um chá de água-chulé. É do cameijo! Mas resultou...
"Ponha um vw na sua vida, e um sorriso no seu rosto!"
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
-
jcse
- ✘✘✘
- Posts: 2372
- Joined: 24 Jan 2007 14:39
- Location: Leiria
Ainda bem que a carrinha está melhor depois da reparação. Porque é que trocaste por um carburador sem arranque automático? O teu estava assim tão mau?
Ainda bem que que a tua familia gosta de andar na carrinha. Isso é muito importante
Eu também gostava de andar mais no meu carocha.
João
PS: Nunca mais te ouvi passar por aqui! Tens passado mais tarde?
Ainda bem que que a tua familia gosta de andar na carrinha. Isso é muito importante
Eu também gostava de andar mais no meu carocha.
João
PS: Nunca mais te ouvi passar por aqui! Tens passado mais tarde?
-
Eduardo Pinela
- ✘✘✘✘
- Posts: 2628
- Joined: 14 Feb 2007 23:03
- Location: Fog City.
- Contact:
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
"...Porque é que trocaste por um carburador sem arranque automático? O teu estava assim tão mau?"
Estranhamente parece que sim... Era um Brosol recente, mas afogava e deitava gasolina por todo o lado. Mesmo depois de desmontado, limpo e refeito, não parecia funcionar.
Surgiu então um carburador daqueles mais antigos, sem choke automático, e que funcionou perfeitamente. Por isso, até ver outra solução, vai ficar assim...
"...Nunca mais te ouvi passar por aqui! Tens passado mais tarde?"
Na verdade não tenho passado...
Parece confirmar-se que acabo com as idas a Coimbra.
O número de horas tem sido substancialmente reduzido, e a remuneração também, os alunos são cada vez menos, e a escola parece estar a caminhar para um fim próximo...
Estou agora a tentar negociar as condições para a minha saída, 12 anos depois de um esforço ano após ano.
Já são muitos anos na estrada, e tenho que descansar.
É tempo de procurar outro desafio profissional, e já tenho aí outra tarefa em vista. Depois conto pormenores.

Estranhamente parece que sim... Era um Brosol recente, mas afogava e deitava gasolina por todo o lado. Mesmo depois de desmontado, limpo e refeito, não parecia funcionar.
Surgiu então um carburador daqueles mais antigos, sem choke automático, e que funcionou perfeitamente. Por isso, até ver outra solução, vai ficar assim...
"...Nunca mais te ouvi passar por aqui! Tens passado mais tarde?"
Na verdade não tenho passado...
Parece confirmar-se que acabo com as idas a Coimbra.
O número de horas tem sido substancialmente reduzido, e a remuneração também, os alunos são cada vez menos, e a escola parece estar a caminhar para um fim próximo...
Estou agora a tentar negociar as condições para a minha saída, 12 anos depois de um esforço ano após ano.
Já são muitos anos na estrada, e tenho que descansar.
É tempo de procurar outro desafio profissional, e já tenho aí outra tarefa em vista. Depois conto pormenores.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Ontem comprei um par de plásticos dos farolins traseiros da Gilda, novos e a baixo custo: são muito melhores, pois têm a parte laranja no pisca, ao contrário dos actuais, totalmente vermelhos, “à americana”.
Os piscas completamente vermelhos são perigosos, pois baralham a cabecinha de quem vem atrás, que “não percebe” o que vê.
Entrei assim hoje nas Maravilhas da Junqueira para tratar de temas soltos na Gilda, mas tudo resultou diferente do previsto.
1ª situação: trocar os plásticos dos farolins traseiros. Parece que dá, até são do tamanho e medida certa, mas não dá… As borrachas de encaixe estão torcidas e viciadas de acordo com os actuais, e não aceitam o encaixe dos novos. Teve que ficar tudo na mesma, até que eu procure borrachas compatíveis. Eram baratos, mas assim já vai ficar mais caro…
Claro que também descobri que os reflectores interiores estão a puxar para o corroído e nojento. O truque vai ser o do costume: spray de tinta cromada lá para dentro, coisa que agora até é fácil de comprar, nas lojas de produtos para o Natal.
- Olhe, daqui está feito. Ou seja, nada se pode fazer… Ficam os mesmos, senão entra água e pó. – Dizia o Sr. Jaime.
