"Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
- rmoreira
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Óh Miguel, se um dia o encontrar algures por Portugal, acho que vou ficar com medo de me ir meter consigo eheheh É que o Miguel conduz carros míticos, nunca se vai safar dos inúmeros fãs dos vw tentarem meter conversa sobre a carrinha e os carros

- SplitBusFan
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
é impressionante a quantidade de lembranças e emoções que estes carros despertam onde menos se espera.
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- superalex
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
mas também considero um bocado aborrecido os sorrisinhos idiotas que te fazem, especialmente se conduzires com os safaris abertos
alexandre vicente
- rmoreira
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Alex, mas há aquela gente idiota e que pensa que, se andamos com 1 carro velho, ou somos malucos, ou algo do género, mas também há aquelas pessoas que, como nós, gostam muito de ver um carrinho antigo pelas estradas e que lhes devem trazer boas recordações de outros tempos. Eu, pelo menos, se vejo um carocha ou uma pão-de-forma na rua fico logo a babar

- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966

Mais um fim-de-semana de acção. Fui buscar uma pedra, um calhau de granito para fazer um banco no jardim. Foi oferecido, e ninguém ia buscar, porque ninguém conseguia transportar. Excepto a Gilda...

E na segunda-feira tive a oportunidade de encontrar um móvel "novo" (mais um...) para a garagem. Vai ficar lá fantástico, e também ninguém o conseguia transportar, porque não cabe nos carritos plásticos modernos...


