O frio continua: a chauffage está desligada e estou a tremer de frio. Isto tem que ser resolvido!
Fui ter com o Vladimir e perguntei pelos tubos desaparecidos. Em vez disso, apareceram outros dois, porque mais novos e em bom estado, ainda com o “casaco” de protecção térmica aplicado. Supostamente uma boa solução.
Parece que os meus estavam decadentes e podres, por isso era melhor eu levar estes para aplicar, que estão como novos.
Lá saí com aquilo na mão, pois não foi possível aplicá-los naquele momento, devido à muita chuva que caía e molhava tudo, dificultando qualquer acção.
No dia seguinte, de novo no Jaime, para montar os ditos tubos. Parecia que era só encaixar e já está… simples ilusão: tudo acontece sempre de modo mais complicado do que se possa imaginar.
O intervalo da ligação é mais ou menos de 20 centímetros, e os tubos têm 60… O diâmetro necessário é de 63 mm ou superior, e os tubos que vieram têm 55 mm.
“Corta isso” diz o Vladimir… Arrancado o isolamento, cortado o tubo, e mesmo assim resta o problema do diâmetro ser curto. Não entra…
O tubo é feito de uma fita metálica enrolada e que não permite alargar e adequar aos buracos necessários. Quase destruímos um dos tubos na tentativa de fazer aquilo funcionar.
Depois do Jaime espernear debaixo da Gilda, de bater, esmurrar e chamar filho desta e da outra aos tubos, ao carro, mais aos caprinos que o pariram, desistiu e não resulta.
E mais uma vez voltei a sair cheio de frio na Gilda…
Aproveitou-se, no entanto, para corrigir o nível da valvulina que estava baixo. Ainda levou 2 litros, o que não deixa de ser preocupante. Claro que os foles da transmissão já não estão com ar de novos e estão babados. Há que estar atento e perceber quando é que vai ser necessário substituir.
Mais um dia de frio. Descobri que tenho 8 graus dentro da Gilda, excepto em andamento, quando passa para 6 graus… é de tremer, as mãos ficam roxas, a cara gélida e pegajosa de frio.
No dia seguinte, logo de manhã na padaria olho várias vezes para a lata de coca-cola vazia… acho que tem a medida certa…
Levo a lata vazia para casa, vou medir e é precisamente de 63mm de diâmetro. Isto vai ser útil…
Vou a uma loja de ferragens e compro um troço de tubo de alumínio para esquentadores: a medida menor que têm é de 80 mm de diâmetro, mas só custou 3 euros para um elemento extensível até 1 metro.
Volto para casa e vamos montar isto. Não é depois nem agora, é mas é já!
Estico o tubo de alumínio à mão com jeitinho, estico e esfrego e ele cresce na minha mão. Enfio a lata de coca-cola dentro do tubo de 80 e vai de amaciar o tubo à lata até ficar na medida certa. Já está!
Agora mergulho para baixo da Gilda, e rastejo de costas até ao sítio certo. Com um x-acto corto o excedente e dou o jeitinho para enfiar o tubo mais ou menos bem nas duas extremidades, uma com 63 mm no lado do motor, a outra com 60 do lado do chassis. Milagre! Ficou lá metido e não parece cair.
Aproveito a posição e meto a patilha da chauffage aberta e presa com braçadeiras plásticas. Parece que já está.
Rastejo de volta à superfície e vou experimentar. Nem dois quilómetros foram preciso, para sentir o cheiro quente e doce do ar quente que surge junto ao vidro: um alívio.
Em andamento para Lisboa a temperatura sobe de 10 graus para 14 num instante, e consigo sentir-me bastante melhor.
Já está! Depois de 3 dias de tentativas tenho ar quente dentro da Gilda, e já não congelo mais. E por sorte ainda não se soltaram os tubos de alumínio em andamento, apesar de presos de forma muito insuficiente. Deixa andar, que anda bem…
Aproveitei e mudei o óleo, tendo comprado GTX 15W40 de “marca branca” no Feira Nova, 5 litros por 9,99 euros. Deve ser bom, deve…
Pouco importa: se for de má qualidade, muda-se mais cedo. Por este preço não vale a pena deixá-lo lá muito tempo. Basta uns 4 mil ou 5 mil km’s e muda-se de novo. Em 45 minutos fica feita a muda.
Meti 2,5 litro lá para dentro, meti uma anilha nova no bujão, pois a que lá estava não passava de uma anedota lisinha e estreita sem ser de cobre.
Agora tudo está de novo com os níveis de líquido certo:
- 2,5 litros de óleo novo no motor,
- 2,0 litros valvulina certa na caixa,
- 8,70 litros (10 euros) de gasolina no depósito,
- 1,5 litros de água do Luso no condutor.
E de novo em andamento, já fiz cerca de mil quilómetros desde que o motor foi reparado, o consumo é muito menor e tudo parece estar em condições. Siga e é sempre a andar!
E acabou-se o frio em andamento.