- Pronto, já enfiei o barrete. Eu depois procuro borrachas novas.
- Então e que mais? Que quer fazer?
- Tenho frio… É preciso ligar a chauffage.
2ª situação: É preciso passar a chaufage para a posição de Inverno. Ou seja: não tenho os cabos de comando instalados, o que significa que é preciso prender o comando das hastes da caixa de chauffage com uma braçadeira de plástico para ficar ligado durante todo o Inverno, e que são depois cortadas pela Páscoa, quando começar o tempo quente. O processo é primário e incómodo, mas resulta e não dá chatices.
No entanto, desta vez: assim que o Jaime mergulhou debaixo do chassis:
- Faltam aqui peças…
- Quais peças?
- Faltam os tubos da chaufage…
- É do cameijo! Só me faltava isso… Isso é culpa do Vladimir, deve ter ficado algures lá pela oficina dele…
- Pois. Dá trabalho a montar…
- Então não se pode ligar nada…
- Claro está… Aguente-se e compre um casaco melhor.
- Vou mas é ter que chatear o Vlad…
- Daqui nada se pode fazer. Então e agora? Já está tudo?
- Não… Falta uma coisinha.
3ª situação: estou sem luz interior da Gilda. O Jaime abre a porta grande, senta-se na cadeira de plástico lá dentro (a das quecas) e desmonta o plástico da luz interior. Olha para as duas lâmpadas e diz:
- Mas fundiram-se as duas?
- Sim… Não dá luz.
- Isso é esquisito. E isto liga como? É aqui? – E experimentava o interruptor do candeeiro. Não dava nada.
- Há aqui outro botão, ao lado da coluna de direcção. – E experimentei dar ao botão, mas nada.
- Então veja lá agora… - E mudou a posição do botão do aplique. Eu dei ao interruptor do volante e … milagre! A luz apareceu.
- Então o que era? – Pergunto, espantado.
- Era o interruptor: estava desligado. Alguém andou aqui a mexer onde não devia.
- Caraças! Isso foi coisa dos pequenitos. Mexem em tudo… - Que cena ridícula. Sei lá há quanto tempo ando sem ter luz interior, apenas porque o interruptor estava desligado…
- Então também está resolvido. Está tudo?
- Só mais uma coisinha…
- Já me está a dar seca…
- Acho que os pneus de trás estão em baixo…
- E quer que eu lhe venda ar novo? Pronto, já se vai ver isso.
E foi buscar o material para meter ar. Três rodas normais, mas o pneu da frente esquerdo sem pressão quase nenhuma…
4ª situação: estou tramado com o pneu…
- Olhe que isto não tem pressão! Isto deve ser pneu furado! Tem que tratar disto.
Olho o relógio e são ainda 14.30h. É sexta-feira, mas deve dar tempo. Arranco de imediato para a casa de pneus da Junqueira, que fica ali perto. O local é claustrofóbico, apertado e cheio de pneus novos até ao tecto. Nem se conseguem ver as paredes. Como era de esperar, o local está cheio, a meterem pneus novos num Golf moderno. Paro em frente, digo o que vou e fico à espera.
Finalmente chega a hora certa. Dizem para meter a Gilda lá dentro, para se resolver.
Ficaram todos doidos a olhar para a Gilda.
- Isto é que era! É à conta disto e do carocha que a Volkswagen ficou famosa! Agora já não são a mesma coisa! Muito caros, e muitos problemas! Isto era a carcaça?
- Não… Era pão-de-forma…
- É isso! Pão de forma.
Olhou para a roda da frente que ia ser mudada e ficou histérico a olhar para o tampão:
- É um chapéu chinês! Parece um chapéu.
- É o prato da sopa… Se eu precisar comer, já tenho aí os pratos…
Tirou o tampão e meteu na cabeça! A oficina parou toda, a olharem para o maluco com um tampão cromado na cabeça, a andar de um lado para o outro, e a rir. O que vale é que estou sem pressa. Isto é cada filme…
Retirada a roda, acalmada a cena do chapéu, levou a roda para a “piscina”. Não tinha nada visível no piso, nem em lado algum, por isso subiu a pressão e mergulhou no tanque de água.
Os colegas riam e gozavam com ele:
- Andas a apanhar caranguejos no rio? Isso é o quê? O que pescaste aí? Pelo tamanho deve ser santola boa…
Finalmente voltou à superfície, trouxe a roda de volta e o veredicto:
- Estava difícil de perceber, mas descobri: é da válvula. Perde ar, mas devagar. Está estragada e é preciso trocar.