"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
também foram desenhadas para transporte
go Gilda, go!!!
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jcse
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
O Brito arrebanha tudo
Se não fosse a Gilda o que seria de ti
À conta da Gilda já tens um património invejável. Eu continuo à procura de um roupeiro mas nada.
João
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VW 1302 Jubilee
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
também vos aparece neste tópico, como última resposta assinalada uma do seixas e depois não há mensagem dele?
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
sim, isso volta e meia acontece, mas penso que ainda ninguém sabe porquê, mas é bug que já está sinalizado.
- Miguel Brito
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Há que tempos que não andava com a Gilda. Faz mais de um mês. Tenho andado de férias, férias a 100% incluindo ausência de vw’s, para variar. O que não quer dizer que não ande com coisas esquisitas, das quais a mais exuberante terá sido um Mercedes cabrio de 1952.
Mas voltando à Gilda, hoje de repente foi preciso meter a maluca a funcionar.
Estava a regressar da praia, cheio de sono num insonso carro plástico moderno, quando a minha mulher grita sobressaltada:
- Estão ali cadeiras! Estão ali cadeiras abandonadas ao lado do contentor do lixo!
Olho, e realmente lá estão as três espreguiçadeiras brancas de piscina.
- Olha que aquilo não cabe aqui dentro…
- Vamos para casa! Vens cá com a Gilda!
Quando cheguei a casa, olhei para a Gilda coberta de pó e sujidade do Verão. Estacionada à mais de um mês, isto agora vai ser bonito para andar outra vez. Dou três pézadas no pedal da gasolina para molhar a garganta e rodo a chave. Temos luzes de bateria, já não é mau. Dou à chave e tem força no motor de arranque, insisto duas vezes e nada. Volto a sair do carro, vou até casa e aproveito para beber água e ir ao WC. Agora o intervalo já deve chegar: sem tocar no acelerador dou à chave, e arranca de imediato. Temos sorte…. Só falta pescar as cadeiras…
Mas o estado de sujidade da Gilda é inacreditável, coberta de pó castanho e sujidade gordurosa de chuvas de verão. Faço apenas o mínimo, limpo os dois vidros dianteiros, com um papel que ficou castanho e coberto de terra. Ao menos consigo olhar para fora.
Arranco devagar, mantenho os 50 para aquecer o óleo suavemente, depois passo a 60-70. Nas rectas perto de Alcoitão já dá para dar gás, e passo para 80, para carregar a bateria. O ponteiro da gasolina acusa logo tesão, e sobe, indicando que a bateria está a recuperar.
De repente, sinto todo o regresso daquela sedução, daquela magia diferente, aquela naturalidade apoiado sobre o volante horizontal, a posição de “cacilheiro” sobre o restante tráfego lá em baixo, o prazer de rolar devagar e de todos a olharem para nós. Estava de novo em romance com a Gilda, a saudade bateu forte.
Acelero para 80-90, os carritos plásticos atrás de mim vêm atrás, espantados por aquele caixote ainda andar “à séria”, dou a volta e estaciono junto às tais cadeiras, que ainda estavam ao lado do contentor.
Para minha surpresa, estão em bom estado, apenas um pouco queimadas pelo sol, mas sem grandes estragos. É o costume: os caixotes do lixo do Estoril são um bom lugar para se “ir às compras”. Os ricaços fartam-se depressa de tudo, deitam tudo fora depois de se enfastiarem, e quem esteja atento, safa-se bem. Meto as cadeiras num instante dentro da Gilda, com as luvas “Mechanix” nas mãos, para dar estilo, e quando vou entrar de novo dentro da Gilda, já com o dia a escurecer, oiço algures, uma voz a gritar no escuro:
- É para vender? Quer vender?
Assustado olho em redor, e não vejo ninguém, mas estou entusiasmado, pois era o melhor que podia acontecer, vender agora já as cadeiras que acabo de guardar… E a voz continua:
- Ó amigo, se quer vender, é dizer!
Descubro então na faixa oposta, um carro que acaba de parar, bloqueando todos os carros atrás dele, um Opel Astra comercial branco, com rede, onde um homem ao volante aponta para a Gilda, e continua a dizer que quer comprar.
Desiludido, aceno-lhe com a mão e grito:
- Deixe estar, que este faz falta… Boa viagem.
Ele desiste a custo e desaparece na noite, enquanto eu entro para dentro da Gilda. Anda aí cada maluco… Mas porque raio querem todos comprar a Gilda? O gajo ia num carro moderno, a brilhar e a estrear, e quer-se meter dentro disto? Gosta de ferrugem? Gosta de stress? Gosta de “dar o jeito”, de aguentar-se à bronca, que mais tarde ou cedo acontece?
Faz-me confusão. Eu tenho isto porque é o meu destino, a minha vida já nasceu na ferrugem, já não sei mudar. Atrapalho-me nos modernos, outro dia um GNR queria-me multar, comigo ao volante de um carro novo…
- Senhor condutor, faça o favor de colocar o cinto, senão tenho que o autuar. Tenha isso em atenção. Vá lá, pode prosseguir, mas não se esqueça do cinto.
