
Não, este carro não é meu. É mais um carro da Garagemvw que foi visitar as Maravilhas da Junqueira, desta vez do pmachado, o HH-53-47, um pouco mais antigo que o meu Expresso de 1963. O dele é um 1200 de 1960, com ligeiras características diferentes.

Quando lá cheguei, já o carro dele estava no ar, e o trabalho estava a decorrer. O pedido era o usual: velas, platinados e condensador para acertar, travões para rectificar. Uma revisão geral, sem intervenção aprofundada. Claro que eu não ia perder a oportunidade de andar a ver o carro ao detalhe. O Sr. Jaime, disse logo para o “inspector” verificar o estado do carro, de modo que comecei por uma ponta…

Aí está ele, debaixo dos arcos da cova funda da oficina. Como tantas vezes, ecoava no ar a música de fados de Lisboa, passados na rádio.
O aspecto geral do carro é aceitável, pintura brilhante o quanto baste, de uma cor perto da origem, mas diferente o suficiente para se distinguir dos outros semelhantes.
Comecemos então pela frente:
As ópticas estão em estado médio, um pouco oxidadas, o que deve trazer percas a nível do uso de bateria de 6 volts. Os vidros são ambos Bosch, e correctos para o ano em questão, o que é raro, e denota que não deve ter havido acidentes frontais.
Os piscas são os originais Hella, ambos muito queimados pelo sol, e com as borrachas estragadas. O cromado está médio, com borbulhas a surgirem.

O párachoques dianteiro está partido (!) e soldado… Altamente desaconselhável… o traseiro está um tanto picado pela ferrugem, mas possível de alguma recuperação, com palha de aço, wd-40 e cera. Os apoios de pára-choques, em ambos os casos, atrás e à frente, estão pintados de prateado em vez de preto. Em preto fica muito melhor. Será desejável desmontar os suportes, pintá-los a spray preto cor L41 e remontar montando uma lamina horizontal dianteira “brasileira” a custo reduzido (cerca de 25 euros).
Retomemos a frente: a tampa da mala de 60 difere do meu de 63 por usar braço articulado de fixação e não molas dos dois lados. Está em bom estado, sem fissuras de pintura. O emblema da VW é mais moderno que o original, não é o certo do modelo. Bem como o “esguicho”, saído de um qualquer modelo, não vw…
Dentro da mala dianteira: o depósito do limpa-vidros é VDO, mas não consigo precisar o ano, embora não me pareça de 1960. Mas posso estar enganado. Os braços do limpa-vidros são os originais, mas adaptados para assimilar as escovas de supermercado modernas. Acho aceitável, e tenho a mesma coisa no meu. O macaco está impecável, em muito bom estado, dos melhores que tenho visto. A cobertura posterior do tablier, que tapa os fios está nova! E em muito bom estado, coisa rara, sem cortes nem está danificada. Já o cartão de base sobre o depósito está rasgado, e é difícil arranjar igual.
Mais vale deixar estar o velho, que novo sem qualidade. O fundo da mala tem o usual flint-coat preto debaixo do sobresselente, mas a chapa não parece muito corroída.
De carroçaria, tem estribos “brasileiros”, com friso estreito, muito diferente do largo de origem. O meu carro sofre do mesmo problema, e só vê quem sabe destes vw antigos. A maior parte das pessoas nem repara…
O conjunto de frisos cromados estão muito bons, o retrovisor é “inventado”, em vez de ser encaixado na dobradiça superior da porta. Fácil corrigir.
Há duas raspadelas ligeiras em ambos os guarda-lamas traseiros, mas é pouco relevante.
As borrachas dos vidros todos estão muito gretadas, partidas e com falhas. A sensação que dá é que pintaram o carro de novo, mas com as borrachas velhas… péssima solução. A borracha traseira vai deixar entrar água, e começar a corroer os cantos do vidro traseiro, e apodrecer a chapa debaixo.

No interior, os estofos e todos os painéis forrados estão em muito bom estado, e são os originais, o que também é raro, e duplica o valor do carro. O volante é o correcto.
Fico na dúvida é sobre a cor certa da carroçaria. Teria que ser compatível com esta cor de estofos, e isso serão quais cores?

Os painéis das portas estão bem fixos, sem falhas, nem dobras, nem furados, fixos com as molas de origem. Excelente.

O estado do interior é muito aceitável, incomoda é o cheiro a “velho”. Precisa de uma limpeza a fundo (com super Pop Limão Verde diluído), arejar e estacionar ao sol.

A pala do sol também está poderá estar correcta, embora se fosse versão Deluxe me pareça que devia ter como “extra”, dupla pala e acolchoada. Mas isso é como no meu de 63, pode ser que fosse diferente em 60.

Na traseira, são visíveis os belos (quase inúteis e perigosos) farolins pequenos, correctamente posicionados. A tampa da luz de matrícula é também correcta. Ambas as chapas de matrícula estão montadas com parafusos completamente enferrujados, que dão mau aspecto a um carro bom. Seria conveniente trocá-los por inox. O pior da mala traseira é o fecho que está mal montado, não articula bem, e penso que faltam lá anilhas ou algo do género. É importante rever isso, para fechar correctamente e não vibrar em andamento.


O motor, é outra história. O número de motor 5202709… é obviamente martelado lá, adulterado. A base do dínamo é separada do bloco, mas a carcaça da turbina é redonda, das pequenas. A minha aposta é que está lá um motor 1200 de 34cv que veio substituir o 1200 de 30cv de origem. O carburador é o solex 28 com choke automático (plástico branco de lado), e o filtro do ar é mais pequeno que o meu 34cv. A tampa do regulador está enferrujada, merecia ser retirada, lixada suavemente e pintada de preto L41. O tubo de cartão está então desenfiado do orifício inferior, que se vê no lado esquerdo da chapa, e que serve para meter mais ar fresco para o filtro do ar. Falta aí uma argola de borracha para encaixar melhor.

E assim se deu a volta a mais um carro na oficina da junqueira. O Sr. Jaime dizia que eu tinha pinta para estar na inspecção da fábrica, em Wolfsburg, mas eu disse-lhe que preferia estar ali, que ainda deve ser um sítio mais antigo…
Pelo menos cheira a ferrugem e óleo como deve ser.









[/center]