- Antes assim: a despesa e o trabalho é menor.
E montou outra válvula nova.
Entretanto, o homem do Golf com pneus novos não se ia embora. Estava fascinado a olhar para a Gilda, e desatou a falar.
Mudou completamente. De início estava carrancudo e sério, como a maioria das pessoas que guia carros novos e normais, mas mudou. Sorriu, surgiu um brilho nos olhos e não se calava.
Eu tive uma destas! Grande máquina! Isto aguenta tudo! Veja lá que a comprei na Alemanha.
Tinha ido lá com uns amigos, em 1975 e não tínhamos dinheiro quase nenhum. Fomos a um stand de carros velhos que havia ao lado do aeroporto e comprámos o carro mais barato que dava para todos. Era uma carrinha destas, já com muitos anos.
Basta ver que era em 1975 e ainda era como esta, com vidros divididos na frente. Pagámos 3 contos por ela.
Andámos lá de um lado para o outro, habituámo-nos e voltámos pela estrada para Portugal. Entrámos cá e descobrimos que era um dinheirão para legalizar, e nem tínhamos os papéis todos para tratar disso, nem factura da compra, nem nada.
O que havíamos de fazer? Não queríamos desfazermo-nos dela, e então fomos a um sucateiro e comprámos uns documentos portugueses. Foi só trocar a matrícula e pronto. Os documentos custaram mais que a carrinha, custaram 3 contos e quinhentos. Ficou-nos por seis contos e quinhentos (32,50 euros). Na época não havia inspecções nem nada. Fazia-se tudo, e andou nas nossas mãos até ao fim. Quando a vendemos, achámos que estava imprestável, e para nossa surpresa, quem a comprou ainda andou a fazer serviço de entrega de bilhas de gás durante sei lá quantos anos mais! A levar bilhas de gás de um lado para o outro.
E descobrimos depois que havia sido ambulância lá na Alemanha. Veja lá! Tem de ser um carro bom, para ter feito um disparate de quilómetros em ambulância, mais o que lhe metemos em cima, mais andar a carregar bilhas de gás durante sei lá quanto tempo.
Finalmente pareceu desistir de falar, olhava hipnotizado para a frente da Gilda, com os dois vidros safari, como olhos mudos de histórias passadas.
Foi-se embora, entrando para o Golf de pneus novos, mas a recordar a juventude ao volante de uma pão-de-forma.
Entretanto fui pagar: apenas 5 euros da válvula nova. Antes assim. Está o assunto resolvido.
Mas não pude ir-me logo embora: os empregados quiseram tirar fotografias com o telemóvel, fizeram pose ao lado da Gilda, enfim, uma festa até eu sair.
Olhei o retrovisor e estavam todos na rua a comentar e a ver. Parou tudo na oficina com a presença da Gilda.
Por hoje já chega de confusão. Fui meter mais uns 10 euritos de gasolina 95, ou seja, 8,70 litros, e descobri que está a fazer quase 100 km’s de autonomia.
Faz 90 km’s com 8,70 litros, ou seja, um consumo de 9,60 litros/100km. Excelente, e de acordo com os manuais de época. Deixa andar, que anda bem.
Os piscas completamente vermelhos são perigosos, pois baralham a cabecinha de quem vem atrás, que “não percebe” o que vê.
Entrei assim hoje nas Maravilhas da Junqueira para tratar de temas soltos na Gilda, mas tudo resultou diferente do previsto.
1ª situação: trocar os plásticos dos farolins traseiros. Parece que dá, até são do tamanho e medida certa, mas não dá… As borrachas de encaixe estão torcidas e viciadas de acordo com os actuais, e não aceitam o encaixe dos novos. Teve que ficar tudo na mesma, até que eu procure borrachas compatíveis. Eram baratos, mas assim já vai ficar mais caro…
Claro que também descobri que os reflectores interiores estão a puxar para o corroído e nojento. O truque vai ser o do costume: spray de tinta cromada lá para dentro, coisa que agora até é fácil de comprar, nas lojas de produtos para o Natal.
- Olhe, daqui está feito. Ou seja, nada se pode fazer… Ficam os mesmos, senão entra água e pó. – Dizia o Sr. Jaime.