Ai o caraças… O cinto… Ele quer que eu ande de cinturão negro a tiracolo, coisas de carros modernos. Eu lembro-me lá do cinto. O último carro com cinto que tive foi em 1995, e o carro era de 73…
Nunca ando com cinto, para além das calças, e também tirei o rádio de todos os carros que comprei. Acho que já tenho mais rádios guardados que carros que tenho. Como diz a minha filha, “ainda sou do tempo em que as múmias falavam. Mas já não havia dinossauros”…
O mais engraçado, é que quando o GNR apitou e me mandou parar, mesmo na rotunda à frente da loja do Pinela, eu julgava que ele me ia multar ou repreender por ter o carro completamente imundo, coberto de pó, incluindo os vidros, pois nem tinha água no esguicho… Sei que é ridículo, mas ando sempre em carros limpos, e daquela vez, vinha de uma semana no campo, e incomodava-me a sujidade, pelo que achei estupidamente que o polícia ia dizer-me para lavar o carro. Afinal era o cinto… Claro que ir com uma camisa amarela também não era nada discreto, e contribuiu para a questão.
Enfim, estas coisas dos carros modernos fazem-me todas muita confusão. Outro dia estava entretido a olhar para um stand de galinheiro daqueles que vendem carros na borda da estrada. A minha mulher estava a dar-me uma habitual seca à espera, e eu a ver os carros. Descobri 3 carros à venda com o mesmo valor de 8 mil euros: um Jeep Cheroke, um Volvo quadrado grande, e um Citroen pequeno. Como é que coisas tão diferentes valem o mesmo? Não sei nem quero saber.
Mas se quiserem rir ( ou chorar) posso dizer também que está um carocha igual ao meu de 1960-63 à venda junto à localidade de Sobreiro Curvo (perto de A-dos-Cunhados), com pintura nova mas tudo velho, estragado e podre, à venda pela “módica” quantia de … 5 mil euros…. Nem disse mais nada, limitei-me a ir embora ao dizer: “Já são raros…” Os vendedores fizeram ar de entendidos, e disseram “Pois é. É isso mesmo”. Tão raros que até tenho igual em casa. Que tristeza, que trafulhice. 5 mil euros para sair dali de reboque para restauro? Não me parece normal…
E hoje, sai-me este maluco a gritar no escuro, se eu quero vender a Gilda? Tenham juízo, guardem o dinheiro, e deixem-se estar sossegados. Para que querem mais problemas? Se estão viciados em modernices, continuem, brinquem com o GPS e estações pré-sintonizadas no rádio, vidros de subir e descer com botões, e deixem a ferrugem em paz.
Bons km’s, e bom Verão para todos. Rust in peace.
Mas voltando à Gilda, hoje de repente foi preciso meter a maluca a funcionar.
Estava a regressar da praia, cheio de sono num insonso carro plástico moderno, quando a minha mulher grita sobressaltada:
- Estão ali cadeiras! Estão ali cadeiras abandonadas ao lado do contentor do lixo!
Olho, e realmente lá estão as três espreguiçadeiras brancas de piscina.
- Olha que aquilo não cabe aqui dentro…
- Vamos para casa! Vens cá com a Gilda!
Quando cheguei a casa, olhei para a Gilda coberta de pó e sujidade do Verão. Estacionada à mais de um mês, isto agora vai ser bonito para andar outra vez. Dou três pézadas no pedal da gasolina para molhar a garganta e rodo a chave. Temos luzes de bateria, já não é mau. Dou à chave e tem força no motor de arranque, insisto duas vezes e nada. Volto a sair do carro, vou até casa e aproveito para beber água e ir ao WC. Agora o intervalo já deve chegar: sem tocar no acelerador dou à chave, e arranca de imediato. Temos sorte…. Só falta pescar as cadeiras…
Mas o estado de sujidade da Gilda é inacreditável, coberta de pó castanho e sujidade gordurosa de chuvas de verão. Faço apenas o mínimo, limpo os dois vidros dianteiros, com um papel que ficou castanho e coberto de terra. Ao menos consigo olhar para fora.
Arranco devagar, mantenho os 50 para aquecer o óleo suavemente, depois passo a 60-70. Nas rectas perto de Alcoitão já dá para dar gás, e passo para 80, para carregar a bateria. O ponteiro da gasolina acusa logo tesão, e sobe, indicando que a bateria está a recuperar.
De repente, sinto todo o regresso daquela sedução, daquela magia diferente, aquela naturalidade apoiado sobre o volante horizontal, a posição de “cacilheiro” sobre o restante tráfego lá em baixo, o prazer de rolar devagar e de todos a olharem para nós. Estava de novo em romance com a Gilda, a saudade bateu forte.
Acelero para 80-90, os carritos plásticos atrás de mim vêm atrás, espantados por aquele caixote ainda andar “à séria”, dou a volta e estaciono junto às tais cadeiras, que ainda estavam ao lado do contentor.
Para minha surpresa, estão em bom estado, apenas um pouco queimadas pelo sol, mas sem grandes estragos. É o costume: os caixotes do lixo do Estoril são um bom lugar para se “ir às compras”. Os ricaços fartam-se depressa de tudo, deitam tudo fora depois de se enfastiarem, e quem esteja atento, safa-se bem. Meto as cadeiras num instante dentro da Gilda, com as luvas “Mechanix” nas mãos, para dar estilo, e quando vou entrar de novo dentro da Gilda, já com o dia a escurecer, oiço algures, uma voz a gritar no escuro:
