850 Cooper S não pode ser!
Correndo o risco de estar a dizer uma blasfêmea, o Cooper S teria 1275 cm3 de cilindrada e, quando eles começaram a ter a frente quadrada (tipo clubmen) passaram a chamar-se 1275 GT.
Que me corrijam ou confirmem, porque o 1275 GT apareceu depois de eu ter deixado a ferrugem.
No entanto havia Cooper S com transformações speedwell que englobavam um conjunto de substituição de peças, ao nível de cabeça (recordo-me que era amarelinha)carburadores, bobina, escape, etc e que aquilo ao ralenti parecia um monte de latas a rebolar dentro de um bidon, mas........ah rapazes! quando se lhe pisava o rabo, aquilo emitia uma música espectacular, qual pavaroti (paz à sua alma) a roncar no circuito de Montes Claros, na Granja do Marquês, etc. Na Rampa da Pena, uma vez em que eu estive lá a dar assistência, o Né Né (Ernesto Neves) fez média de 90 Kms/hora, com um Cooper S vermelhinho.
Nos Alfas, havia um senhor a correr com um 2000, vermelho e branco, de seu nome Carlos Gaspar que tambem deu cartas.
Isto tudo, no tempo em que não havia controle de tracção, ABS, ESP e o CQosF.
Havia tambem a moda de equipar os Anglia Fascinante e os Ford Cortina GT com motores Lotus.
Uma vez, para aí em 1968/69 deu lá entrada na oficina, um Cortina GT, de volante à direita que tinha vindo de Moçambique para equipar com motor Lotus e depois voltar para lá.
Quando o carro estava pronto de mecânica, foram-lhe montados 4 pneus Dunlop Racing, à estreia e, está claro cheios daquela goma que trazem quando são novos.
Sem citar nomes, houve um senhor que foi experimentar o carro.
A bomba roncava que se fartava! Aqueles Weber a chupar à força toda e eis que o carro sai da oficina.
Sobe aquele bocadinho da Rua Castilho até ao cruzamento com a Joaquim António de Aguiar e, pára do lado esquerdo da pianha do polícia sinaleiro, aguardando que este o mandasse avançar.
Aguardou. Mas aquele pé direito não parava quieto no acelerador, vruuuuuummm vruuuuummmmm vruuuuuuummmmmmm, até que o polícia o manda avançar.
Arrancou à força toda, mesmo com muita força, direito às galerias do Ritz que foi um espectáculo. Deu uma choriçada do caraças numa boca de incêndio que estava no passeio que a arrancou e a partir daí parecia a fonte luminosa. A montra foi pó galheiro e o ex Cortina GT que havia sido promovido a Cortina Lotus, num ápice foi despromovido, passando a ser sucata.
Não sei o que foi feito do carro, porque foi para outra oficina, uma vez que não tínhamos secção de chapa e pintura.
Hoje, quando vejo desfilar estas relíquias, vem-me cá uma saudade!
E quando vejo às vezes na televisão algum piloto desse tempo, penso assim: "é pá! Estás mesmo velho"!
É que eu, nessa época era um puto e eles já eram uns homens feitos!