- Pronto, já enfiei o barrete. Eu depois procuro borrachas novas.
- Então e que mais? Que quer fazer?
- Tenho frio… É preciso ligar a chauffage.
2ª situação: É preciso passar a chaufage para a posição de Inverno. Ou seja: não tenho os cabos de comando instalados, o que significa que é preciso prender o comando das hastes da caixa de chauffage com uma braçadeira de plástico para ficar ligado durante todo o Inverno, e que são depois cortadas pela Páscoa, quando começar o tempo quente. O processo é primário e incómodo, mas resulta e não dá chatices.
No entanto, desta vez: assim que o Jaime mergulhou debaixo do chassis:
- Faltam aqui peças…
- Quais peças?
- Faltam os tubos da chaufage…
- É do cameijo! Só me faltava isso… Isso é culpa do Vladimir, deve ter ficado algures lá pela oficina dele…
- Pois. Dá trabalho a montar…
- Então não se pode ligar nada…
- Claro está… Aguente-se e compre um casaco melhor.
- Vou mas é ter que chatear o Vlad…
- Daqui nada se pode fazer. Então e agora? Já está tudo?
- Não… Falta uma coisinha.
3ª situação: estou sem luz interior da Gilda. O Jaime abre a porta grande, senta-se na cadeira de plástico lá dentro (a das quecas) e desmonta o plástico da luz interior. Olha para as duas lâmpadas e diz:
- Mas fundiram-se as duas?
- Sim… Não dá luz.
- Isso é esquisito. E isto liga como? É aqui? – E experimentava o interruptor do candeeiro. Não dava nada.
- Há aqui outro botão, ao lado da coluna de direcção. – E experimentei dar ao botão, mas nada.
- Então veja lá agora… - E mudou a posição do botão do aplique. Eu dei ao interruptor do volante e … milagre! A luz apareceu.
- Então o que era? – Pergunto, espantado.
- Era o interruptor: estava desligado. Alguém andou aqui a mexer onde não devia.
- Caraças! Isso foi coisa dos pequenitos. Mexem em tudo… - Que cena ridícula. Sei lá há quanto tempo ando sem ter luz interior, apenas porque o interruptor estava desligado…
- Então também está resolvido. Está tudo?
- Só mais uma coisinha…
- Já me está a dar seca…
- Acho que os pneus de trás estão em baixo…
- E quer que eu lhe venda ar novo? Pronto, já se vai ver isso.
E foi buscar o material para meter ar. Três rodas normais, mas o pneu da frente esquerdo sem pressão quase nenhuma…
4ª situação: estou tramado com o pneu…
- Olhe que isto não tem pressão! Isto deve ser pneu furado! Tem que tratar disto.
Olho o relógio e são ainda 14.30h. É sexta-feira, mas deve dar tempo. Arranco de imediato para a casa de pneus da Junqueira, que fica ali perto. O local é claustrofóbico, apertado e cheio de pneus novos até ao tecto. Nem se conseguem ver as paredes. Como era de esperar, o local está cheio, a meterem pneus novos num Golf moderno. Paro em frente, digo o que vou e fico à espera.
Finalmente chega a hora certa. Dizem para meter a Gilda lá dentro, para se resolver.
Ficaram todos doidos a olhar para a Gilda.
- Isto é que era! É à conta disto e do carocha que a Volkswagen ficou famosa! Agora já não são a mesma coisa! Muito caros, e muitos problemas! Isto era a carcaça?
- Não… Era pão-de-forma…
- É isso! Pão de forma.
Olhou para a roda da frente que ia ser mudada e ficou histérico a olhar para o tampão:
- É um chapéu chinês! Parece um chapéu.
- É o prato da sopa… Se eu precisar comer, já tenho aí os pratos…
Tirou o tampão e meteu na cabeça! A oficina parou toda, a olharem para o maluco com um tampão cromado na cabeça, a andar de um lado para o outro, e a rir. O que vale é que estou sem pressa. Isto é cada filme…
Retirada a roda, acalmada a cena do chapéu, levou a roda para a “piscina”. Não tinha nada visível no piso, nem em lado algum, por isso subiu a pressão e mergulhou no tanque de água.