- É para vender? Quer vender?
Assustado olho em redor, e não vejo ninguém, mas estou entusiasmado, pois era o melhor que podia acontecer, vender agora já as cadeiras que acabo de guardar… E a voz continua:
- Ó amigo, se quer vender, é dizer!
Descubro então na faixa oposta, um carro que acaba de parar, bloqueando todos os carros atrás dele, um Opel Astra comercial branco, com rede, onde um homem ao volante aponta para a Gilda, e continua a dizer que quer comprar.
Desiludido, aceno-lhe com a mão e grito:
- Deixe estar, que este faz falta… Boa viagem.
Ele desiste a custo e desaparece na noite, enquanto eu entro para dentro da Gilda. Anda aí cada maluco… Mas porque raio querem todos comprar a Gilda? O gajo ia num carro moderno, a brilhar e a estrear, e quer-se meter dentro disto? Gosta de ferrugem? Gosta de stress? Gosta de “dar o jeito”, de aguentar-se à bronca, que mais tarde ou cedo acontece?
Faz-me confusão. Eu tenho isto porque é o meu destino, a minha vida já nasceu na ferrugem, já não sei mudar. Atrapalho-me nos modernos, outro dia um GNR queria-me multar, comigo ao volante de um carro novo…
- Senhor condutor, faça o favor de colocar o cinto, senão tenho que o autuar. Tenha isso em atenção. Vá lá, pode prosseguir, mas não se esqueça do cinto.
Ai o caraças… O cinto… Ele quer que eu ande de cinturão negro a tiracolo, coisas de carros modernos. Eu lembro-me lá do cinto. O último carro com cinto que tive foi em 1995, e o carro era de 73…
Nunca ando com cinto, para além das calças, e também tirei o rádio de todos os carros que comprei. Acho que já tenho mais rádios guardados que carros que tenho. Como diz a minha filha, “ainda sou do tempo em que as múmias falavam. Mas já não havia dinossauros”…
O mais engraçado, é que quando o GNR apitou e me mandou parar, mesmo na rotunda à frente da loja do Pinela, eu julgava que ele me ia multar ou repreender por ter o carro completamente imundo, coberto de pó, incluindo os vidros, pois nem tinha água no esguicho… Sei que é ridículo, mas ando sempre em carros limpos, e daquela vez, vinha de uma semana no campo, e incomodava-me a sujidade, pelo que achei estupidamente que o polícia ia dizer-me para lavar o carro. Afinal era o cinto… Claro que ir com uma camisa amarela também não era nada discreto, e contribuiu para a questão.
Enfim, estas coisas dos carros modernos fazem-me todas muita confusão. Outro dia estava entretido a olhar para um stand de galinheiro daqueles que vendem carros na borda da estrada. A minha mulher estava a dar-me uma habitual seca à espera, e eu a ver os carros. Descobri 3 carros à venda com o mesmo valor de 8 mil euros: um Jeep Cheroke, um Volvo quadrado grande, e um Citroen pequeno. Como é que coisas tão diferentes valem o mesmo? Não sei nem quero saber.
Mas se quiserem rir ( ou chorar) posso dizer também que está um carocha igual ao meu de 1960-63 à venda junto à localidade de Sobreiro Curvo (perto de A-dos-Cunhados), com pintura nova mas tudo velho, estragado e podre, à venda pela “módica” quantia de … 5 mil euros…. Nem disse mais nada, limitei-me a ir embora ao dizer: “Já são raros…” Os vendedores fizeram ar de entendidos, e disseram “Pois é. É isso mesmo”. Tão raros que até tenho igual em casa. Que tristeza, que trafulhice. 5 mil euros para sair dali de reboque para restauro? Não me parece normal…
E hoje, sai-me este maluco a gritar no escuro, se eu quero vender a Gilda? Tenham juízo, guardem o dinheiro, e deixem-se estar sossegados. Para que querem mais problemas? Se estão viciados em modernices, continuem, brinquem com o GPS e estações pré-sintonizadas no rádio, vidros de subir e descer com botões, e deixem a ferrugem em paz.
Bons km’s, e bom Verão para todos. Rust in peace.
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
Desculpem, mas parece que ninguém reparou nisto:
Miguel Brito ao voltante de um Mercedes? Isto é inédito, uma revelação!
Miguel Brito wrote: Tenho andado de férias, férias a 100% incluindo ausência de vw’s, para variar. O que não quer dizer que não ande com coisas esquisitas, das quais a mais exuberante terá sido um Mercedes cabrio de 1952.
Miguel Brito ao voltante de um Mercedes? Isto é inédito, uma revelação!
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
É de um vizinho, seis cilindros a ronronarem. Uma coisa impressionante, mas um pouco nazi demais para o meu gosto. Felizmente nunca precisei meter gasolina naquilo, que parece muito guloso... Foram só umas voltinhas para ver como é. E frente parece uma fachada de prédio, com a estrelinha lá em cima. O meu carocha é que safou aquilo: dei-lhe um condensador que tinha a mais, senão o mercedes não funcionava... Entretanto aquilo é uma dor de cabeça: uma fuga do tubo do radiador pinga sobre o dínamo que oxida. Tem radiador de ar quente, tem sei lá o quê mais. Tem botão de avanço ao distribuidor, tem tanta coisa que é muito complicado guiar aquilo convenientemente.
E agora, que o Verão já lá vai...
Nas cheias de Lisboa…

