A História remonta a muitos anos atras, quando a seguir a grande revolução em 25 de abril de 1974, varios funcionários viram o seu ordenado subir, um deles foi o meu avô paterno (que tanta saudade deixou), este acontecimento permitiu lhe comprar um carro.
O meu pai e os meus tios não precisar ao certo mas dizem que foi em cerca de 76/77 que o meu avô comprou o vw. O meu avô teve 8 filhos o carocha passeou-os a todos, viu muita estrada, imagino as historias que tem para contar.
Quando em 1994 o meu avó se reformou com os filhos já todos criados e empregados, já com alguns netos e outros por nascer, o meu avô comprou novo um Peugeot 106 kid (que atualmente tem uns 50 mil kms).
Escusado será de dizer que o carocha foi ficando parado, ficou lá esquecido no terreno, a espera de um dia melhor.
Em 97/98 o meu pai comprou o carro ao meu avô com o intuito de restaurar, pois foi o primeiro carro da minha familia, o carro onde ele aprendeu a conduzir.
Houve uma restia de esperança para o carocha, mas amigos, o carro saiu de um terreno e foi para uma garagem, continuava abandonado, mas estava desta vez abrigado, contudo parado na mesma. O carro saia uma vez por ano, era lavado e voltava para dentro, impressionantemente o motor boxer pegava sempre cheio de força, uma vez por outra um cubo colava e lá ia uma roda a rastejar. Nunca percebi bem em pequeno o motivo de estar aquele carro na garagem, cheio de pó e de teias de aranhas.
Mais tarde o meu pai fez obras nos fundos da casa e deixou de haver espaço para o carocha e guess what, voltou para um terreno, a chuva e ao vento, quase que era um daqueles tipicos " o carro está a venda?", "não, é para restaurar mais tarde", neste caso o restauro concluiu-se.
Em 2003/2004 o carro foi rebocado para uma oficina ao lado da do meu pai onde começou a ser desmontado para ser todo restaurado.
Separou-se o chassi da carroceria e como seria de esperar os fundos não resistiram aos anos ao relento.
Sem olhar a custos começou tudo a ser reparado, o motor foi para o mecânico, o interiores para um estofador, milhares de pequenas e grandes peças vieram de casa da especialidade, o restauro começou a andar. O meu irmão decapou grande parte dos painéis, e desmontou a parte eletrica"
De oficina em oficina o carro foi ficando, em algumas meses, noutras anos e lá continuou. Após estar pronto a quase todos os níveis, deu-se o típico "casa de ferreiro, espeto de pau" sei que ainda não sabem, mas o meu pai e o meu irmão são electricistas de profissão.
O carro voltou para a garagem, pintado e reparado, faltava montar toda a parte eléctrica e pequenas peças nos interiores. Levou um restauro de A-Z sem olhar a custos! Amortecedores, ponteiras, tambores, vedantes tudo novo. O carro parecia que tinha saido do stand.
Ora jogava o Braga, ora não era oportuno, ou ao fim de semana não se trabalha em carros, ou aquele muro tem que ser limpo o carro voltou a ficar esquecido.
Em 2010 (mais ou menos) o meu irmão decidiu finalizar o restauro (sim quase dez após ter sido iniciado), preparamos tudo, metemos as peças dentro dele e parece que finalmente o carro vai andar.
O carro agarrou a trabalhar ao relantim. Meus caros, aqui fiquei com mais esperanças em ver o Rei Sebastião voltar daquela manhã de nevoeiro do que ver o meu vw andar na estrada (coisa que nunca tinha visto, uma vez que nasci em 95).
O que antes era um assunto, não muito agradavel, passou mesmo a ser taboo cá por casa, só se falava no carro quando o meu avô vinha cá almoçar ao domingo e perguntava: "então e o Volkswagen, ainda não anda?"
Com pouca vontade de ambas as partes o mecânico lá veio buscar o pequeno boxer.
O meu avô adoeceu bastante, e em 2012 faleceu. Ficou aquele sentimento de culpa e de pena, por não termos visto o meu avô voltar a andar naquele carro, deviam ser tantas as historias para contar.
Em agosto desse mesmo ano, um amigo do meu irmão ia se casar e por acaso falou no carro e o meu irmão fez uma daquelas promessas " o meu carocha vai ser o carro do teu casamento" e desta vez aconteceu, fizemos pressão no mecânico, juntamos as peças que ainda tinhamos, limpamos os interiores, desembalamos os tampões ainda novos prontos a montar, juntamos os frisos, os cromados, os faróis, os farolins as borrachas, tudo que estava novo a espera de ir para o carro juntou-se.
O carro veio do mecânico e foi montado em contra relogio, foi a inspecção e foi feito o seguro, passados muitos anos vi o que nunca tinha visto, o pequeno vw a andar em estrada. Passados 20 anos, o carro voltou a andar.
O casamento foi um sucesso, foi com sentimento de orgulho que vimos o carro exposto a porta da Igreja.
Entretanto tirei a carta, comecei a circular com o 1300, adoro o trabalhar do boxer, adoro cumprimentar o dono de outro clássico que nunca vi na, vida apreciar os cromados a brilharem ao sol, ver as pessoas fotografarem-no estacionado responder as tipicas perguntas do "está a venda?" com um "credo, só após 3 dias sem comer" .
Peço desculpa pelo testamento, mas feitas as contas é um carro que está a 40 anos na minha família, são imensas as historias a volta do carro, os meus tios gabam-se sempre de que com a minha idade, aquele banco de trás viu muita acção
Atualmente, o carro sai aos fins de semana, em ocasiões especiais, e em algumas noites quentes de verão. Habitualmente, sou eu que ando com o carro, mas uma vez ou outra, o meu irmão ou o meu pai lá pegam no carro.
Eu e o meu irmão vamos, mantendo o carro nos trinques, num classico há sempre algo a fazer, mas neste ainda há uns pequenos pormenores a tratar, pois como podem imaginar, num restauro de tantos anos, muitas das peças se foram perdendo e preciso da vossa ajuda para as reaver.
O carro originalmente era branco, foi pintado de Verde na mão do meu avô, esta cor dizem ser original vw, mas levou um verniz brilhante, mas confesso que nunca vi outro igual.
Tenho montes de coisas para vos perguntar, mas para já concluo a apresentação do pequeno 1300.



P.s. Grande parte das datas, não são muito certas, pois ainda não era nascido quando se deram os acontecimentos.