Os colegas riam e gozavam com ele:
- Andas a apanhar caranguejos no rio? Isso é o quê? O que pescaste aí? Pelo tamanho deve ser santola boa…
Finalmente voltou à superfície, trouxe a roda de volta e o veredicto:
- Estava difícil de perceber, mas descobri: é da válvula. Perde ar, mas devagar. Está estragada e é preciso trocar.
- Antes assim: a despesa e o trabalho é menor.
E montou outra válvula nova.
Entretanto, o homem do Golf com pneus novos não se ia embora. Estava fascinado a olhar para a Gilda, e desatou a falar.
Mudou completamente. De início estava carrancudo e sério, como a maioria das pessoas que guia carros novos e normais, mas mudou. Sorriu, surgiu um brilho nos olhos e não se calava.
Eu tive uma destas! Grande máquina! Isto aguenta tudo! Veja lá que a comprei na Alemanha.
Tinha ido lá com uns amigos, em 1975 e não tínhamos dinheiro quase nenhum. Fomos a um stand de carros velhos que havia ao lado do aeroporto e comprámos o carro mais barato que dava para todos. Era uma carrinha destas, já com muitos anos.
Basta ver que era em 1975 e ainda era como esta, com vidros divididos na frente. Pagámos 3 contos por ela.
Andámos lá de um lado para o outro, habituámo-nos e voltámos pela estrada para Portugal. Entrámos cá e descobrimos que era um dinheirão para legalizar, e nem tínhamos os papéis todos para tratar disso, nem factura da compra, nem nada.
O que havíamos de fazer? Não queríamos desfazermo-nos dela, e então fomos a um sucateiro e comprámos uns documentos portugueses. Foi só trocar a matrícula e pronto. Os documentos custaram mais que a carrinha, custaram 3 contos e quinhentos. Ficou-nos por seis contos e quinhentos (32,50 euros). Na época não havia inspecções nem nada. Fazia-se tudo, e andou nas nossas mãos até ao fim. Quando a vendemos, achámos que estava imprestável, e para nossa surpresa, quem a comprou ainda andou a fazer serviço de entrega de bilhas de gás durante sei lá quantos anos mais! A levar bilhas de gás de um lado para o outro.
E descobrimos depois que havia sido ambulância lá na Alemanha. Veja lá! Tem de ser um carro bom, para ter feito um disparate de quilómetros em ambulância, mais o que lhe metemos em cima, mais andar a carregar bilhas de gás durante sei lá quanto tempo.
Finalmente pareceu desistir de falar, olhava hipnotizado para a frente da Gilda, com os dois vidros safari, como olhos mudos de histórias passadas.
Foi-se embora, entrando para o Golf de pneus novos, mas a recordar a juventude ao volante de uma pão-de-forma.
Entretanto fui pagar: apenas 5 euros da válvula nova. Antes assim. Está o assunto resolvido.
Mas não pude ir-me logo embora: os empregados quiseram tirar fotografias com o telemóvel, fizeram pose ao lado da Gilda, enfim, uma festa até eu sair.
Olhei o retrovisor e estavam todos na rua a comentar e a ver. Parou tudo na oficina com a presença da Gilda.
Por hoje já chega de confusão. Fui meter mais uns 10 euritos de gasolina 95, ou seja, 8,70 litros, e descobri que está a fazer quase 100 km’s de autonomia.
Faz 90 km’s com 8,70 litros, ou seja, um consumo de 9,60 litros/100km. Excelente, e de acordo com os manuais de época. Deixa andar, que anda bem.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
-
Eduardo Pinela
- ✘✘✘✘
- Posts: 2628
- Joined: 14 Feb 2007 23:03
- Location: Fog City.
- Contact:
- Miguel Brito
- ✘✘✘✘✘
- Posts: 5742
- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
Não percebi se te referes às "americanas" vermelhas, ou às novas. As novas que quero pôr é que tem os números lá escritos para a IPO, que eles gostam de ler legendas.
Entretanto, descobri isto, de leitura essencial!
http://saladasmaquinas.blogspot.com/200 ... forma.html
Já lá meti um comentário apropriado. Achei interessante e bem escrito, embora com alguma "raiva social" característica do famoso Mike Silva.
Entretanto, descobri isto, de leitura essencial!
http://saladasmaquinas.blogspot.com/200 ... forma.html
Já lá meti um comentário apropriado. Achei interessante e bem escrito, embora com alguma "raiva social" característica do famoso Mike Silva.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"