Não foi surpresa nenhuma: o instituto de meteorologia já tinha avisado da proximidade da chuva. Eu até sabia que começava a chover às 9h00m, e assim foi… na véspera, as caleiras e saídas de esgoto foram desentupidas, os vizinhos do bairro queimaram os cortes de ramagens, e todos estávamos prontos para a tempestade.
Programei tudo com antecedência, os dois carros para saírem hoje: o jipe Honda 4x4 da minha mulher, a Gilda para mim. Hoje precisamos de passagem a vau de 40-50 cm, e temos que garantir a segurança em difíceis condições.

Trajouce e Abóboda era um mar de água. Apenas algumas zonas centrais da N249-4 estavam desimpedidas de água, o resto era água castanha, e com o risco acrescido de terem saltado fora tampas.
Em Albarraque, as valas junto das vias estavam ao limite e a água formava repuxos de espuma em torno dos candeeiros e postes. Mais adiante, na Abrunheira, os alagamentos do costume, a estrada feita mar de água.

Evidentemente que a Gilda, carrinha VW de 1966, é o veículo certo para tal momento:
1- Elevada altura ao solo, com passagem a vau de 40-50cm.
2- Redutoras no eixo traseiro, para garantir força em menor rotação.
3- Motor na traseira, protegido da entrada de água pela frente.
4- Motor a fazer peso em cima do eixo traseiro, para tracção máxima.
5- Tracção traseira, empurrando mesmo que a frente derive na água.
6- Sem ventoinha exposta, que atira água para cima de componentes eléctricos.
7- Escape curto, pressionando gases para fora e impedindo entrada de água.
8- Posição elevada de condução, para melhor visualizar antecedência de situações.
9- Pneus “letra C”, de flancos reforçados, para melhor resistência a obstáculos.

Enquanto os outros carros atiram água sobre eles, a Gilda passa mais alto, a água lançada apenas bate abaixo do nível das janelas, e podemos prosseguir em maior segurança. Tenho pneus traseiros Uniroyal de Chuva, e faz toda a diferença: passa pela água como se ela não estivesse lá.

Na Damaia e Amadora, todos os lugares baixos estavam alagados. Os viadutos debaixo do IC-19 completamente inundados. Cheguei ao local ao mesmo tempo da Protecção Civil. O jipe Land-Rover azul estacionou ao lado da lagoa formada, enquanto eu avancei por ali dentro abrindo uma onda de água ao meu redor. Ficou tudo a olhar e eu sai do outro lado, enquanto os carritos modernos plásticos hesitavam em meter os motores dianteiros com ventoinhas dentro daquilo.
Vi vários carros parados por problemas eléctricos, uns após alagamentos, outros em pior situação, parados com os quatro piscas, dentro de água. Os condutores paralisados lá dentro, sem vontade de meterem-se para dentro de água. Deixa ficar, e a Gilda a passar…

Mais grave foi quando uns carritos desses modernos, estilo Corsa ou Peugeot, resolveram seguir a Gilda entrando de repente pela água adentro. Nem cuidado tiveram de meter mudanças baixas, e o choque frontal do motor com a água travou-os num estardalhaço de mergulho, com o inevitável engasgar e acabando desligados pouco adiante. Julgam que isto é brincadeira, e chocam com a realidade.
Falta-lhes o principal acessório de segurança no carro: o cérebro…

Já quase no final, próximo da Junqueira, na Boa-Hora, encontro um extenso lago castanho, cobrindo dezenas de metros, sem hipótese de fuga.
Olho em redor e vejo uns quantos mirones encostados aos prédios, prontos a gozarem o prato de quem ficar preso nas cheias. Devem querer gozar comigo…
Entra segunda, pé direito ao fundo e cá vai disto. Avanço a criar onda em redor, sempre em altas, acelero e salta água à minha volta. E os mirones fugiram assustados com a altura de água que eu estava a atirar. Afinal, quem se riu fui eu…
“Ah, se tudo na vida fosse de tanta confiança como um Volkswagen!...”
E agora, que o Verão já lá vai...
Nas cheias de Lisboa…

Não foi surpresa nenhuma: o instituto de meteorologia já tinha avisado da proximidade da chuva. Eu até sabia que começava a chover às 9h00m, e assim foi… na véspera, as caleiras e saídas de esgoto foram desentupidas, os vizinhos do bairro queimaram os cortes de ramagens, e todos estávamos prontos para a tempestade.
Programei tudo com antecedência, os dois carros para saírem hoje: o jipe Honda 4x4 da minha mulher, a Gilda para mim. Hoje precisamos de passagem a vau de 40-50 cm, e temos que garantir a segurança em difíceis condições.

