Ler as medidas de um pneu
Existem várias formas de expressar as medidas de um pneu, cujas características mais importantes a ter em conta são a sua largura e o seu diâmetro, a largura tem influência directa na aderência do veiculo ao piso sob as várias condições (recta, curva, piso seco, molhado, veiculo com carga, etc.) e o diâmetro na relação final de transmissão e no erro de leitura do velocímetro.
Assim existem:
Série milimétrica, onde as medidas são expressas em milímetros
Exemplos:
(1) 195/60R15, pneu com largura de 195 mm, altura do flanco de 60% da largura, estrutura de construção radial, para ser montado numa jante de 15”
(2) 175-16, pneu com largura de 175 mm, estrutura de construção diagonal, para ser montado numa jante de 16”. Nas medidas onde não vem expressa a altura do flanco considera-se 82%, ou seja 82% da largura
(3) 165R15, pneu com largura de 165 mm, altura do flanco com 82%, estrutura de construção radial, para ser montado numa jante de 15”.
Série polegadas, onde as medidas são expressas em polegadas
Exemplos:
(1) 5.60-15, pneu com largura de 5.60 polegadas, altura do flanco de 95% da largura, estrutura diagonal, para ser montado numa jante de 15”.
(2) 7.00R14, pneu com largura de 7”, altura da secção de 82% da largura, para ser montado numa jante de 14”
Série flutuação
Exemplos:
(1) 31x10,5-15, pneu com diâmetro de 31”, com largura de 10,5”, estrutura diagonal para ser montado numa jante de 15”
(2) 30x9,5R16, pneu com diâmetro de 30”, com largura de 9,5”, estrutura radial, para ser montado numa jante de 16”
Nota: nos pneus de construção diagonal, onde não vem expressa a altura do flanco considera-se como sendo 95% da largura, nos pneus de construção radial, considera-se 82% da largura.
Assim, e sempre que haja necessidade de montar pneus no nosso carro diferentes do que vem indicado no livrete ou certificado de matricula, é preciso ter em conta 4 aspectos:
- Não ter largura inferior à que vem indicada no documento de identificação
- Não ter diâmetro superior ou inferior a 5% em relação ao pneu indicado
- Não exceder os limites exteriores da carroceria
- Não tocar em nenhuma parte da carroceria durante os movimentos de suspensão e direcção em simultâneo.
Desta forma só é preciso ter os diâmetros e larguras das rodas a comparar, e verificar se entre elas não existe uma diferença maior ou menor a 5%, e se o pneu que se vai montar não tem largura inferior. Com isto pode se jogar com as medidas dos pneus e das jantes.
Exemplos:
Medida no livrete:
7.00-14-> diâmetro de 668 mm, largura de 178 mm
Diâmetro + 5% = 701 mm
Diâmetro – 5% = 635 mm
Logo, numa jante de 14” pode-se montar pneus cujo diâmetro esteja compreendido entre 635 mm e 701 mm e a largura não seja inferior a 178 mm, acrescido das outras duas verificações acima descritas.
Depois de se ler as medidas de um pneu, é preciso saber se ele é adequado aos pesos e velocidades máximas do carro. Para tal é necessário conhecer os índices de carga e velocidade dos pneus e compará-los com o veículo ou livrete.
Se no livrete (ou certificado de matricula) vierem indicados estes índices, a única regra a respeitar é usar um pneu com índices iguais ou superiores, nunca inferiores.
Exemplo:
No livrete indica: 155/80SR13 80, 175/70R14 82 T
Isto significa que temos que usar pneus com índice de carga 80 (450 kg) e velocidade S (180 km/h), ou índice de carga 82 ( 475 kg) e velocidade T (190 km/h).
Mas por vezes (a maioria das vezes) não vem no livrete ou certificado de matrícula os índices de carga, pelo que é preciso calculá-los a partir dos pesos brutos de cada eixo, indicados no livrete.
Assim, se o nosso veiculo tiver um peso bruto no eixo da frente de 1600 kg, temos que usar pneus com índice de pelo menos 100, se tiver no eixo de trás um peso bruto de 1800 kg temos que usar pneus com índice pelo menos 102.
195/70R15 100 Q, 195R16 102 Q
Por vezes podem-se encontrar pneus onde aparecem 2 índices de carga, 185/80R14 102/100 P, são pneus indicados para usar em rodados simples ou duplos, e considera-se o índice em 2º lugar na fórmula de cálculo para veículos com rodado duplo.
Assim:
Rodados simples
PB eixo frente: 800 kg, índice correcto -> 76, 400 kg x 2 pneus = 800 kg, os pneus suportam a carga máxima admissível sobre o eixo
PB eixo trás: 830 kg, pneu com índice 76, 400 kg x 2 pneus=800 kg, os pneus não suportam a carga máxima admissível sobre o eixo, devem ter pelo menos índice 78 (425 kg).
Rodados duplos
PB eixo frente: 1900 kg, índice correcto -> 106
PB eixo trás: 3900 kg, índice correcto -> 107
Pode usar por exemplo 195/80R15 106 R na frente, 195/80R15 109/107 R em ambos os eixos, 109 -> 1030 kg x 2 = 2060 kg para o eixo da frente, 107 -> 975 x 4 = 3900 kg
Outra forma de calcular os índices de carga é pelo nº de telas, que nos livretes mais antigos aparece junto da medida dos pneus, um nº entre parêntesis.
Exemplo:
7.00-14 ( 8 ),
pneu com 8 telas, obrigatório sempre pneus com pelo menos 8 telas. O nº de telas vem indicado nos pneus como ply number, ply rate, ply index ou só pelas iniciais PN, PR ou PI seguido do correspondente nº de telas.
Consultando as tabelas seguintes, podemos identificar os índices de carga e velocidade existentes, conforme Decreto-Lei n.o 72-C/2003.






