Trajouce e Abóboda era um mar de água. Apenas algumas zonas centrais da N249-4 estavam desimpedidas de água, o resto era água castanha, e com o risco acrescido de terem saltado fora tampas.
Em Albarraque, as valas junto das vias estavam ao limite e a água formava repuxos de espuma em torno dos candeeiros e postes. Mais adiante, na Abrunheira, os alagamentos do costume, a estrada feita mar de água.

Evidentemente que a Gilda, carrinha VW de 1966, é o veículo certo para tal momento:
1- Elevada altura ao solo, com passagem a vau de 40-50cm.
2- Redutoras no eixo traseiro, para garantir força em menor rotação.
3- Motor na traseira, protegido da entrada de água pela frente.
4- Motor a fazer peso em cima do eixo traseiro, para tracção máxima.
5- Tracção traseira, empurrando mesmo que a frente derive na água.
6- Sem ventoinha exposta, que atira água para cima de componentes eléctricos.
7- Escape curto, pressionando gases para fora e impedindo entrada de água.
8- Posição elevada de condução, para melhor visualizar antecedência de situações.
9- Pneus “letra C”, de flancos reforçados, para melhor resistência a obstáculos.

Enquanto os outros carros atiram água sobre eles, a Gilda passa mais alto, a água lançada apenas bate abaixo do nível das janelas, e podemos prosseguir em maior segurança. Tenho pneus traseiros Uniroyal de Chuva, e faz toda a diferença: passa pela água como se ela não estivesse lá.

Na Damaia e Amadora, todos os lugares baixos estavam alagados. Os viadutos debaixo do IC-19 completamente inundados. Cheguei ao local ao mesmo tempo da Protecção Civil. O jipe Land-Rover azul estacionou ao lado da lagoa formada, enquanto eu avancei por ali dentro abrindo uma onda de água ao meu redor. Ficou tudo a olhar e eu sai do outro lado, enquanto os carritos modernos plásticos hesitavam em meter os motores dianteiros com ventoinhas dentro daquilo.
Vi vários carros parados por problemas eléctricos, uns após alagamentos, outros em pior situação, parados com os quatro piscas, dentro de água. Os condutores paralisados lá dentro, sem vontade de meterem-se para dentro de água. Deixa ficar, e a Gilda a passar…

Mais grave foi quando uns carritos desses modernos, estilo Corsa ou Peugeot, resolveram seguir a Gilda entrando de repente pela água adentro. Nem cuidado tiveram de meter mudanças baixas, e o choque frontal do motor com a água travou-os num estardalhaço de mergulho, com o inevitável engasgar e acabando desligados pouco adiante. Julgam que isto é brincadeira, e chocam com a realidade.
Falta-lhes o principal acessório de segurança no carro: o cérebro…

Já quase no final, próximo da Junqueira, na Boa-Hora, encontro um extenso lago castanho, cobrindo dezenas de metros, sem hipótese de fuga.
Olho em redor e vejo uns quantos mirones encostados aos prédios, prontos a gozarem o prato de quem ficar preso nas cheias. Devem querer gozar comigo…
Entra segunda, pé direito ao fundo e cá vai disto. Avanço a criar onda em redor, sempre em altas, acelero e salta água à minha volta. E os mirones fugiram assustados com a altura de água que eu estava a atirar. Afinal, quem se riu fui eu…
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
excelente crónica, das melhores! hoje estavas inspirado. só faltou uma câmera em cima do velocimetro a registar isso tudo
P.S.: a Gilda não precisa de pneus letra "C", só precisa de pneus com indice pelo menos 91
P.S.: a Gilda não precisa de pneus letra "C", só precisa de pneus com indice pelo menos 91
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Re: "Gilda" - Splitscreen Pão-de-Forma de 1966
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